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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14, 15-21)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

Meditação. — 1. No Evangelho deste 6.º Domingo da Páscoa, ao prometer aos Apóstolos a vinda do Espírito Santo, Jesus também os ensina a amar e a crescer no amor. Para compreender esse ensinamento, precisamos antes refletir sobre o que é o amor e como ele se concretiza em nossas vidas.

A característica fundamental do amor é o seu aspecto unitivo: se amamos uma coisa ou pessoa, queremos estar junto dela. Esse aspecto unitivo é inclusive objetivo do amor. Foi por querer se unir a nós na eternidade que Deus se encarnou, assumiu a condição humana e viveu a nossa vida, submetendo-se inclusive à humilhação de morrer crucificado. Essa união proporcionada pelo amor não é apenas uma união física, mas sim espiritual, sendo muito mais profunda e consistente.

Sabemos pela Sagrada Escritura que Deus, em si mesmo, é amor (cf. 1Jo 4, 8). Inicialmente, porém, a humanidade não tinha conhecimento disso, e Deus, então, revelou essa verdade, pois o primeiro passo de quem ama é se dar a conhecer. 

Assim, Ele começou esse processo de se dar a conhecer chamando Abraão, em Ur dos caldeus, cerca de 2.000 a.C., a fim de formar o seu povo, Israel. Povo este que se espalhou pelo mundo ao longo da história de tal modo que, quando Jesus se encarnou, os judeus constituíam cerca de 10% da população do Império Romano. Ou seja, Deus preparou lenta e gradualmente a sua Revelação, formando um povo para receber o seu Filho encarnado, embora muitos o tenham rejeitado.

Deus preparou longamente os judeus, a fim de que dessem o primeiro passo do amor, que é conhecer a Verdade, o próprio Cristo, e, posteriormente, recebessem a graça do Espírito Santo — chamado, no Evangelho de hoje, de “Espírito da Verdade” (Πνεῦμα τῆς ἀληθείας) —, por meio da qual se tornariam capazes de amar.

Porém, não basta apenas conhecer, também é preciso conquistar a pessoa amada, fazendo aquilo que lhe agrada. Por isso, no início do Evangelho deste domingo, Jesus nos pede para observar os seus preceitos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”.

Além de conhecer o Amado e observar seus mandamentos, é necessário tomar a decisão fundamental de entregar-se a Ele, buscando uma profunda união com Deus pela ação do Espírito Santo. Quando isso ocorrer, faremos parte de uma união íntima e sobrenatural, da qual nos fala o próprio Cristo: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 20). Assim se realizarão as núpcias do Cordeiro, em que Jesus se une à Igreja, sua esposa, e entrega-se por inteiro a ela, no leito da Cruz: “Isto é o meu corpo que é dado por vós” (Lc 22, 19).

2. Mas tal união só será possível se recebermos a graça do Espírito Santo que opera em nós uma transformação interior. De egoístas, covardes e presunçosos, Ele nos transforma em homens e mulheres generosos, corajosos e humildes que se dispõem a amar sem reservas.

Essa ação do Espírito Santo, explica-a Nosso Senhor no Evangelho de hoje: “...o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós”. Aqui, vemos que, diferentemente do mundo, os Apóstolos conhecem o Espírito Santo, pois no momento em que Jesus lhes fala, na Santa Ceia, o Paráclito permanece junto deles (παρ’ ὑμῖν), no sentido de que está no entorno, “preparando o terreno”, para o dia em que estará dentro deles (ἐν ὑμῖν), transformando seus corações e consolidando a união com o divino Esposo. Tal união ocorrerá em Pentecostes, quando os Apóstolos, antes amedrontados e perturbados, sob ação do Espírito Santo serão capazes de entregar suas vidas por Cristo.

Esse é o movimento unitivo e gradual que o amor realiza em nós: primeiro, conhecemos; depois, queremos agradar o Amado estando em sintonia com Ele; e, por fim, decidimos “pagar o preço” do amor entregando a vida, justamente porque percebemos que não conseguimos viver sem Aquele que amamos.

Jesus Cristo, o amor feito carne, realizou o ato supremo de amor morrendo por nós na Cruz. Seu sacrifício é um eloquente chamado para que correspondamos ao seu amor entregando-nos também a Ele. Sozinhos, porém, não somos capazes de tal entrega, precisamos da ação do Espírito Santo.

Impelidos pelo Paráclito, os mártires amaram a Deus a ponto de renunciar à própria vida. Sob a mesma ação, os santos, cada um a seu modo, uniram-se tão profundamente a Cristo que chegaram à conclusão de que era impossível viver sem Ele, como nos diz São Paulo: “Vivo, mas não eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Quem ama já não sabe mais viver sem o Amado. É isso que o Espírito Santo quer fazer em nós, se para isso nos dispusermos: conhecendo a Deus, seguindo seus mandamentos e entregando nossa vida a Ele. Que o Cristo Senhor nos dê o Espírito Santo para correspondermos ao seu amor e nos unirmos intimamente a Ele: per ipsum, et cum ipso, et in ipso.

Oração.Senhor Jesus Cristo, Vós que nos ensinastes a amar sem reservas, enviai sobre nós o Espírito Santo, para que, transformados interiormente, possamos corresponder ao vosso amor e alcançar desde já uma profunda união convosco. Amém.

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