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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 7-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!

Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.

Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

Celebramos hoje a memória de S. Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira santa canonizada a ter vivido em terras brasileiras. S. Paulina, batizada com o nome de Amabile, é muito querida pelos fiéis por ter-se dedicado ao cuidado dos pobres e à educação dos órfãos. Há, no entanto, um aspecto da vida desta santa religiosa que nem sempre é suficientemente apreciado: o seu escondimento. Como hoje se sabe, S. Paulina foi objeto de muitas calúnias dentro da comunidade que ela mesma fundou, a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. As acusações foram tão graves que as autoridades eclesiásticas viram-se obrigadas a retirá-la do governo da Congregação, impedindo-a até mesmo de ser identificada entre as irmãs como a sua fundadora. S. Paulina sofreu ainda por longos anos uma série de problemas de saúde, associados a uma diabetes que lhe causou a amputação de um braço. Os seus dias, todos consagrados a Deus, foram vividos na humilhação e no que, de um  ponto de vista humano, seria um clamoroso “fracasso”: sem poder dedicar-se a nenhuma atividade pastoral, esquecida e ignorada dentro da própria comunidade, Paulina foi uma simples “freira velha” largada num convento. Mas, como membro do Corpo místico, ela soube fazer de suas limitações ocasião de entrega, de oblação, de união com o sacrifício silencioso de amor de Jesus Cristo. Escondida e sofrendo pacientemente dores tanto físicas como espirituais, S. Paulina ofereceu a Deus, no altar oculto de sua alma, aquela caridade ardentíssima que é a marca dos verdadeiros santos. Que também nós, movidos por seu exemplo e confiantes em seu patrocínio, possamos viver com o mesmo espírito, humilde e obediente, de S. Paulina e, como ela fazia frequentemente, repetir todos os dias: “A vontade de Deus é o meu Paraíso” [1].

Referências

  1. S. João Paulo II, Carta decretal pela qual se outorgou à beata Paulina do Coração Agonizante de Jesus a honra dos santos, de 19 mai. 2002 (AAS 95 [2003] 162).
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