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Esta crise mata muito mais do que o coronavírus!
Igreja Católica

Esta crise mata
muito mais do que o coronavírus!

Esta crise mata muito mais do que o coronavírus!

Mal as quarentenas nos haviam sido impostas, todos sabiam o que fazer com luvas, máscaras e álcool em gel! Tornamo-nos peritíssimos em saúde do corpo, e bem rápido! Mas e na vida da alma? Alguém ainda ousará falar?

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Maio de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Se há uma coisa que a crise do coronavírus tem escancarado é a nossa falta de fé.

Exemplo prático?

A partir do que estão enfrentando os Estados Unidos em particular e o mundo inteiro de modo geral, o professor Edward Feser contrapôs recentemente, em um artigo de seu site, duas narrativas com que estamos mais ou menos familiarizados. A diferença é que a primeira é tranquila e amplamente aceita, a segunda não.

A primeira diz, em suma, o seguinte:

É errado subestimar os perigos da Covid-19, indo na contramão do que dizem os especialistas. Embora os grupos de risco devido ao novo coronavírus se limitem aos mais velhos e enfermos, trata-se de um grande número de pessoas. Além disso, muitos que não morrerão do vírus mesmo assim sofrerão bastante, e quem apresentar sintomas mais leves da doença (ou mesmo nenhum) pode infectar outras pessoas. Medidas draconianas são necessárias, portanto, mesmo com a previsão de um colapso econômico. Antes prevenir do que remediar. Resistir a essas duras verdades é ser um “negacionista” do coronavírus.

Antes de falar da segunda narrativa: nós sabemos de todos os debates que existem em torno da atual crise e de suas consequências políticas e econômicas. Não é pretensão nossa fazer uma análise global da situação, em todas as suas variáveis. Mas, concorde você ou não com o texto acima, é o juízo prudencial feito por muitos para fechar o comércio e isolar as pessoas em geral. A oportunidade ou não das medidas adotadas não é o foco desse texto. O que queremos falar mesmo é desta segunda narrativa (também adaptada para esta publicação):

É errado subestimar o perigo de as pessoas irem para o Inferno, quando os especialistas nessa matéria — as Escrituras, os grandes teólogos da Igreja e o Magistério dos Papas e dos santos — vão no sentido contrário. Mesmo que, no fim, uma minoria de pessoas se condenasse, seria um preço muito alto a se pagar. Além disso, mesmo os que vão parar no Purgatório sofrem bastante, e quem ensina o erro ou leva uma vida imoral por ignorância invencível pode, ainda assim, levar outras pessoas à condenação eterna. O apelo à conversão e ao arrependimento pelos próprios pecados deve ser urgentemente espalhado, mesmo sob o risco de acarretar graves incômodos e perseguições. Resistir a essas duras verdades é ser um “negacionista” do Inferno.

Não é preciso muito para perceber que temos mais “negacionistas” do Inferno que do coronavírus. 

E, no entanto, se aceitamos facilmente as palavras dos especialistas a respeito dessa crise, se aceitamos tomar todas as medidas sanitárias que temos tomado nos últimos dias só para preservar da morte física a nós, a nossos entes queridos e à sociedade, com que facilidade não deveríamos dar ouvidos a Deus, que não se engana nem nos pode enganar, e seguir os seus Mandamentos, a fim de fugir da morte eterna, muito pior do que a física?

Pense bem: as pessoas têm praticado nos últimos dias uma reclusão sem precedentes, seguindo à risca preceitos de distanciamento social. Elas saem, em geral, só para ir ao mercado ou à farmácia, e são instadas pela mídia a evitar bares, restaurantes e festas, a fim de não provocar aglomerações. Familiares pararam de se abraçar e beijar. Casais de namorados, idem. Ante a possibilidade de o vírus de Wuhan ser transmitido por via sexual, o departamento de saúde de Nova Iorque chegou a emitir um guia dizendo, entre outras coisas: “Você é o seu parceiro sexual mais seguro”. É o código moral da pandemia!

Mas, se sobram cuidados para se proteger de um vírus natural, as ameaças sobrenaturais são amplamente negligenciadas, quando não negadas de todo. 

Circula pelo mundo, por exemplo, e não é de hoje, a heresia do universalismo. Infelizmente, ela contaminou muitos ambientes eclesiais. Trata-se justamente do “negacionismo” do Inferno de que falamos acima. Na contramão do que pregou Nosso Senhor ao falar da porta estreita do Céu e do caminho largo do Inferno (cf. Mt 7, 13), a ideia dos universalistas é outra: a salvação é certa, e condenar-se é quase impossível.

Mas não nos importa que essa seja a palavra de um ou outro “gato pingado”, contra dois mil anos de Igreja e uma multidão de santos. Nossas precauções e indignações são seletivas.

Agora andam todos mascarados na rua, protegendo o rosto, passando álcool em gel a toda hora, desviando dos outros na calçada. Mas quando Nosso Senhor nos manda guardar o olhar, pois um só pensamento impuro consentido é o suficiente para acarretar-nos a condenação eterna (cf. Mt 5, 28), damos de ombros, fingimos não ouvir e talvez até procuremos o parecer de “especialistas” que digam justamente o que nos agrada (pois o que não falta hoje são teólogos morais dispostos a transformar o mal em bem), só para não deixarmos os nossos pecados.

Tantos louváveis cuidados para não se contaminar com um vírus, mas quanta complacência para com o egoísmo que envenena e destrói a alma

Evitar beijos e abraços de repente se tornou palavra de ordem. Se é para conservar a vida e a saúde físicas, tudo bem. Agora, falar que o sexo só é lícito no casamento, ou que as carícias dentro de um namoro cristão devem excluir abraços demorados ou beijos picantes, sob o risco de morte da alma, aí já é demais, aí já é “intromissão” da Igreja na intimidade dos casais, aí já é “obsessão católica” com os pecados da carne etc.

A essa acusação seria necessário responder perguntando onde está, afinal, essa bendita obsessão de que tanto falam os inimigos da moral católica, ao menos na pregação da Igreja atual. Que os pecados sexuais são cometidos a torto e a direito, não é novidade para ninguém. Nunca tanta pornografia foi vista como agora, em tempos de quarentena, e nunca as pessoas com problemas de masturbação estiveram tão vulneráveis às insídias do demônio, por exemplo. Denúncias sobre esses males, no entanto, quase não há. No mais das vezes, o que paira é um silêncio amedrontador. 

E isso deveria nos preocupar. Muito mais do que se, de repente, nossos especialistas parassem de alertar o modo de se proteger do vírus atual e as medidas a tomar para não passar aos outros a Covid-19. Quando foi a última vez que você ouviu seu pregador favorito ou o seu pároco falar, por exemplo, de “pecado mortal”, “condenação eterna” ou “confissão” (se é que ele já falou disso alguma vez)? E, no entanto, mal as quarentenas nos haviam sido impostas, todos sabiam o que fazer com luvas, máscaras e álcool em gel! Tornamo-nos peritíssimos em saúde do corpo!

Mas e na saúde da alma? Ninguém aguenta mais ouvir falar de coronavírus na TV, nos jornais e nos meios de comunicação em geral… E esse vírus só pode matar o corpo. Com que insistência, veemência, “chatice”, se quiserem, os pastores e homens de Igreja não deveriam falar dos perigos do pecado e da condenação eterna?

Eis o que a crise do coronavírus tem escancarado: acreditamos mais na palavra do último especialista que nas palavras de Deus; tomamos mais cuidado para combater um vírus que para combater o pecado; preocupamo-nos mais com a morte do corpo que com a da alma; damos mais ouvidos à TV e aos jornalistas que à doutrina católica de sempre; sentamo-nos entusiasmados diante do smartphone para buscar a verdade a respeito do novo coronavírus, mas damos de ombros e ridicularizamos o Magistério da Igreja, que nos quer ensinar a verdade sempre nova do Evangelho.

Essa descrença e inércia generalizadas são reais, e muito mais letais e danosas do que a pandemia da Covid-19. Se você não é capaz de compreender isso, talvez seja necessário abrir seu coração à boa-nova do Evangelho, que nos manda temer não a morte e a enfermidade físicas, mas a morte eterna e as doenças espirituais (cf. Mt 10, 28).

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É hora da “Consagração a São José”!
Santos & Mártires

É hora da “Consagração a São José”!

É hora da “Consagração a São José”!

Por que precisamos, agora mais do que nunca, encomendar-nos a São José? É o que explica nesta entrevista o Pe. Donald Calloway, autor de um recente livro devocional que propõe todo um roteiro de consagração ao pai virginal de Jesus.

Brian FragaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Maio de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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Há já um bom tempo que os católicos têm se consagrado à Santíssima Virgem, seguindo muitas vezes o método do Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora, de São Luís Maria Grignion de Montfort, um clássico da literatura espiritual.

O Pe. Donald Calloway (47), da Sociedade de Maria (Marianistas), consagrou-se à Mãe de Jesus há alguns anos. Mas ao refletir sobre alguns dos desafios que se apresentam à sociedade moderna, o sacerdote disse ao portal Our Sunday Visitor que havia chegado a hora de elaborar um método de consagração a São José semelhante ao de São Luís.

“Sem dúvida poderíamos recorrer a São José numa época de crise de paternidade e no matrimônio”, disse o Pe. Calloway, que mora em Steubenville, Ohio, e trabalha como promotor vocacional para a Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, uma comunidade fraternal de vida consagrada.

O Pe. Calloway escreveu um livro intitulado Consecration to St. Joseph: The Wonders of Our Spiritual Father [“Consagração a São José: As Maravilhas de Nosso Pai Espiritual”, ainda sem tradução para o português], que segue a fórmula do processo de consagração elaborada por São Luís de Montfort. Publicado no dia 1.º de janeiro, o livro vendeu mais de 80.000 exemplares e está na 5.ª reimpressão.

O Pe. Calloway espera que o livro conduza muitas pessoas a redescobrir o judeu do século I que cuidou de Jesus e Maria, um homem forte, trabalhador, piedoso e virtuoso, que hoje é reconhecido como Patrono da Igreja universal.


Our Sunday Visitor: Por que o sr. quis escrever um livro sobre São José?

“O sonho de S. José”, de Francisco de Herrera el Mozo.

Padre Donald Calloway: Atualmente, há no mundo uma grande confusão a respeito de coisas muito importantes como o matrimônio, a família e até sobre o significado da masculinidade e da feminilidade. Existe a ideologia de gênero… E hoje as pessoas estão realmente confusas a respeito dessas coisas. 

Há cerca de três anos, pensei que seria extraordinário que tivéssemos algum tipo de programa abrangente de consagração a São José, porque ele preencheria uma lacuna. Temos a consagração mariana, e isso é excelente. Mas nesta época de crise de paternidade e no matrimônio, poderíamos ter algo relacionado a São José. Foi quando me ocorreu a ideia de verificar se alguém já havia feito isso. Fiz a pesquisa e descobri que não, então pensei: “Ora, eu posso fazer isso”. Foi o trabalho a que me dediquei no últimos três anos.

Como foi o processo de elaboração do método de consagração a São José?

No início, não sabia o que fazer. Pensei: “Muito bem, é uma grande ideia, mas como posso transformá-la em livro?” Há alguns anos, consagrei-me a Nossa Senhora pelo método de São Luís de Montfort, e foi simplesmente incrível. É uma consagração feita depois de 33 dias de preparação. Ele foi o criador desse método. Então, tive a seguinte ideia: “Quer saber? Não preciso reinventar a roda. Usarei a fórmula e o modelo criados por ele e os aplicarei a São José”. Então, para cada dia há uma breve leitura e algumas orações. Fazemos isso durante 33 dias, ao cabo dos quais você realmente entende do que se trata. É um processo abrangente, que não deixa de fora nenhum detalhe.

Que tipo de trabalho o sr. desenvolveu ao longo desses três anos?

A informação compilada vem de diversos países, pois viajo com muita frequência. Estive na Polônia, na Croácia e na América do Sul para realizar a pesquisa. Algumas coisas foram traduzidas para o inglês pela primeira vez. Há muito material interessante sobre São José, mas não estava disponível em inglês. Também encomendei obras de oito artistas de diversos países, que fizeram pinturas exclusivas de São José, retratado como alguém jovem, forte e varonil. Muitas das imagens de São José são um tanto falhas. Os artistas trabalharam durante um ano e meio.

Quais foram as coisas mais interessantes que o sr. aprendeu sobre São José?

Muitas coisas impressionantes. Descobri que o anel que São José deu à Virgem Maria no dia em que se casaram ainda existe. É conhecido como Santo Anello, e fica guardado num imenso relicário que está na catedral de Perúgia, Itália, perto de Assis. Todos os anos é exposto para a veneração dos fiéis. Casais e noivos têm o privilégio de se aproximar da relíquia e encostar nela suas alianças. Isso foi estonteante. 

Depois, visitei a Casa de Loreto, o lar da Sagrada Família em Nazaré, que no século XIII foi transportado até a Itália por anjos. Desde então se encontra em Loreto. É uma das maiores relíquias do mundo, e em meu livro falo sobre todos os santos que a visitaram e o que disseram sobre ela. Aquilo foi simplesmente incrível.

É razoável afirmar que muitas vezes São José é subestimado. Em sua opinião, qual seria a razão disso?

Creio que isso se deva, em parte, ao fato de não haver no Novo Testamento nenhuma fala dele. No caso de São José, as ações dizem mais que as palavras

Infelizmente, nos primeiros séculos da Igreja circularam muitos documentos falsos sobre distintos temas relacionados à vida da Sagrada Família. Não são escritos aprovados ou inspirados, mas apócrifos que, infelizmente, alimentaram a ideia de que São José foi um viúvo de idade avançada com filhos de um casamento anterior. Tudo isso não passa de lenda e jamais fez parte da doutrina da Igreja, embora tenha sido retratado em obras de arte. 

Por causa disso, as pessoas começaram a pensar o seguinte a respeito dele: “Bem, ele não é tão importante assim. Não disse nada, era velho e era uma espécie de tapa-buraco”. As pessoas não prestavam muita atenção nele. Mas hoje, sobretudo nos últimos 150 anos, a Igreja tem feito mais pela promoção de São José do que durante os 1.800 anos anteriores. É algo que está se desenvolvendo, e creio que tem crescido agora por causa do movimento de consagração a São José. 

A ausência de palavras dele na Sagrada Escritura dificultaram a pesquisa a seu respeito?

Em relação às fontes primárias, sim. Mas não foi tão difícil porque podemos deduzir suas ações, sua obediência e sua fé a partir daquilo que ele fez. Apesar de não ter dito nada, suas ações dizem muito. Então, basta observar o que se exigia de um esposo e pai judeu do século I em matéria de trabalho e deslocamento. O que poderia estar acontecendo com ele, quando teve de fugir com a família para o Egito e ficar lá durante tantos anos? Em seguida, completamos o que falta com o que Papas, santos e místicos disseram na tradição católica. Depois de um tempo, formamos uma imagem muito boa sobre quem foi ele.   

Qual foi a imagem de São José que começou a surgir à medida que o sr. estudava a vida dele?

Surgiu a imagem de alguém que não era velho. Se fizermos as contas, veremos que a lei judaica exigia que um homem como ele caminhasse até Jerusalém três vezes ao ano para cumprir certos ritos religiosos. Digamos que ele tenha feito isso três vezes ao ano durante trinta anos. Se somarmos a distância percorrida, veremos que São José poderia ter dado a volta ao mundo. Um idoso jamais poderia ter feito isso. Era necessário ser jovem para fazê-lo. Portanto, como modelo de virilidade para seu filho [adotivo], Nosso Salvador, ele tinha de ser jovem e forte. 

Nós o chamamos de Modelo dos Trabalhadores, Pilar das Famílias, Glória da Vida Doméstica, Terror dos Demônios — não são títulos atribuídos a um idoso que cochila à tarde e se esquece das coisas. A imagem que formamos de São José é a de um homem forte, um trabalhador; realmente, em certo sentido, a imagem do primeiro cavaleiro da Virgem Maria. Ele foi o primeiro a chamá-la de “Minha Senhora”. Foi o primeiro a dar a vida por Jesus e Maria e a sacrificar-se. Falamos aqui de uma santidade extraordinária.

Em outro lugar, o sr. disse que enfrentou problemas na redação desse livro, inclusive de origem sobrenatural. O que quer dizer com isso?

Não posso dar muitos detalhes, mas o demônio não queria que o livro fosse publicado. Houve resistência. O demônio realmente tentou destruir o livro e impedir que ele chegasse às pessoas, porque sabe do poder que São José tem para interceder diante de Deus. Houve algumas coisas verdadeiramente difíceis durante o processo de publicação desse livro.

Foi difícil organizar o livro e escrever as orações e reflexões?

No início foi difícil. Quando estava dando forma à ideia, pensei num formato diferente para ele. Passei cerca de seis meses com esse formato em mente, até perceber que ele não funcionaria. Rezei nessa intenção. Quando estava fazendo a Ladainha de São José, contei os títulos e percebi que eram cerca de 30, e aquilo que me pareceu perfeito. Com uma introdução, uma análise daqueles títulos e uma conclusão, consegui chegar nos 33 dias. Transformei a Ladainha de São José em modelo; portanto, todos os dias lemos um pouco a respeito de cada um daqueles títulos e em seguida rezamos a Ladainha. Funcionou perfeitamente.

Quais são os frutos espirituais da consagração a São José?

A coisa mais espetacular é o fato de nos aproximarmos de Jesus por meio dela. Em última instância, tudo gira em torno de Jesus, da mesma forma que a consagração mariana nos aproxima dEle. Segundo, se somos filhos espirituais de São José, temos de imitá-lo, pois todo filho é chamado a ser semelhante aos pais. Naturalmente, ele não é um pai biológico, mas podemos nos assemelhar a ele imitando suas virtudes. Aquela Ladainha apresenta muitas de suas virtudes. Ele é paciente, corajoso, obediente e fiel. Portanto, se quisermos ser parecidos com ele, temos de imitá-lo. Esse é um fruto essencial da tentativa de imitá-lo. Algumas pessoas perguntaram: “Podemos realmente nos consagrar a São José se já somos consagrados a Maria?” Sim. Não somos membros de uma família espiritual de pai solteiro.

Como avalia a recepção que seu livro recebeu até o momento? 

O livro foi publicado há apenas dois meses [em março de 2020] e já teve 80.000 exemplares vendidos. Está na quinta reimpressão e já está sendo traduzido para o espanhol, o francês e o polonês. Também estão sendo analisados contratos árabes e italianos. É inacreditável. As pessoas me escreveram o seguinte: “Não acredito que isso não existia. Por que demoramos tanto para reconhecer sua grandeza e sua dignidade, bem como o que ele significa para nós na Igreja?” Famílias e paróquias estão se consagrando. Como resultado disso, quatro bispos americanos decretaram a abertura de anos dedicados a São José em suas dioceses. Meu maior desejo é que o Papa proclame um Ano de São José para a Igreja universal. Nunca tivemos nenhum, e isso seria fenomenal.

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A longa marcha de Hollywood para o brejo
Sociedade

A longa marcha
de Hollywood para o brejo

A longa marcha de Hollywood para o brejo

Apesar do histórico escandaloso de Hollywood, com casos de assédios, subornos, traições e até estupros, houve uma “época de ouro” do cinema em que os filmes brilhavam pela virtude. Tudo graças aos católicos da Legião da Decência.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2020Tempo de leitura: 12 minutos
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Quando a atriz Maria Schneider saiu de casa para o estúdio, a fim de gravar uma cena do filme Último tango em Paris, de 1972, tudo indicava que seria só mais um dia comum... Mas não foi. Por trás das câmeras, o diretor Bernardo Bertolucci e o ator Marlon Brando haviam tramado algo terrível. Maria Schneider não faria apenas uma simulação de estupro, como previsto no roteiro, mas sofreria o crime propriamente dito. Insanidade, sem dúvida; mas, no vale tudo da arte, qualquer coisa seria possível. “Queria sua reação como menina, não como atriz”, alegou Bertolucci numa entrevista.

A atriz tinha apenas 19 anos na época, e nem por isso escapou da “experiência” de Brando, então com 48. Depois do episódio, ela nunca mais se recuperaria da violência, caindo nas drogas e inclusive tentando o suicídio. Veria ainda sua carreira declinar, enquanto Brando e Bertolucci ostentavam prêmios da Academia de cinema.

Maria Schneider morreu vítima de um câncer em 2011. História trágica, é verdade, mas tristemente compartilhada por tantas outras atrizes que, para sobreviverem em Hollywood, tiveram de ceder a humilhações parecidas. Recentemente, o ator Silvester Stallone confessou que embebedou a atriz Sharon Stone, sua companheira de set em O Especialista, de 1994, a fim de fazê-la gravar uma cena de sexo [1]. Denúncias graves também surgiram contra o diretor Harvey Weinstein, que acabou condenado a 23 anos de prisão por assédio e estupro.

Tudo uma grande vergonha para a indústria cinematográfica, cujo histórico de atrocidades não é de hoje e faria inveja a qualquer filme de terror. É sabido, por exemplo, que atrizes como Bette Davis e Joan Crawford, estrelas da década 1940, foram obrigadas a abortar para poderem cumprir seus contratos. Afinal de contas, “para conseguir algo é preciso ser completamente livre”, outra declaração insana de Bertolucci, que, todavia, define bem a mentalidade hollywoodiana. Ainda mais se milhões em bilheteria estiverem em jogo.

A bem da verdade, nada disso seria possível — ao menos não em grande escala — se não houvesse uma plateia embrutecida pelos vícios para aplaudir. Com a velha política do “pão e circo”, os cineastas não têm dúvida do que fazer para conquistar mentes desocupadas pela ignorância e gerar montanhas de dólares. Apesar de grotescos, filmes como Último tango em Paris foram aclamados pela crítica e ainda mais celebrados pelos espectadores. E a coisa só piorou de 1972 para cá, com indecências do tipo Cinquenta tons de cinza e Ninfomaníaca, verdadeiras lástimas, que nem todos os prêmios “Framboesas de Ouro” no mundo seriam capazes de expressar.

Na encíclica Vigilanti Cura, à qual voltaremos adiante, o Papa Pio XI fazia notar como a arte poderia ser rebaixada ao vil se levasse em conta apenas o interesse econômico; porque “enquanto a produção de figuras realmente artísticas, de cenas humanas e ao mesmo tempo virtuosas exige um esforço intelectual, trabalho, habilidade e também uma despesa grande” (n. 14), a baixaria não requer nada disso. Ao contrário, dizia o então Sumo Pontífice, “é relativamente fácil provocar certa categoria de pessoas e de classes sociais com representações que excitam as paixões e despertam os instintos inferiores, latentes no coração humano” (n. 14). E a história do cinema só mostra como o Papa estava certo.

A “época de ouro” e a Igreja Católica

As décadas de 1930 a 1960 são conhecidas como a “época de ouro” de Hollywood. Isso porque, nesse período, foram lançados grandes clássicos do cinema, que arrebataram o público não pela vulgaridade e o cinismo, mas pela beleza de uma arte realmente virtuosa, de alto nível e digna de todos os prêmios. É desse período filmes como Ben-Hur, O homem que não vendeu a sua alma, A canção de Bernadette e Os sinos de Santa Maria, todos vencedores do Oscar em uma ou mais categorias [2]. O que poucos sabem, porém, é que essa “época de ouro” esteve intimamente associada à Igreja Católica, que empreendeu uma “cruzada” para manter a sétima arte dentro dos trilhos da decência e da honestidade.

Jennifer Jones em “A canção de Bernadette”.

Nos primeiros anos da década de 1920, os filmes norte-americanos começaram a preocupar uma parcela da população por conta do excesso de bandidos, monstros e sensualidade em cena. Para enfrentar o problema, o sr. Martin Quigley, um leigo católico, e o padre jesuíta Daniel Lord se juntaram a outras lideranças de protestantes e judeus, com quem publicaram, em 1929, o Motion Picture Production Code, que proibia cenas de nudez, blasfêmias, danças indecentes, entre outras coisas, nos filmes. O código também previa a promoção de valores religiosos, o triunfo do bem sobre o mal e a punição para comportamentos imorais etc [3].

Os estúdios convenientemente aceitaram o código, a fim de fugirem da censura do governo, uma vez que o cinema não era protegido pela Primeira Emenda da Constituição Americana. Desse modo, as produções passaram a cultivar mais as virtudes e dar menos espaço a imoralidades... Até que veio a Grande Depressão, provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque.

O cinema também foi afetado pela crise, vendo seus rendimentos cair vertiginosamente. Qual foi a solução dos estúdios? Isso mesmo, as produções voltaram a apelar para o grotesco, a violência e a perversão, com conteúdos cada vez mais ousados. Entre os gêneros mais polêmicos, chamavam a atenção os filmes policiais, sobretudo pela glamourização de bandidos que aludiam à figura de Al Capone, o mais famoso gângster da história dos Estados Unidos.

Era, sem dúvida, um meio eficaz e rápido de gerar lucro. Mas o lucro está para a imoralidade como o fogo está para o combustível. Portanto, a resposta da Igreja Católica não tardaria. Em 1933, alguns bispos americanos se reuniram e, com a ajuda de vários leigos, fundaram a Legião da Decência [4].

A princípio, a iniciativa foi vista com incredulidade, como podemos ler neste editorial da revista Time, de 1934: “Suas conferências anuais aprovaram resoluções. Seus clérigos defenderam leis de censura. Seus jornais protestaram. Mas nem com todo esse zelo a Igreja conseguiu fazer muita coisa”. O que parecia estar fadado ao fracasso, todavia, logo se converteu no instrumento mais poderoso de regulação do cinema.

A preocupação maior de Hollywood era com a ameaça de boicote. Todos os anos, no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, 20 milhões de católicos faziam um juramento durante a Missa de não assistirem aos filmes condenados pela Legião:

Eu condeno todos os filmes imorais e indecentes, como aqueles que glorificam o crime ou criminosos. Eu prometo fazer tudo que puder para fortalecer a opinião pública contra a produção de filmes imorais e indecentes e unir-me a todos aqueles que protestam por isso também. Eu reconheço minha obrigação de formar uma consciência reta acerca de filmes que são perigosos para a minha vida moral. E juro por mim mesmo manter-me longe deles (grifos nossos).

Os estúdios instituíram a Production Code Administration (PCA), pondo o jornalista católico Joseph Breen como seu diretor. E a dinâmica passou a ser mais ou menos esta: Breen recebia o roteiro dos filmes e, com base nas indicações da Legião da Decência, fazia os cortes e as sugestões. Havia uma classificação dos filmes segundo o código A, B e C. Uma produção recebia A, quando era livre de objeções, ou B, para filmes com objeções. C, obviamente, era dado a produções condenáveis. A Legião ainda publicava mensalmente uma revista com a classificação dos filmes. Era um trabalho de gigante.

Em 1944, o Oscar de melhor atriz foi da intérprete de S. Bernadette.

Tal pressão submeteu Hollywood à moral católica, de modo que todos os filmes, de 1934 a 1954, não saíam sem o selo da PCA. Os estúdios sabiam que não tinham a menor chance de emplacar de outro modo. Se é verdade que o resultado nem sempre foi o esperado, e que muitas das decisões de Joseph Breen podem ser questionadas, o fato é que a produção cinematográfica daqueles anos despontou pela qualidade e a valorização das virtudes, como reconhece o especialista em cinema Thomas Doherty, da Universidade Brandeis, em Massachusetts.

Contrariando os que haviam predito “que o valor artístico do cinema sofreria pelas exigências da ‘Legião da Decência’”, o que se deu, na verdade, foi justamente o oposto: “Esta Legião deu forte impulso aos esforços feitos para elevar cada vez mais o cinema à grande nobreza de nível artístico, impelindo-o à produção de obras clássicas e a criações originais de valor pouco comum”, frisou Pio XI na encíclica Vigilanti Cura (n. 12). O Papa ficou tão satisfeito com o trabalho que incentivou os bispos do mundo todo a adotarem o mesmo modelo da Legião.

Seja como for, a Igreja não pretendia cercear a criatividade artística, mas justamente preveni-la contra a autodestruição. Para mentes dominadas pelo liberalismo, isso parece estranho, porque, em nosso tempo, a liberdade foi alçada a valor absoluto. Mas qualquer pessoa minimamente responsável consegue perceber o perigo de uma liberdade doentia. Se ela não é regulada, se ela não obedece às leis da natureza, essa liberdade se converte numa máquina de destruição, como um carro desgovernado no trânsito. As pessoas podem andar livremente nas ruas porque existem leis. Do contrário, estariam todas ameaçadas.

A liberdade humana também pode se deteriorar por um exercício vicioso. Em razão disso, Pio XI advertia na mesma encíclica contra a possibilidade de que o cinema “injuriasse e desacreditasse a moral cristã, ou simplesmente a moral humana e natural, a regra suprema que deve reger e regulamentar o grande dom da arte” (n. 4). Foi em afastar essa possibilidade do horizonte do cinema que a Legião da Decência se aplicou.

Henrique VIII (Robert Shaw) e S. Thomas More (Paul Scofield), em “O homem que não vendeu a sua alma”.

Da decadência aos dias de hoje

Na década de 1960, porém, as coisas saíram do trilho novamente. Em primeiro lugar, a Suprema Corte americana já havia julgado, em 1948, o processo U.S. vs. Paramount Picture, que pôs fim ao monopólio dos estúdios sobre as salas de cinema. Depois, em 1959, a mesma Corte decidiu que o filme francês Os Amantes poderia ser exibido sem cortes, de modo que as cenas de nudez passaram a ser mais frequentes. Os Estados Unidos logo se viram invadidos por produções independentes e estrangeiras, que abusavam da sensualidade e da violência, por não estarem submetidas à PCA. Consequentemente, Hollywood começou a ceder às pressões econômicas e ao apelo dos tempos pós-guerra. 

Em 1963, o The New York Times publicava a seguinte notícia: “A Legião da Decência pediu ontem a Hollywood para produzir mais filmes dedicados à família”. Dos 270 filmes revisados naquele ano, apenas 51 haviam recebido a classificação A, um resultado bastante alarmante. De fato, a última grande batalha da Legião da Decência deu-se contra o filme Boneca de carne, de 1956, que acabou banido de várias salas, depois dos protestos da Igreja. Depois disso, a própria hierarquia passou a arrefecer o tom, crendo que os católicos deveriam, de agora em diante, preferir o remédio da misericórdia ao da severidade [5].

Com o lançamento de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 1966, Hollywood definitivamente abandonou a “época de ouro” para mergulhar de cabeça nos novos tempos. Recheado de palavrões e vulgaridades, o filme fazia um ataque aos épicos das décadas de 1940 a 1950. A produção também marcou a decadência da Legião, que já havia adotado um novo sistema de classificação e, inclusive, outro nome [6]. Para sugerir uma abordagem mais positiva, o grupo passou a avaliar também a atuação dos atores e outros quesitos artísticos, além da questão moral. Era o início do fim.

Atualmente, o cinema vive um marasmo de ideias desconcertante. As grandes produções se resumem a filmes de super-heróis, com roteiros previsíveis e atuações tão convincentes quanto um poste. Mais grave ainda: Hollywood chafurda na lama dos escândalos, com casos de assédios, subornos, traições e até estupros. E, infelizmente, a coisa deve se manter assim, enquanto não surgir um movimento verdadeiro de purificação do cinema, como foi a iniciativa da Legião da Decência. As atrizes que nos desculpem, mas, para enfrentar o problema, não basta fazer discurso político no Oscar e campanhas nas redes sociais, enquanto elas mesmas e (os demais) estiverem envenenados pela ilusão do sucesso e do dinheiro.

Toda essa ruína tem sua causa em algo muito mais profundo: a concupiscência. O pecado sempre é “agradável aos olhos” e “desejável por dar entendimento” (Gn 3, 6). O rei Davi caiu em desgraça justamente depois de ter visto e desejado o corpo de Betsabé. Do mesmo modo, quantos já não caíram em desgraça depois de terem assistido a algum filme imoral, seduzidos pelo prazer do som e, sobretudo, da imagem. Era o que ajuizava Pio XI já naquela época:

As variadíssimas cenas no cinema são representadas por homens e mulheres escolhidos sob o critério da arte e de um conjunto de qualidades naturais, e que se exibem num aparato tão deslumbrante a se tornarem às vezes uma causa de sedução, principalmente para a mocidade. O cinema ainda tem a seu serviço a música, as salas luxuosas, o realismo vigoroso, todas as formas do capricho na extravagância. E por isso seu encanto se exerce com um atrativo particular sobre as crianças e os adolescentes. Justamente na idade, na qual o senso moral está em formação, quando se desenvolvem as noções e os sentimentos de justiça e de retidão, dos deveres e das obrigações, do ideal da vida, é que o cinema toma uma posição preponderante. E, infelizmente, no atual estado de coisas, é geralmente para o mal que o cinema exerce sua influência (grifos nossos; Id., n. 25-26).

Na “época de ouro” do cinema, o que mantinha os católicos longe de qualquer filme indecente era o risco dum “pecado mortal”. A Legião da Decência sempre deixou claro esse risco e, com essa pedagogia, impediu que muitas cenas como a de Maria Schneider e Marlon Brando fossem rodadas. Não seria saudosismo extemporâneo desejar que iniciativas como esta, que tão bons frutos deram no passado, ressurgissem para o bem não só do cinema, mas sobretudo das almas. Como público católico, temos o direito e o dever de expressar o nosso ponto de vista e reclamar, tanto de produtores quanto das autoridades públicas, aquele respeito mínimo à pessoa humana, à família e à integridade física e moral de todo ser humano, que todas as formas sadias de entretenimento deveriam transmitir [7].

Notas

  1. Tanto a notícia do estupro de Maria Schneider quanto a da confissão de Silvester Stallone foram reportados por El País, aqui e aqui, mas recomendamos discrição aos curiosos, pois ambas as reportagens contêm linguagem e imagens impróprias.
  2. Ben-Hur (1959) é, ao lado de Titanic (1997) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003), o filme que mais venceu o Oscar na história do cinema. Das doze indicações que recebeu, levou para casa onze estatuetas, incluindo a de melhor filme. O homem que não vendeu a sua alma (1966) venceu em seis das oito indicações, incluindo melhor filme também; A canção de Bernadette (1944) conquistou quatro Oscars e Os sinos de Santa Maria (1946) venceu em uma categoria.
  3. Esse código de leis ficou também conhecido por Código Hays, por conta do líder presbiteriano Will Hays, que então presidia a Associação de Produtores e Distribuidores de Filmes da América. Algumas pessoas o criticam por ter colocado restrições quanto à representação da miscigenação nos Estados Unidos. É preciso entender, porém, que Hollywood estava ameaçada por vários escândalos, sobretudo por um suposto estupro e assassinato da atriz Virginia Rappe pelo ator Fatty Arbuckle. Por isso, vários estados queriam impor leis duríssimas de restrição aos filmes. Daí que os próprios cineastas adotaram o Código Hays para fugir da pressão governamental, quando a questão da miscigenação era ainda um grande tabu.
  4. As informações históricas sobre a Legião da Decência foram retiradas do canal Vox, da agência Catholic News Service e do site First Things.
  5. Além do “espírito do Concílio”, deve-se ressaltar também a enorme influência que a Revolução Sexual, da década de 1960, provocou sobre a mentalidade de muitos sacerdotes católicos, culminando nos escândalos de abusos que vergonhosamente conhecemos hoje. Tudo isso influenciou no modo de os católicos enxergarem o mundo, incluindo a arte.
  6. O que restou da Legião da Decência se resume hoje a um departamento da agência Catholic News Service, algo praticamente inexpressivo. Há também uma iniciativa do diácono permanente Steven D. Greydanus, membro do Círculo de Críticos de Filmes de Nova Iorque e articulista do National Catholic Register, que mantém a página Decent Films.
  7. Cf. Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Pornografia e Violência nas Comunicações Sociais. Uma Resposta Pastoral, de 7 mai. 1989, nn. 25-27.

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Três coisas que você pode fazer para catequizar os seus filhos em casa
Família

Três coisas que você pode fazer
para catequizar os seus filhos em casa

Três coisas que você pode fazer para catequizar os seus filhos em casa

Nós, pais, temos de alimentar, vestir e proteger nossa família. São grandes responsabilidades, e não deveriam ser minimizadas. Mas há outra, ainda maior, que muitas vezes fica esquecida: somos chamados a catequizar os nossos filhos!

William HemsworthTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Já fui chamado de muitas coisas na vida: bom soldado, trabalhador confiável, empregado modelo e até de bom marido. São coisas fantásticas e admiráveis, mas insignificantes se comparadas ao meu título favorito: pai. O Senhor abençoou-nos a mim e à minha esposa com quatro criança incríveis, mas cuja educação implica muita responsabilidade.

Você provavelmente estará pensando que digo uma obviedade. Afinal, nós pais temos de alimentar, vestir e proteger nossa família. São grandes responsabilidades, e não deveriam ser minimizadas; mas há outra, ainda maior, que não está na lista. Como pais, também somos chamados a catequizar nossos filhos.

Catequizar é difícil. — Sejamos honestos: a Igreja está perdendo jovens aos montes. Ouvi por esses dias um episódio do podcast Word on Fire” em que o bispo Robert Barron dizia que, para cada pessoa que entra na Igreja, outras seis a abandonam.

Por que alguém abandonaria a verdade? A resposta é bem simples: as pessoas abandonam a verdade porque não sabem o que ela é. As pessoas, em sua maioria, deixam a Igreja porque nunca lhes ensinaram no que ela acredita nem responderam às suas dúvidas.

Sempre há exceções, é claro, mas isso depende da catequese. Quando fui catequista, era comum escutar dos pais comentários como este: “Ensinar a fé é função sua. Não sei por onde começar”. O objetivo deste artigo é oferecer algumas orientações sobre isso.

1. Explique aos seus filhos o que é a Missa. — O primeiro passo na catequização das crianças é levá-las à Missa. Em meu primeiro ano como catequista, tive dezessete alunos, dos quais apenas seis iam à Missa todas as semanas. O Catecismo afirma que os pais são os primeiros mestres da fé, o que é reiterado diversas vezes também na Sagrada Escritura. Os filhos veem os pais como um exemplo, e se a Igreja não é importante para nós, é provável que não o será para eles.

Quando estiver na Missa, explique aos seus filhos o que está acontecendo. Mostre-lhes quantas referências à Sagrada Escritura há na Missa, explique por que o sacerdote diz aquelas palavras durante a consagração e em que medida a Missa antecipa o banquete nupcial do Cordeiro, que ocorre no Céu enquanto ela é celebrada aqui na terra. Não há “excessos” na Missa: tudo é importante. Quanto mais conhecimento tiverem as crianças, mais comprometidas serão com a fé.

Estamos passando por uma situação sem precedentes. Neste momento, a Missa pública está suspensa em grande parte das dioceses no mundo inteiro. Felizmente, muitos sacerdotes tomaram a iniciativa de transmitir suas Missas privadas. Isso é benéfico para todos nós, porque a Missa ainda está sendo celebrada. É possível encontrar muitas dessas celebrações no YouTube e noutros lugares, o que também nos dá a oportunidade de poder “pausar” a celebração para discutir seus diferentes aspectos.

2. Reze com seus filhos. — Nem sempre me saí bem nesse quesito. Eu fazia as objeções de sempre: “Já é tarde” ou “Estou muito ocupado”. Certa vez, disse boa-noite ao meu filho, e ele respondeu: “Eu queria que você rezasse comigo antes de dormir”. Aprendi algo muito importante naquela noite. Nossos filhos querem que rezemos com eles. Quando o fazemos, tornamo-nos um exemplo do que é a oração.

Ensinar os filhos a rezar é uma prioridade ou algo que você faz de forma passiva? Se for uma prioridade, então é provável que a oração também seja prioridade para eles. Quando todos vivemos uma vida de oração intensa, compreendemos com mais clareza o quanto Cristo nos ama. 

Mas lembre-se de que é impossível estabelecer uma relação sólida sem diálogo. O mesmo acontece com a oração. Não há comunhão sem diálogo. A oração nos ajuda a reforçar nosso vínculo com Deus, e é urgente ensiná-lo aos nossos filhos. Podemos falar de oração até cansar, mas nada substitui o nosso exemplo concreto. É o nosso exemplo o que mais fala sobre a importância de rezar. É, portanto, à medida da nossa oração que crescerá nosso relacionamento com Deus e com nossos filhos.

Nesta época de instabilidade, pergunte aos seus filhos o que eles costumam pedir ao rezar. Assim, unido a eles, você poderá rezar diretamente por suas necessidades e preocupações, e também pelas de seus amigos. Se fizer isso, você se surpreenderá com o que pode aprender sobre a vida deles.

3. Leia a Sagrada Escritura com seus filhos. — Ler a Escritura com seus filhos pode parecer óbvio, mas temos de nos perguntar se o estamos fazendo bem. Quando digo ler a Sagrada Escritura, refiro-me a pegar a Bíblia e lê-la. Isso não quer dizer que bíblias ilustradas e para crianças não sirvam para nada; elas podem, sim, ser usadas, mas como recursos complementares.

Isso ajudará as crianças a desenvolver um profundo amor pela Sagrada Escritura, o que, por sua vez, levantará mais dúvidas a que poderemos responder. Isso revelará ainda o fundamento bíblico da fé católica e os ajudará a resistir às objeções anticatólicas que virão no futuro. Também é importante sermos honestos em nossas respostas. Se as crianças nos fizerem uma pergunta a que não sabemos responder, precisamos admiti-lo, fazer nossa pesquisa e voltar com a resposta.

Não há ocasião mais apropriada do que a atual para fortalecer nosso compromisso com a leitura da Sagrada Escritura. Isso substituirá parte do tempo que as crianças passam na frente da TV, enquanto as aulas estão suspensas. Ensine-lhes que as Escrituras são cartas de amor enviadas por Deus. Isso ressaltará o quanto elas são importantes para a nossa fé.

Conclusão. — Esses três itens são apenas algumas das muitas coisas que você pode fazer para educar seus filhos na fé nesta época estranha. Reserve um tempo e faça um plano. A fé não para, e nossa responsabilidade como pais é transmiti-la. Estamos sendo forçados a ir mais devagar, e isso é algo bom. Aproveitemos essa oportunidade para ensinar nossos filhos a respeito de Cristo e sua Igreja.

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