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Novena de Pentecostes 2025

O “Veni, Creator Spiritus” explicado

Neste Domingo de Pentecostes, Padre Paulo Ricardo explica as estrofes do hino “Veni, Creator Spiritus”, “Vinde, Espírito criador”, que, se for recitado publicamente no dia de hoje, concede-nos indulgência plenária.

Hoje é dia de Pentecostes. Jesus ressuscitado, desde o Céu, enviou o Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos — esse é o marco do nascimento público da Igreja. Unidos a Cristo, agora nós podemos viver uma vida nova no Espírito. E neste dia, ao recitarmos publicamente o “Veni Creator”, a Igreja nos dá a indulgência plenária — cumprindo as condições habituais de Confissão, Comunhão e oração nas intenções do Papa. Portanto, organize-se, pegue o texto em latim ou em português e, com seus amigos, vá à igreja. Se, por acaso, em sua paróquia não houver a recitação do hino, basta ir à igreja com um grupo de amigos e recitá-lo publicamente.

O hino começa dizendo assim: “Veni, Creator Spíritus”. O Espírito é chamado de criador. Ele é criador como narrado no livro de Gênesis, quando o Espírito de Deus pairava sobre as águas caóticas no início da criação. Então, o Espírito do Senhor é invocado sobre as nossas almas, “mentes tuorum visita”, “visitai nossas almas” — “mentes” aqui quer dizer almas. “Imple superna gratia, quæ tu creasti pectora”, nossos corações foram criados pelo Espírito Santo, como se fossem vasos, que agora precisam ser preenchidos com a graça divina.

Ele é chamado de Paráclito, “Qui diceris Paraclitus”, que quer dizer “advogado”, “defensor” e também “consolador”. O Espírito é o dom de Deus Altíssimo, “altissimi donum Dei”. Com isso, quando Deus se dá a si mesmo, ocorre uma modificação em nós, suas criaturas. Ele é “fons vivus”, a fonte viva da caridade que vem ao nosso coração; é o próprio amor de Deus agindo em nós. E continua: “ignis, caritas et spiritalis unctio”, ou seja, Ele é ao mesmo tempo uma fonte viva — ideia de água — e também é fogo, “ignis”. Aqui nós temos uma aparente contradição de comparações: a água que brota do peito aberto de Jesus faz acender o fogo da caridade. O Espírito é água que nos limpa do pecado, mas também é fogo que acende o amor. 

Então, quando o Espírito nos lava do pecado pela água e acende em nós a caridade pelo fogo, Ele nos torna “cristiformes”, ou seja, recebemos a forma de Cristo — o Espírito é “unctio”, unção; “Cristo”, aliás, quer dizer “Ungido”. Portanto, se somos Cristos ungidos, temos agora um comportamento divino: os sete dons do Espírito Santo. O hino então diz: “Tu septiformis munere”, “Tu, dom septiforme”, são os sete dons do Espírito presentes no coração daquele que é ungido. 

Como, afinal, nós vamos agir divinamente? “Digitus paternae dexteræ, tu rite promissum Patris, sermone ditans gúttura, digitus paternae dexteræ”, o Espírito Santo é o dedo da mão direita do Pai. Essa metáfora estranha é empregada aqui para falar sobre a realidade do toque da graça — qualquer pessoa que tenha vida espiritual é capaz de falar sobre esse toque da graça. Graça esta que foi prometida por Deus Pai: “tu rite promissum Patris”. 

Com isso, uma vez que somos tocados desde dentro, do nosso coração brota a profissão de fé, a evangelização e os dons proféticos, “sermone ditans gúttura”. Temos aqui uma analogia bastante física, por assim dizer, a fim de fazê-lo entender a necessidade do Espírito Santo. Ora, sem ar você não consegue articular e pronunciar palavras — a voz, o ar, o espírito tem de passar pelo aparelho fonador, pelas cordas vocais, “guttur”. Quando a Igreja proclama o Evangelho, é o Espírito Santo que dá “sermone”, isto é, que dá o sermão, a palavra à garganta, como dizemos em português coloquial. 

E então o “Veni Creator” apresenta uma série de pedidos. Até aqui foi a profissão de fé, ou seja, uma descrição de como se dá a ação do Espírito Santo. Mas nós também apresentamos pedidos a Ele: “Accende lumen sensibus”, “acende a luz para os sentidos” — mais do que os sentidos, é a luz que ilumina a inteligência. “Infunde amorem cordibus”, “derrame o amor nos corações”, é a realidade da vontade — inteligência; “lumen”; agora vontade, “amorem”. “Infirma nostri corporis virtute firmans perpeti”, “com a força eterna”, “virtute perpeti”, que o Espírito do Senhor firme aquilo que está enfermo. Ora, quem está doente não está firme; portanto, Ele vem dar firmeza para o nosso corpo enfermo. 

Porém, não há apenas as nossas dificuldades — nossa inteligência obscurecida e nossa vontade fraca. Há também o inimigo da alma: “Hostem repellas longius”, o Espírito Santo é aquele que exorciza os espíritos maus. “Pacemque dones protinus”, você está em guerra contra o inimigo, mas Ele prontamente lhe dá a paz. 

“Ductore sic te prævio vitemus omne noxium”. Agora, uma vez que houve a vitória, nós precisamos de um guia nesse caminho da nossa vida; e de um guia que, verdadeiramente, vá à frente, “ductore prævio”, como um condutor prévio, que nos faz evitar todo o mal, “vitemus omne noxium”. 

A conclusão é a doxologia, sempre voltada para a realidade da Trindade: “Per te sciamus da Patrem”, isto é, dá que nós, pelo Espírito Santo, conheçamos o Pai, “noscamus atque Filium”, “e também conheçamos o Filho”, “teque utriusque Spiritum”, “Tu, que és o Espírito de ambos”. Ora, só conhecemos intimamente a Deus quando Ele nos deu o seu Espírito. É por meio do Espírito Santo e pela fé que conhecemos o Pai e o Filho: “Credamus omni tempore”, “que nós creiamos em todo o tempo”.

Que este Pentecostes seja, verdadeiramente, feliz! Recitemos o “Veni, Creator Spiritus” em público, recebamos a indulgência plenária e sigamos nessa alegria de sermos movidos pelo Espírito Santo de Deus.

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