CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Texto do episódio
328

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 17-24)

Naquele tempo, os setenta e dois voltaram muito contentes,  dizendo: "Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome". Jesus respondeu: "Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu". Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: "Eu te louvo, Pai,  Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas  aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho,  a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai,  a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar". Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: "Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo  que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir".

Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Francisco de Assis, um santo extraordinário que se configurou perfeitamente a Cristo. Ele é conhecido por ser o “Seráfico Pai”, porque tinha, como um serafim, um coração abrasado de amor por Jesus, amando-o de tal maneira que as chagas de Nosso Senhor foram impressas em seu corpo. 

São Francisco, mesmo falecendo tão cedo — com cerca de 40 anos de idade — conseguiu fazer algo extraordinário na História da Igreja. Desde o tempo dos bárbaros e dos vikings, a Igreja lutava para manter de pé a civilização, evangelizando-a, e, embora tenha passado por grandes dificuldades, conseguiu estabelecer enfim a Cristandade.

Porém, essa Cristandade significou uma influência forte da Igreja na sociedade; e, consequentemente, pessoas interesseiras começaram a almejar cargos eclesiásticos para terem poder e autoridade. Portanto, na sociedade da época de São Francisco de Assis, a Igreja estava passando por um drama político: pessoas que queriam nomear bispos, abades e papas apenas por ambição e poder. Deu-se, então, uma grande luta dentro da Igreja para tentar se livrar da ingerência do domínio temporal. Luta esta que só alcançou êxito após o Conselho de Trento. 

Sim, a Igreja até hoje continua lutando contra os poderes seculares, mas já não é um problema tão estruturado como na época de São Francisco de Assis. Vale lembrar que, diante desse conflito entre o papado, a hierarquia da Igreja, e o imperador, esse santo homem afirmou a necessidade de fazer uma opção por Cristo. Muitos acham que ele fez uma opção pelos pobres; mas, na verdade, ele fez uma opção pelo Cristo pobre; de ser humilde igual a Ele. 

Contudo, é importante não pensarmos que São Francisco de Assis, com um assistencialismo social, fundou uma espécie de ONG para ajudar os pobres e maltrapilhos. Sem dúvida, ele ajudou os mais necessitados, mas a sua primeira forma de dar assistência a eles era iluminá-los com o Evangelho e com seu amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3), ou seja, somente vivendo a pobreza como um desprendimento desse mundo é que teremos Deus reinando em nossos corações. 

Eis a pobreza franciscana, a qual é o segredo da grande riqueza e o verdadeiro significado da parábola que nos diz: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido” (Mt 13, 44). São Francisco fez essa experiência e descobriu o bem mais precioso possível: o amor de Jesus. Por isso, ele entregou tudo alegremente, a fim de ter Cristo plenamente em sua santa alma. 

Que São Francisco de Assis, o homem da perfeita alegria, inspire-nos a almejar também um coração seráfico como o dele, ardente de devoção e amor por Nosso Senhor. “Caritas Christi urget nos”, “A caridade de Cristo nos impele” (2 Cor 5, 14).

O que achou desse conteúdo?

Mais recentes
Mais antigos
Texto do episódio
Comentários dos alunos