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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8, 19-21)

Naquele tempo, a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão. Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática”.

A Mãe e os irmãos de Jesus (cf. Mt 12, 46-50; Mc 3, 31-35; Lc 8, 19ss). — Mateus e Marcos mencionam este breve episódio no mesmo ponto da vida pública, ao passo que Lucas o situa logo após a parábola do semeador. São oportunas, todavia, ambas as ocasiões. Não se sabe, em todo o caso, ao menos se admitimos a ordem seguida por Mateus e Marcos, se os irmãos do Senhor dos quais aqui se fala são os mesmos que, em Mc 3, 21, tencionavam reter o Senhor. Poder-se-ia admitir como mais verossímil a identidade entre uns e outros, não fosse o caso de os primeiros virem acompanhados da Virgem SS., enquanto os segundos foram ao encalço de Cristo por julgá-lo “fora de si”. De fato, seria indigno da Mãe de Deus estar envolvida, mesmo que só de corpo presente, nessas tentativas imprudentes. Logo, uma vez que a razão de terem vindo os parentes de Cristo para falar-lhe não nos é revelada, devemos confessar nossa ignorância; mas, ao mesmo tempo, afirmar como certo que, se a Mãe de Jesus estava entre eles, a razão só poderia ser boa e piedosa. — Ora, como, estando Jesus ainda a falar, alguém do meio do povo lhe disse (com que intenção, não se pode inferi-lo do Evangelho): Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, respondeu o Senhor com a mão estendida para os discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai […], esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Duas coisas, portanto, nos ensina Cristo com essas palavras: a) que a pregação não deve ser condicionada nem, muito menos, interrompida por motivos de sangue e b) que do Evangelho, isto é, da santa fé católica surge uma nova forma de parentesco, mais espiritual e, por isso mesmo, mais profunda e duradoura [1].

Essas palavras que nos refere hoje o Evangelho não significam, pois, que Jesus despreze ou faça pouco caso de sua Mãe. Ao contrário, contêm o maior elogio que a Maria se pode fazer, pois ninguém, depois de Cristo, cumpriu de maneira tão perfeita a Palavra de Deus como ela. Com isto, Jesus nos quis dizer duas coisas: a) que em seu ministério público como Messias não depende dos laços de sangue, mas somente da vontade de seu Pai celeste, b) e que o parentesco mais profundo e verdadeiro com Ele se estabelece pelos vínculos da graça divina, muito mais do que pelos vínculos da carne. Nesse sentido, pode-se dizer que Maria era mais parente de Jesus pela plenitude imensa de graça que a fazia tão agradável a Deus do que pelo fato de O ter concebido em suas entranhas virginais e dado à luz em Belém. Encontramos essa mesma doutrina na resposta que, em situação muito parecida, dá Jesus ao grito entusiasmado de uma mulher do povo: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram! (Lc 11, 27). Ao dizer, com efeito, que são mais bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam (Lc 11, 28), o Senhor não nega o elogio feito à sua Mãe SS., mas dele se aproveita para ensinar que os vínculos sobrenaturais que estabelece a graça divina em quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática são, em si mesmos, mais valiosos e profundos que os vínculos estabelecidos pelo parentesco natural ou de sangue. Ora, a Virgem SS. possui em grau superlativo esses dois vínculos: ela é, por um lado, Mãe na ordem natural, por ter concebido a Cristo em seu puríssimo seio e, por outro, cheia de graça na ordem sobrenatural. Por isso, não só tinha a razão a mulher que gritou: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, senão que Jesus mesmo o confirma, acrescentando que Maria, além de bendita por ser Mãe, é mais bem-aventurada,por ser a primeira entre os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática [2].

Referências

  1. Tradução levemente adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 345, n. 236.
  2. Tradução levemente adaptada de Antonio Royo Marín, La Virgen María. 2.ª ed., Madrid: BAC, 1997, pp. 29-30, n. 21.
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