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Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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Quem amar e quem temer?

Todo cristão, mais cedo ou mais tarde, terá de escolher entre a cruz e a apostasia. É a condição inevitável de quem ousar dar testemunho público de Nosso Senhor, cujo amor incondicional nos leva a nada temer, a não ser a perda do Céu.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 26–33)

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!

Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

Meditação. — 1. Depois de escolher seus discípulos, Jesus os instrui acerca dos perigos que terão de enfrentar para anunciar o Evangelho aos homens. “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo”, adverte-os o Senhor, mas “temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno”. Cristo sabe que o destino de seus Apóstolos (bem como de toda a Igreja) não será diferente do seu; Ele os envia “como ovelhas no meio dos lobos” e, por isso, previne-os contra a ameaça da deserção, fortalecendo cada um com a promessa da vida eterna.

O ensinamento de Nosso Senhor, no evangelho deste domingo, diz respeito à ordem de nossos amores. Quanto mais amamos algo, mais tememos perdê-lo. Em razão disso, podemos falar de uma verdadeira hierarquia de amores, pela qual definimos nossas escolhas morais, afetivas e espirituais. Se diante de um assalto, por exemplo, somos obrigados a escolher entre a vida e a carteira, deixamos esta por aquela, pois a vida tem, naturalmente, um valor muito superior a qualquer objeto material.

Pois bem, Jesus mostra aos Apóstolos que, diante das ameaças à vida biológica, há um bem maior que é a vida eterna. O amor a esta vida, portanto, não pode pôr em risco a salvação das almas, mas deve estar ordenado justamente à eternidade. E deve ser assim porque, mais cedo ou mais tarde, todo cristão terá de escolher entre a cruz e a apostasia, dada a aversão do mundo às coisas de Deus. Inevitavelmente, o mundo odiará quem for fiel aos Mandamentos, ainda que esse cristão seja a personalidade mais carismática da vizinhança. Porque “a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3, 19).

Amar ou não a Deus é uma escolha que o próprio Senhor nos concedeu com o livre-arbítrio. A prática do primeiro mandamento, nesse sentido, consiste numa decisão pela qual aceitamos perder tudo neste mundo, inclusive a vida biológica, para conquistarmos a eternidade.

2. Jesus ensina, por outro lado, que a nossa caminhada cristã nunca é solitária. Aqueles que buscam conservar as palavras de Deus são protegidos pela divina Providência e, consequentemente, não precisam temer a ninguém. “Não tenhais medo”, exorta-nos Jesus, porque “vós valeis mais do que muitos pardais”. Ele nos ama incondicionalmente ainda que nos achemos as criaturas mais vis e miseráveis da face da terra. Sendo assim, para ordenarmos nossos amores, precisamos crer no amor de Deus, muito mais do que senti-lo. E com essa poderemos corresponder a Ele através de uma vida mais preocupada em preservar a graça do que a matéria.

A quem, então, iremos temer? Cristo prometeu: a “todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus”. Quando, pois, soar a última trombeta e os mortos ressuscitarem, devemos nos tranquilizar pela certeza de que Ele estará ao nosso lado, uma vez que, em nossas vidas, tivemos a coragem de nada antepor a Cristo (Christo nihil praeponere).

Oração. — Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

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