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Quem crê ouve a voz do Pastor

Deus, falando-nos à alma, inspira nossa vontade e ilumina nossa inteligência para ouvirmos docilmente a sua palavra. É por isso que quem crê se assemelha a uma ovelha, que identifica e escuta sem erro a voz do pastor: “As minhas ovelhas escutam a minha voz”.

Texto do episódio
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 10, 22-30)

Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um”.

Continuamos hoje a leitura do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus se apresenta como o Bom Pastor. No entanto, o contexto agora é diferente: Ele está no Templo, durante a festa da Dedicação, e ali é colocado diante de uma exigência por parte dos judeus: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se Tu és o Messias, dize-nos abertamente”. Trata-se de uma pergunta clara, que pede uma resposta igualmente direta.

De fato, Jesus responde com objetividade e, ainda, apresenta as provas: “As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim” (Jo 10, 25). Ou seja, seus milagres, suas ações e tudo aquilo que realiza manifesta sua identidade. Contudo, apesar dessas evidências, eles continuam sem crer. E Cristo explica o motivo: “Vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas” (Jo 10, 26).

Aqui, somos colocados diante de uma realidade profunda sobre a fé. Os judeus viram os milagres de Jesus, presenciaram suas obras, mas isso não foi suficiente para que cressem. Isso fica ainda mais evidente quando olhamos para o que acontece no capítulo seguinte: a ressurreição de Lázaro. Eles viram Lázaro morrer, viram-no ser sepultado, e depois testemunharam Nosso Senhor trazê-lo de volta à vida. Ainda assim, em vez de crerem, eles decidiram matar Lázaro, ou seja, eliminar a principal prova, mostrando que não há milagre neste mundo capaz de fazer nascer a fé em um coração que não quer crer.

Podemos observar também neste Evangelho que Nosso Senhor não se limita a responder se é ou não o Messias: Ele vai além. A palavra “Messias” significa o “Ungido” — em grego, “Christos” —, aquele que foi consagrado por Deus e prometido no Antigo Testamento. Ao ser questionado, Jesus confirma essa identidade, mas revela algo muito mais profundo: Ele não é somente o Messias esperado, Ele é o próprio Deus que se fez homem. Isso fica claro na seguinte afirmação: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30). No original grego, essa unidade expressa uma só realidade, indicando que Cristo se apresenta como verdadeiro Deus.

Diante disso, é importante compreender que a fé não nasce simplesmente das provas externas. Os milagres têm seu valor — caso contrário, Jesus não os teria realizado —, mas eles são sinais que apenas apontam para algo maior; uma ajuda externa para que possamos perceber a ação interior de Deus. A fé verdadeira nasce, pois, quando a ação divina toca o nosso coração por dentro.

Por esse motivo, Jesus usa a imagem das ovelhas: “As minhas ovelhas escutam a minha voz” (Jo 10, 27). Aqueles que têm fé reconhecem a voz de Cristo, mas não basta apenas ouvir a Palavra ou ver sinais: é preciso perceber, no mais íntimo da alma, que é Ele quem fala, fazendo um reconhecimento interior: “É Ele”. E, ao reconhecer essa voz, a ovelha segue o Pastor, não se deixando enganar por outras vozes.

Assim, a fé que professamos não é algo superficial ou baseado apenas em evidências externas, mas a fé da Igreja ao longo de dois mil anos: a Verdade eterna que Deus quer comunicar a cada um de nós. Aquilo que agora cremos pela fé, um dia contemplaremos plenamente. Hoje, ouvimos a voz do Pastor; no Céu, iremos vê-lo face a face — e então tudo irá se cumprir.

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