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566. Obediência de coração

Todas as práticas de penitência, bem como os demais exercícios de caridade e ascese que de algum modo nos levam à santidade, devem ser feitas diante dos olhos de Deus no segredo do nosso coração.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
6, 1-6.16-18)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.

Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.

Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.

Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade, vos digo: Eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa".

Hoje, memória de São Luís Gonzaga, o Senhor nos apresenta no Evangelho as três obras quaresmais — jejum, esmola e oração —, ao mesmo tempo que nos alerta para não praticarmos a nossa "justiça na frente dos homens". Ora, todas as práticas de penitência, bem como os demais exercícios de caridade e ascese que de algum modo nos levam à santidade, devem ser feitas diante dos olhos de Deus no segredo do nosso coração. O amor que nos move a realizar todas essas obras tem, pois, de ser verdadeiro e sincero; não pode ser como o dos hipócritas, que sob a máscara de uma aparente "justiça" fazem o bem só para serem vistos pelos outros. Que a nossa conduta não nos mereça ouvir de Cristo no dia do Juízo: "Esse povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto seu coração está longe de mim e o temor que ele me testemunha é convencional e rotineiro" (Is 29, 13; cf. Mt 15, 7s). Que a nossa religião não se reduza a um mero cumprimento de regras, ritos e preceitos, mas seja, pelo contrário, um caminhão para amarmos efetivamente a Deus, de todo o coração, com toda sinceridade, com reta intenção e filial obediência às suas ordens. Que a fome do nosso jejum, a entrega da nossa esmola e as palavras da nossa oração, enfim, não se tornem para nós, por falta de amor, causa de repreensão e condenação, mas verdadeira ocasião de amar e louvar o Pai.

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