Todo dia 5 de agosto, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, volta a ser testemunha de um dos gestos mais simbólicos de devoção mariana: a chuva de pétalas brancas que, durante o canto do Glória, cai do alto de seus tetos artesoados, enchendo o templo de “neve” em pleno verão romano. Abaixo, o vídeo com um trecho do rito no ano de 2019:
A celebração relembra o acontecimento que, segundo a tradição, marcou a origem desta basílica: a milagrosa nevasca de 5 de agosto do ano 358. Numa noite de verão, um casal romano, desejoso de deixar sua herança à Virgem Maria, recebeu em sonho a indicação de construir um templo no local onde encontrassem neve. Ao amanhecer, contra toda a lógica sazonal, o cume do monte Esquilino apareceu coberto por um manto branco. O Papa Libério, informado do prodígio, traçou pessoalmente na neve o contorno da futura igreja.
Desde então, Santa Maria Maior tornou-se a basílica mariana mais importante de Roma, venerada por sua rica história e pelas valiosas relíquias que guarda — dentre as quais se destaca a manjedoura em que o próprio Cristo veio ao mundo, em Belém.
A tradição de espalhar pétalas brancas durante a Missa de Dedicação da Igreja não é um simples gesto estético. É uma forma viva de ligar os fiéis à memória daquele acontecimento extraordinário, que há mais de dezesseis séculos inspira a devoção à Mãe de Deus na Cidade Eterna. Ainda que a festa do dia 5 de agosto seja memória facultativa no calendário litúrgico universal, em Roma ela é celebrada com especial solenidade, como sinal da intercessão materna de Maria ao longo da história.
Como breve reflexão para este dia, deixamos abaixo algumas considerações do Pe. Francis X. Weninger:
Aqueles que não são católicos e que nos censuram por venerar a Rainha do Céu e edificar igrejas em sua honra, podem verificar, pela origem da Basílica de Santa Maria Maior, como é antiga e agradável a Deus esta piedosa prática.
A construção deste famoso templo ocorreu no século IV, época em que (como admitem até mesmo os protestantes) só podia haver uma Igreja de Deus: a católica. Mesmo naquele passado tão distante, Maria era venerada e construíam-se igrejas em sua honra. A Igreja aprovou o costume, e Deus o confirmou com milagres especiais. Quem ousará dizer que a Igreja de Cristo errou e que o próprio Deus confirmou tal erro com um milagre?
Mesmo em países onde a população deixou de ser católica, encontramos igrejas antigas dedicadas à Santíssima Virgem. Sem dúvida, se todos os católicos silenciassem este assunto, até as pedras desses edifícios sagrados provariam a existência da devoção à Mãe de Deus desde os primeiros séculos. Alguém se atreveria a acusar os piedosos cristãos que construíram essas igrejas de terem se enganado? Isso seria igualmente insensato e arrogante. Então, por que tantos se opõem à Igreja primitiva?
Caro leitor católico, aceite o meu conselho: não permita que ninguém perturbe sua devoção à Rainha do Céu, e jamais esmoreça no serviço a ela.
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