2. Pentecostalismo

Pentecostalismo

Após percorrer a situação histórica dos dons místicos, nem sempre positiva, percebe-se que a Igreja nasce usando os carismas, os dons espirituais, mas, que ao mesmo tempo, precisa aprender a dispor desses mesmos dons, aperfeiçoando-se para, assim, evitar problemas semelhantes aos narrados na aula anterior.

Na aula de hoje será estudado o "pentecostalismo" que, por causa de sua origem deve ser considerado como uma heresia. Assim, sempre que aparecer a palavra "pentecostalismo", ela deverá ser vista no seu sentido técnico, ou seja, o de uma heresia eclesiológica. O pentecostalismo, portanto, é uma realidade existente em igrejas protestantes, mas, que pode influenciar também movimentos católicos, como é o como é o caso da Renovação Carismática Católica.

O pentecostalismo afirma que Deus age somente por meio da ação dos dons carismáticos, em suas manifestações. É evidente que Deus age dessa maneira, contudo, negar a ação de Deus por meio dos sacramentos, por meio do Magistério da Igreja é claramente uma afirmação herética. Por isso é impossível a existência de um pentecostalismo puro dentro da Igreja Católica, pois, é contrário à doutrina.

Uma das consequências do pensamento pentecostal é que os sacramentos perdem o seu sentido original, deixam de ser “sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina” (CIC 1131) e tornam-se apenas símbolos, sem qualquer ação espiritual, justamente por não comportarem uma ação direta do Espírito Santo.

O Cardeal Joseph Ratzinger, escreveu no prefácio do Documento de Malin, que contém orientações acerca da Renovação Carismática Católica:

"Qual é a relação entre a experiência pessoal e a fé comum da igreja? Ambos fatores são importantes. A fé dogmática que não esteja baseada em uma experiência pessoal é vazia. Por outro lado, a mera experiência pessoal que não esteja relacionada com a fé da Igreja permanece cega."

O pentecostalismo no século XX passou por três ondas: a primeira, representada pelas Igrejas mais tradicionais, como a Congregação Cristã do Brasil e a Assembleia de Deus. Esta última teve sua fundação influenciada pelo movimento "Holliness" das igrejas pentecostais protestantes norte-americanas. O movimento "Holliness" caracterizava-se por uma busca de vida de santidade e de experiência pessoal com Deus.

Assim, dentro do pentecostalismo dessas igrejas no Brasil existe uma ênfase dada à experiência pessoal com Deus que se manifesta no chamado "Batismo no Espírito Santo". Em termos católicos, esse batismo seria uma efusão, um derramamento do Espírito Santo na vida dos cristãos. Já para os pentecostais protestantes, o Batismo no Espírito significa que aquele que o recebeu tem o dom de línguas. A ligação entre ambos é uma teologia da Assembleia de Deus e não pode ser aceita pelos católicos. Importante frisar que não existe vínculo de necessidade entre o dom de línguas e o batismo no Espírito Santo.

A primeira onda de pentecostalismo no Brasil, ocorrida nas primeiras cinco décadas do século XX, a ênfase era na urgência escatológica, ou seja, na segunda vinda de Jesus, na teologia do arrebatamento, no encontro pessoal com Deus. Na segunda onda, ocorrida após a Segunda Guerra Mundial, a ênfase teológica passou para os milagres. Surgiram, assim, outras igrejas, podendo citar a Igreja do Evangelho Quadrangular, Deus é Amor e O Brasil Para Cristo.

Missionários itinerantes pertencentes a essas igrejas armavam suas tendas nas cidades e as pessoas iam ver os milagres. Assim, a ênfase da primeira onda era no "Deus dos Dons", na segunda onda transformou-se em "Dons de Deus", focando nas necessidades pessoais das pessoas, no "milagrismo". Importante notar que a segunda onda afetou a primeira, pois houve uma disputa entre as igrejas por fiéis.

Na década de 70 surge a terceira onda que pode ser resumida na "antropologização" total do fenômeno pentecostalista, com o homem no centro de tudo. Surge, então, a teologia da prosperidade, com a fundação da Igreja Universal do reino de Deus, da Internacional da Graça, do Mundial do Poder de Deus, da Sara Nossa Terra, as quais enfatizam mais ainda o Deus a serviço do homem. Algumas chegam mesmo a dispensar a conversão pessoal do fiel, levando ao extremo a tese de Lutero de que é somente pela fé que haverá a salvação e não pelas obras. Não se pede nenhuma mudança de vida, nenhuma obra, bastando que a fé seja materializada, geralmente por meio monetário, travestido de dízimo e campanhas mirabolantes. Quando muito se dá, muito se recebe.

A terceira onda afetou as duas anteriores. E todas elas tiveram alguma influência na Igreja Católica, apesar de heréticas.

AulaTítuloDuraçãoData
1Introdução - Visão histórica01:01:16Fevereiro 17, 2012
2Pentecostalismo43:14Fevereiro 22, 2012
3História da Renovação Carismática Católica39:02Fevereiro 28, 2012
4História da Renovação Carismática Católica no Brasil37:51Março 07, 2012
5Via Purgativa46:11Março 21, 2012
6Via Iluminativa57:16Março 25, 2012
7Os sete dons do Espírito Santo01:03:10Abril 03, 2012
8Manifestações extraordinárias do Espírito Santo48:29Abril 10, 2012
9O carisma da oração01:01:44Abril 16, 2012
10Dom de línguas39:47Abril 17, 2012
11Dom de línguas - Parte 243:48Abril 24, 2012
12Perguntas e Respostas01:00:39Maio 11, 2012
13Os 9 carismas da carta de São Paulo aos Coríntios01:03:18Maio 17, 2012
14Conclusão01:02:56Maio 22, 2012