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66. Sexo ou gênero?

A literatura especializada diz que a teoria de gênero é a "ideologia mais radical da história, já que, se imposta, destruiria o ser humano em seu núcleo mais íntimo e simultaneamente acabaria com a sociedade.

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A palavra “gênero", em seu sentido ordinário, é apenas uma forma delicada de expressar o “sexo" biológico das pessoas. Para o movimento feminista, no entanto, a palavra tem outra conotação: a novilíngua inventada pelo Gender Establishment fixa o termo “gênero" como um papel socialmente construído, algo não dado biologicamente e cuja “identidade" cada um é responsável por forjar. Tratar-se-ia, portanto, de uma coisa distinta do que comumente se chama “sexo".

Quando documentos da Organização das Nações Unidas ou textos legislativos ao redor do mundo trazem em seu bojo a palavra “gênero", é preciso acionar o pisca-alerta. Este material, produzido por pessoas pretensamente intelectualizadas, pretende introduzir uma espécie de Cavalo de Troia nas constituições políticas nacionais, destruindo a estrutura familiar natural e legitimando toda e qualquer espécie de perversão sexual – desde que previamente consentida.

No Brasil, já há vários projetos de lei contendo esta palavra[1], esperando apenas a votação do Poder Legislativo para entrar no sistema normativo nacional e servir de instrumento a agentes comprometidos com a agenda marxista revolucionária. O projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012), por exemplo, adiciona como “agravante do crime", em seu art. 75, o “preconceito de (...) orientação sexual e identidade de gênero"; o Plano Nacional de Educação (PLC 103/2012), já aprovado na Câmara, estabelece como uma de suas diretrizes a “promoção da igualdade (...) de gênero e de orientação sexual"; do mesmo modo, outros projetos, visando alegadamente proteger a mulher da violência sexual, falam de adicionar a agenda de gênero aos “conteúdos curriculares da educação básica".

Afinal, qual é o problema com esta palavra? Como já dito, o termo “gênero" não traz em si nada de ofensivo. No entanto, como adverte um panfleto distribuído pela “Coalizão pelas Mulheres e pela Família" à época dos preparativos para a Conferência de Pequim (1995), “a palavra 'gênero' tornou-se politizada. Se vier a ser usado no texto, precisa ser definida para que todos possam concordar com o que ela significa"[2]. Caso contrário, é melhor não usá-la. O título do panfleto deve tornar-se um lema para os grupos pró-vida e pró-família na luta contra a ideologia de gênero: “Gênero: defina-o ou não o use".

É preciso dizer claramente que, em uma sociedade democrática, cuja soberania é teoricamente exercida pelo povo, a destruição da família tradicional é, tragicamente, uma possibilidade. No entanto, à luz da doutrina da Igreja, que recorda que a complementaridade afetivo-sexual do homem e da mulher é uma questão de direito natural, é impossível atentar contra a instituição do casamento, fixada pelo próprio Deus no início dos tempos[3], sem que se destrua a sociedade. Não bastasse a audácia da proposta do Estabelecimento de Gênero, que declara guerra à própria natureza humana, eles tentam promover sua agenda à revelia da população mundial, enganada por uma “espiral do silêncio" midiática e ludibriada por um discurso encapado de “diálogo democrático". Os ideólogos de gênero querem destruir a família, mas fazem-no secretamente, sem que o povo, soberano, tenha consciência do que está acontecendo.

Qual atitude deve ser tomada para combater esta perversidade? A primeira arma é, sem dúvida, o estudo. Não é possível entrar na guerra cultural sem fazer o dever de casa, coisa que o Gender Establishment já fez – de modo bem feito e há muito tempo. Para entender como esta coalizão maligna trabalha, é preciso recorrer às obras que ela produz e aos textos que ela engendra, por exemplo, na ONU. A Conferência de Pequim já traz, em seus documentos oficiais, a palavra “gênero". Tratou-se do resultado de um trabalho meticulosamente articulado, como se conclui da leitura do livro “The Gender Agenda", de Dale O'Leary, traduzido em espanhol e disponibilizado, abaixo, na íntegra.

Friedrich Engels, Margaret Sanger, Sulamita Firestone e Judith Butler são nomes de apenas algumas personagens que, agindo nos bastidores, contribuíram – ou têm contribuído – enormemente para a causa de gênero. A este trabalho demoníaco é preciso opor a resistência dos filhos da luz. Para elas, é um ofício muito mais penoso legitimar suas ideias, já que, sendo fruto apenas da produção ideológica, precisam ser sustentadas por um novo vocabulário e um novo imaginário social. Com os cristãos, ao contrário, está a verdade, com sua força própria e fora de cujo conhecimento nenhum homem pode ser genuinamente livre[4].

Referências

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