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Na história da Igreja, muitas mulheres, inspiradas pelo Espírito Santo, adotaram almas — almas, sobretudo, sacerdotais —, e por elas ofereceram orações e sacrifícios. Trata-se de um relacionamento espiritual, cuja fonte procede diretamente da missão de Jesus e Maria no Calvário.

Na cruz, Jesus ofereceu o sacrifício mais perfeito para a redenção do gênero humano: sacrifício de adoração, ação de graças, reparação e intercessão. Com essa entrega, Cristo realizou, por um lado, um ato de justiça, dando a Deus o amor que Ele merece e que nenhum ser humano, em virtude do pecado original, poderia oferecer; e, por outro, um ato de misericórdia, apagando as nossas ofensas com o Seu sangue redentor, de sorte que “o dia da vingança e o ano da misericórdia coincidem no mistério pascal, no Cristo morto e ressuscitado” (Cardeal Joseph Ratzinger, Homilia pro eligendo pontifice, 18 de abril de 2005).

O Evangelho de São João ressalta ainda a presença de Nossa Senhora no local da crucifixão. A participação de Maria no mistério da paixão foi plenamente espiritual. Convencida pela graça de que a morte de Seu filho serviria aos propósitos divinos na economia da salvação, Nossa Senhora não vacilou um segundo e, por Cristo, apresentou a Deus o sacrifício da fé. Esse sacrifício só podia ser oferecido por alguém como Maria, pois Jesus, sendo Deus encarnado, não tinha fé; Ele via Deus face a face. Maria, por sua vez, confiou heroicamente na profecia de Simeão e, diante da morte de Jesus, aceitou ter a sua alma imaculada trespassada por uma espada de dor (cf. Lc 2, 35).

São João também estava presente no Gólgota. Antes de morrer, Jesus o consagrou aos cuidados da Virgem Santíssima como indicativo da necessidade de Nossa Senhora para toda a Igreja, mormente para o ministério sacerdotal. De fato, Jesus não só instituiu o sacerdócio na Quinta-Feira Santa, mas, do alto do madeiro, providenciou uma maternidade espiritual para os seus sacerdotes, a fim de que não fossem gerados pelo sangue, nem nascessem “da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1, 13). A intercessão de Maria é, pois, indispensável para o merecimento de graças e benefícios diante de Deus, pois não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora” (Papa Bento XVI, Homilia na canonização de Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, 11 de maio de 2007, n. 5).

A maternidade espiritual que muitas mulheres exercem na Igreja, hoje, só se explica a partir do Calvário. Elas, com suas orações e penitências, auxiliam os sacerdotes a viverem o ministério ordenado como vítimas de amor a Deus. Todo sacerdote precisa também ser vítima, a fim de que sua vocação não se torne uma figueira estéril. Essa é uma dimensão tão importante que o venerável arcebispo Fulton Sheen viu-se obrigado a escrever um livro sobre a vida de Cristo apenas para evidenciar o caráter oblativo da Sua missão. Anos mais tarde, ele repetiria a mesma fórmula em outro livro para elucidar a necessidade do sacrifício na formação sacerdotal. Fulton Sheen reconhecia que, nos seus anos de seminário, ninguém o havia preparado para ser vítima.

Existe uma lei espiritual que vale para todos: quem medita sobre o sacrifício de Jesus e percebe que todo o sofrimento da cruz foi pessoalmente dedicado para a sua salvação, deseja, por gratidão, retribuir esse amor a Deus. Essa é a chave para o progresso na santidade. Os padres que, repetindo a mesma entrega de Cristo, manifestarem aos outros um amor incondicional, não só darão passos largos para a perfeição cristã como levarão consigo uma plêiade de fiéis. No apostolado, no atendimento, nas obras de caridade e, objetivamente, na Missa, o padre oferece um sacrifício de adoração, intercessão e reparação. O seu hábito negro, a batina, representa aquilo que Padre Paulo Ricardo sempre repete a todos os seminaristas: “O padre não é um homem, é o sacrifício de um homem”.

Com efeito, os sacerdotes precisam estar cientes de que o seu ofício consiste numa batalha espiritual, porque “o servo não é maior que o seu senhor”. “Se me perseguiram a mim”, advertiu Jesus, “também perseguirão a vós” (Jo  15, 18-21). Não admira que os meios de comunicação, as seitas secretas, as universidades e os partidos políticos ataquem tanto o sacerdócio. Como em uma guerra, os padres são os portas-bandeiras que guiam os soldados. Se ele é ferido, toda a tropa se dispersa. E isso é muito visível numa paróquia cujo pároco não tem uma vida espiritual adequada. Todo o corpo eclesial padece.

Na verdade, a oração das mães espirituais serve para proteger os sacerdotes do ataque do lobo:

O Papa São Pio X afirmava: “Cada vocação sacerdotal vem do coração de Deus, mas passa através do coração de uma mãe”. Isto é verdadeiro em relação à evidente maternidade biológica mas também em relação ao “parto” de cada fidelidade à Vocação de Cristo. Não podemos prescindir de uma maternidade espiritual para a nossa vida sacerdotal: recomendemo-nos confiantes à oração de toda a Santa Mãe Igreja, à maternidade do Povo, do qual somos os pastores, mas ao qual está também confiada a nossa guarda e santidade; peçamos este apoio fundamental (Congregação para o Clero, Carta para o clero por ocasião do Dia mundial de oração pela santificação dos sacerdotes, 30 de maio de 2008).

No Ano Sacerdotal, a Congregação para o Clero publicou um pequeno manual de adoração eucarística e maternidade espiritual para os padres, incentivando o retorno a essa prática tão salutar, que tanto santificou padres e leigos. Exemplo bem concreto é o da venerável Concepción Cabrera de Armida, mais conhecida como Conchita, uma mãe de família e mística que, a pedido de Jesus, devotou a sua vida à oração e ao sacrifício pela santificação dos sacerdotes. Essa simples senhora, que se dizia incapaz de amar a Deus, escreveu tantas obras espirituais quanto Santo Tomás, teve nove filhos e ensinou-lhes o amor a Deus e a busca da santidade. No escondimento do seu matrimônio, ela ajudou inúmeros padres, influenciou na fundação de congregações religiosas e, agraciada por Deus, teve a honra de ver um de seus filhos ser ordenado sacerdote.

O testemunho de Conchita deve inspirar todas as mulheres na Igreja, sejam religiosas ou leigas, como também os sacerdotes, para que formem grupos de mães espirituais em suas paróquias e comunidades. A existência desses grupos — que não podem se degenerar em apego e bajulação — será um auxílio precioso ao sacerdote na luta pela santificação de seus fiéis. Apoiados pela intercessão de Maria, eles poderão repetir verdadeiramente o mesmo e único sacrifício de Cristo na cruz.

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