CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
PropagandaPropaganda

Confira a história em quadrinhos de Nossa Senhora de Fátima!

Texto do episódio
80

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18,21-35)

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.

O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.

É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

Neste domingo, vamos celebrar o 24.º Domingo do Tempo Comum, e a Igreja proclama o Evangelho de São Mateus, capítulo 18, versículo 21 a 35. Esse Evangelho é um grande comentário de Jesus àquela frase do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Jesus está ensinando aos seus Apóstolos como deve se comportar um cristão na Igreja. É o famoso Discurso Eclesiástico de Jesus, ou seja, um discurso em que Nosso Senhor ensina a Igreja a ser Igreja.

Para isso, Ele fala do perdão, porque, claro, se existe alguma coisa que nos impede de ser plenamente Igreja, é o pecado. O pecado nos separa de Deus, por isso precisamos nos livrar desse impedimento, que impossibilita nossa união com o Corpo de Cristo em plenitude, isto é, com o amor de Cristo que nos une.

Quantas e quantas vezes nós dizemos na Santa Missa: “O amor de Cristo nos uniu”. Mas, para isso, precisamos de fato estar unidos a Cristo, permanecendo longe do pecado. O que só acontece se recorrermos frequentemente ao perdão de Deus: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

O Evangelho narra o seguinte fato: São Pedro vai até Jesus e pergunta quantas vezes nós precisamos perdoar: “Até sete vezes?”. Jesus diz: “Até setenta vezes sete”. Com isso, Jesus diz que o perdão de Deus é ilimitado. Jesus conta aquela parábola em que um empregado tinha uma dívida imensa, uma dívida impagável, com o seu patrão.

O patrão pede que ele preste contas; ele se arrepende, pede perdão e suplica; o patrão perdoa, mas logo em seguida o empregado, sem nenhuma compaixão, ingrato, sem se lembrar do grande perdão que recebeu do patrão, pega um colega pela garganta, começa a sufocá-lo cruelmente e o obriga a pagar aquilo que era uma pequena dívida; então, diante dessa ingratidão, o patrão, indignado, manda entregar esse empregado aos torturadores e o pune. Essa é a parábola deste domingo.

O que Jesus está querendo nos ensinar? Ele quer nos ensinar que nós, para realmente recebermos o perdão de Deus, temos de transformar o nosso coração também e perdoar ao nosso irmão: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Mas, antes de tudo, é preciso entender que existe no mundo atual um grande impedimento, uma grande dificuldade, para as pessoas receberem o perdão de Deus e darem o perdão aos outros.

Nós não conseguimos viver esse Evangelho, sendo perdoados por Deus e perdoando aos outros, porque, no mundo atual, surgiu uma ideologia, uma farsa de perdão, uma contrafação, um perdão falsificado que tomou conta da nossa cultura e nos impede de viver o verdadeiro perdão. 

Que falso perdão é esse? É aquilo que chamamos de “tolerância”. Ao contrário do que alguns pensam, tolerância não é perdão; tolerância é a brincadeirinha de dizer que “não é pecado”, que “não é problema”, que você simplesmente tem de “aceitar o outro como ele é”. Não existe verdadeiro perdão.

Para entender por que isso é um falso perdão e um falso remédio, façamos a seguinte comparação. Imagine que você tem uma doença muito grave, um câncer, por exemplo. Você vai ao médico, o médico faz o diagnóstico, e só o fato de receber esse diagnóstico já é uma coisa bastante sofrida.

O médico, então, diz: “Mas não se desespere. O seu câncer tem cura; ele ainda está num estágio que nós podemos curar. Mas a cura vai ser bastante trabalhosa. A primeira coisa será fazermos uma cirurgia. Depois dessa cirurgia, você vai precisar de quimioterapia; depois, radioterapia; depois, quando terminar todo esse processo, longo, doloroso e difícil, você vai precisar de fisioterapia até recuperar seus movimentos, para novamente conseguir viver a sua vida normal. Portanto, vai ser um longo processo. Será doloroso e difícil; mas não se preocupe: a cura é possível, e você poderá viver longos anos”. 

Você fica chocado tanto com o diagnóstico quanto com a terapia dolorosa. Por isso, acaba procurando uma segunda opinião, um outro médico; e esse médico — que é um charlatão, um falso médico —, ao invés de dizer com clareza o que você tem, começa a enrolar: “Não. Você não precisa de nada disso. É só um mal-estar, mas não é câncer coisa nenhuma. Basta tomar esta pílula aqui e tudo passará”. Ele não o diz, mas a pílula é morfina, que ele está dando para que desapareçam as dores.

Você vai para casa contente e feliz da vida, porque não vai precisar mais se submeter àquele tratamento: cirurgia, quimioterapia, radioterapia e fisioterapia. Ainda pensa aliviado: “Nossa, esse médico é o salvador”. Contudo, você não percebe que o médico livrou você do sintoma, mas não da doença.

Essa é a diferença entre a tolerância e o perdão.

A tolerância é a “cura” realizada por um médico charlatão. Nós, seres humanos, pecadores, egoístas e sem-vergonhas, cometemos grandes e numerosos pecados, e reconhecer isso é doloroso. O diagnóstico é doloroso.

Você recebe a notícia e fica chocado: “Poxa vida! Eu sou tão mau assim? Eu sou tão egoísta assim? Misericórdia! E agora o que eu faço?”

O verdadeiro médico vai dizer a você: “Você tem uma doença terrível, mas ela tem cura, e a terapia é aplicar na vida os méritos da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Você precisa ser lavado pelo Sangue de Jesus. Você precisa fazer penitência e rezar, precisa receber a graça de Deus e transformar o seu coração de egoísta num coração que ama, que se esquece de si e que vive agora para amar a Deus no irmão. Mas você precisa passar por um processo de transformação”.

Ele continua: “Existem vários estágios, mas o caminho é um só: é um caminho doloroso, porque você vai ter de matar o homem velho, a doença chamada egoísmo, que está dentro de você. Vamos precisar fazer uma cirurgia: vamos precisar cortar completamente o seu relacionamento com o pecado e com as más companhias; vamos ter de fazer quimioterapia: você vai ter de refletir sobre a Palavra de Deus; vamos ter de fazer radioterapia: você vai ter de comungar direito depois de uma boa Confissão; vamos ter de fazer fisioterapia: você vai precisar ter virtudes e aprender a andar novamente, agora no amor, com Deus. É um longo processo. É um desafio, mas você nasceu para amar. Você não nasceu para rastejar como as serpentes, mas para voar como as águias”.

É isso, em resumo, o que o bom médico diz: “Deixe a vida de pecado, largue as correntes e voe! É difícil, sim; quem está aprendendo a amar às vezes cai. Mas não desanime! Bata a poeira, levante-se e siga em frente! Você foi feito para amar”.

Essa é a cura do cristianismo, essa é a cura de Jesus, essa é a cura do perdão dos pecados: “Perdoai as nossas ofensas”. Você precisará passar por um longo processo de mudança de coração até ser capaz de perdoar “a quem nos tem ofendido”.

Mas quem não quer passar por isso procura desculpas. Infelizmente, de médico charlatão o mundo está cheio. É fácil encontrar um charlatão que diga: “Não, isso é muito radical. Tome essa pilulazinha aqui, chama-se tolerância. Não existe pecado; é tudo brincadeira de criança”.

Dessa forma, nós adaptamos o cristianismo à nossa comodidade burguesa, e ainda por cima achamos que os verdadeiros cristãos, ou seja, os que seguem o verdadeiro Médico são uns “radicais” e “fanáticos”, e assim nos contentamos com a nossa mediocridade.

O Papa Pio XII, em 1946, numa radiomensagem dirigida em inglês a um congresso nacional de catequese que houve em Boston, nos Estados Unidos, disse uma frase que ficou bastante famosa: “Perhaps the greatest sin in the world today is that men have begun to lose the sense of sin”, — “Talvez o maior pecado no mundo hoje em dia é terem os homens perdido a noção de pecado”.

Hoje em dia, o único pecado é ser intolerante; é lembrar às pessoas que o pecado existe, que o inferno existe; é ser um fanático, um “terrorista espiritual”, um “torturador de consciências”. 

Pio XII disse, nessa mesma radiomensagem, que conhecer Jesus crucificado é conhecer o amor infinito de Deus pelo homem; em seguida, citou três versículos de São João e conclui dizendo: “Conhecer Jesus crucificado é conhecer o horror que Deus tem pelo pecado. A culpa do pecado só pôde ser lavada com o Precioso Sangue do seu Filho único, que se fez homem”. 

Ou seja, o Filho unigênito de Deus se fez homem, veio a este mundo para nos livrar do pecado. Ora, para entender a gravidade da doença basta olhar para a terapia. Se você vai ao médico e ele prescreve uma pílula, você diz: “Ah, eu não tenho nada”; mas, se você vai ao médico e ele diz que você tem de se submeter a um tratamento com cirurgia, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia, você já sabe: “A doença é grave”. Pelo tamanho da terapia se vê a gravidade da doença.

Pois bem, se o único remédio que Deus encontrou para perdoar os nossos pecados foi enviar o seu Filho ao mundo para sofrer nossa miséria; se o único remédio que Deus Todo-poderoso encontrou para nos salvar e nos dar o perdão foi entregar o seu Filho à morte na Cruz, então o perdão não é uma trivialidade, o pecado não é uma bobagem. O pecado é a única tragédia, é a única verdadeira miséria, porque é a única realidade que pode nos afastar da vida eterna junto de Deus.

Se amanhã estourasse a Terceira Guerra Mundial e o planeta Terra fosse destruído, isso seria uma trivialidade comparado à gravidade do pecado. Acabar com esta vida é uma trivialidade diante do fato de que nós, com o pecado, acabamos com a vida eterna. Esta vida acabará, cedo ou tarde, enquanto a vida eterna irá durar para sempre.

O verdadeiro drama é que, com o pecado, nós nunca veremos a Deus face a face; com o pecado, nós perderemos a única vida que merece o nome de vida, a vida eterna. Esta vida é efêmera: de manhã ela brota, de tarde já secou. 

O Papa, hoje Servo de Deus, Pio XII diz: “Conhecer Jesus crucificado é conhecer o horror que Deus tem do pecado”. É exatamente porque não enxergamos mais a grande ofensa que é o pecado, a tragédia que é Cristo morrer na Cruz, que nós, homens modernos, perdemos o sentido do pecado. Desse modo, a frase de Pio XII ficou ainda mais profunda e adquiriu um novo sentido: o pecado se tornou uma trivialidade. 

Mas o pecado não é uma trivialidade! O servo ingrato da parábola de hoje peca exatamente por pensar isso: ele foi perdoado de uma fortuna, mas não quis perdoar um valor irrisório. A parábola nos diz que a dívida dele era impagável, incomensurável. Para se ter uma ideia, o texto grego original diz que o empregado devia uma miríade de talentos, um montante incalculável. Por quê? Porque um talento são 30 kg de ouro! Ora, 30 kg de ouro são cerca de 4 milhões de reais! E ele devia uma miríade de 4 milhões de reais, quer dizer: devia vários bilhões para o patrão! Mesmo assim, ele não quis perdoar a dívida a quem lhe devia 100 denários. Ora, um denário era o salário por um dia de trabalho. Então, convertendo a dívida para a nossa realidade seria cerca de 3 mil reais.

Qual é o problema do empregado da parábola? É achar que o perdão do patrão é uma trivialidade: “Ah, não foi nada. Não custou nada ao patrão perdoar-me quarenta bilhões de reais”. Ou seja: ele perdeu a noção do que é o pecado. Ora, o perdão dos pecados custou o Sangue de Cristo, que é muito mais do que quarenta bilhões de reais! Você acha que vai resolver o problema simplesmente dizendo que não era pecado? Existe algo de muito errado com esta “sociedade da tolerância”.

Façamos, pois, o nosso tratamento! Recorramos à cirurgia, à quimioterapia, à radioterapia, à fisioterapia. A doença é grave, por isso não engane a si mesmo, tomando uma pilulazinha analgésica que vai tirar as sensações de dor e de culpa. Essas sensações são um alerta do seu organismo espiritual, dizendo que precisa mudar de vida, cortar algum membro podre, fazer uma cirurgia, realizar a quimioterapia e matar o resto das células cancerosas espalhadas pelo corpo. 

Aprenda a andar de novo, livre do egoísmo. Você não foi feito para rastejar como as serpentes, embora seja essa a moda hoje em dia; você foi feito para voar como as águias, isto é, para amar e ser um grande santo!

COMENTÁRIO EXEGÉTICO

Ocasião (v. 21s). — Pedro, ao ouvir sobre a correção e o perdão do próximo (cf. Lc 17,3), pergunta a Jesus quantas vezes se há de perdoar ao irmão, i.e., a um membro da Igreja pecador: Até sete vezes? Propõe ele o número septenário presumindo, talvez, fazer grande coisa, se perdoar as injúrias sete vezes. Jesus respondeu: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete, i.e., segundo alguns, até 700 × 7 ou, segundo outros, até 490 vezes, duas leituras compatíveis com o texto tanto grego quanto latino (gr. ἕως ἑβδομηκοντάκις ἑπτά; lt. usque septuagies septies). Seja como for, todos o interpretam como número indefinido. De acordo com Maldonado, Pedro fez esta pergunta por ocasião do que Jesus dissera antes, segundo o texto de Lc Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te . . . lhe perdoarás (17,4); mas outros consideram as palavras de Lc simples resumo da resposta de Cristo à interrogação de Pedro.

Imagem (v. 23s). — Um rei decidiu pedir aos servos contas de sua administração, e trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna, a saber, dez mil talentos (o equivalente a 60.000.000 de denários). Cristo utiliza essa soma ingente a fim de inculcar sua doutrina espiritual com mais facilidade no ânimo dos fiéis. — Como o devedor fosse totalmente incapaz de solver o débito, o rei os mandou vender a ele, sua esposa e filhos, para que, pelo preço da família, se compensasse ao menos parte da dívida. — Que houvesse entre os antigos esse costume, atestam-no as Escrituras (e.g., 2Rs 4,1; Ex 22,3; Lv 25,39.47) e autores profanos (e.g., Tito Lívio, Ab Urbe, 2.2.23; Tácito, Annal., 3.60).

V. 26s. O servo, aterrorizado com a ameaça, implora ao credor que difira a execução da pena. Comovido com as preces do devedor, o rei não apenas diferiu a pena como lhe perdoou por completo a dívida.

V. 28ss. Ao sair dali, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou pelo pescoço e começou a sufocá-lo, dizendo: Paga o que me deves. O companheiro lhe rogou, com as mesmas palavras com que ele mesmo havia implorado ao rei, que tivesse paciência e lhe desse um prazo para pagar a dívida; o servo, porém, não quis saber disso, i.e., não deu ouvidos às preces do companheiro, mas saiu dali, foi a um juiz e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

VV. 31-34. Tendo chegado a notícia aos ouvidos do rei, o servo inclemente foi duramente repreendido e entregue aos torturadores, até que pagasse quanto devia. De fato, entre os orientais os endividados eram submetidos a torturas, para que, se tivessem escondido algum dinheiro, o revelassem à força, ou para que os amigos, por compaixão, entregassem por eles a soma devida. Em todo caso, alguns autores entendem este ponto, não como parte da imagem, mas como referência às penas do inferno.

Doutrina espiritual (v. 35). — São principalmente duas as coisas que nesta parábola nos põe Jesus diante dos olhos: a) as dívidas que temos para com Deus são infinitamente maiores do que as que têm os homens para conosco, b) e Deus não nos perdoará nunca as nossas dívidas, se não perdoarmos as que nos devem os outros. A mesma doutrina aparece na oração dominical (Mt 6,12; Lc 11,4). “Terrível sentença que, conforme forem as nossas disposições, mude e se altere a de Deus. Se não perdoramos o pouco que nos devem os irmãos, não nos perdoará Deus o muito que lhe devemos a ele” (São Jerônimo, in Matth., 3.12,35: ML 23,133C). — Contudo, desta parábola não se pode concluir, como o fizeram autores antigos, que os pecados já perdoados, se forem cometidos outros, deixam de sê-lo, pois Deus não se arrepende de seus dons.

Reflexão. Por que se devem perdoar as injúrias? 1. Por causa de Deus, (a) que nos dá, por sua misericórdia, o primeiro exemplo de perdão; (b) porque já nos perdoou muitas vezes; (c) porque assim o manda Cristo como especial preceito. — 2. Por causa do próximo, (a) porque sua ofensa, embora grave, é sempre inferior às que fazemos contra Deus; (b) porque sua ofensa procede menos do próximo que α. do peso lamentável de seus pecados, β. das tentações do diabo e, materialmente, γ. de Deus, que às vezes permite sermos ofendidos para nos corrigir e exercitar na virtude. — A quem se deve perdoar? A todos, sem restrição; mas de modo especial aos irmãos, i.e., aos que são conosco membros do mesmo Corpo e filhos da mesma Igreja [1].

Referências

  1. O texto desta homilia é uma tradução adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 413-414, n. 288.

O que achou desse conteúdo?

8
0
Mais recentes
Mais antigos
Texto do episódio
Comentários dos alunos