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Homilia Dominical
9 Dez 2016 - 25:21

A alegria de ter um Salvador

Sabe por que a modernidade não se alegra mais com a vinda do Salvador, assim como o povo de Israel exultava à espera do Messias? Porque, em nossa petulância, não achamos mais que precisamos ser salvos! Iludidos com as coisas deste mundo, pensamos que "tudo vai bem" e que não há nada de errado com o estilo de vida que levamos. Afinal, do quê mesmo Jesus vem nos salvar? Que obras Ele vem realizar concretamente em nossas almas?
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Homilia Dominical - 9 Dez 2016 - 25:21

A alegria de ter um Salvador

Sabe por que a modernidade não se alegra mais com a vinda do Salvador, assim como o povo de Israel exultava à espera do Messias? Porque, em nossa petulância, não achamos mais que precisamos ser salvos! Iludidos com as coisas deste mundo, pensamos que "tudo vai bem" e que não há nada de errado com o estilo de vida que levamos. Afinal, do quê mesmo Jesus vem nos salvar? Que obras Ele vem realizar concretamente em nossas almas?
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
11, 2-11)

Naquele tempo, João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?"

Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!"

Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis.

Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'. Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele".

"Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos", diz a leitura do profeta Isaías, narrada neste domingo, "o coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos" (Is 35, 5-6). A descrição se encaixa perfeitamente no quadro das obras de Cristo, tema do Evangelho de hoje. Procurado pelos discípulos de João Batista, é exatamente esse o cenário que o Senhor lhes coloca diante dos olhos: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados".

O Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, ao comentar essa passagem das Escrituras, mostra como todos esses prodígios resumem a obra salvífica de Cristo, a qual é eminentemente espiritual. Deus fez-se homem, de fato, não simplesmente para operar milagres físicos — como pode pensar quem interpreta apenas em um sentido literal as leituras deste domingo —, mas para justificar os seres humanos, para salvá-los, transformando-os de pecadores e escravos de Satanás em santos e filhos adotivos de Deus. Essa obra, que é maior do que os céus e a terra [1], está significada em cada um dos trabalhos enumerados por Nosso Senhor:

"Falando em um sentido moral, está significado, nesses sinais da vinda do Senhor, todo o processo de santificação do homem. A primeira coisa, de fato, que advém ao pecador, é a cegueira, quando sua razão é obscurecida, tal 'como o abortivo que nunca viu a luz do dia' (Sl 58, 9) e como 'o povo que, mesmo tendo olhos, é cego' (Is 43, 8); ele é chamado de paralítico quando sua mente é conduzida a várias coisas, como está em 1Rs 18, 21: 'Até quando andareis mancando de um lado e de outro?'; da mesma forma ele se torna ulceroso, pelas insídias, e leproso, porque já não pode voltar atrás e passa a infectar outras pessoas; depois, fica surdo, pois o castigo não é mais ouvido por ele; e, por fim, ele morre. Todos esses, no entanto, sana o Senhor, inclusive os mortos, como está escrito: 'Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos' (Ef 5, 14). Por último, são sanados também os pobres em espírito, aos quais falta sanidade, como diz o Salmo: 'Meus rins estão ardendo, em mim nada há de sadio' (Sl 38, 8). Curados, eles são elevados a uma certa estabilidade da mente, na qual se encontra a verdadeira paz, como também está escrito: 'Muita paz tem quem ama a tua lei, no seu caminho não há tropeço' (Sl 119, 165)." [2]

Como essa mensagem se conjuga com o tom alegre da liturgia deste domingo — chamado de gaudete, por causa de sua antífona de entrada (cf. Fl 4, 4) —, é coisa muito fácil de entender. Assim como o povo de Israel, sofrendo no exílio, se alegrava ao saber que estava próxima a sua libertação, também nós devemos verdadeiramente exultar por termos um Salvador. Se muitas vezes não o fazemos, a razão está em que não compreendemos ainda a miséria de nossa condição, não enxergamos a cegueira, a paralisia, a lepra, a surdez e a morte que habitam em nossos corações, dominados pelo pecado. Pior do que isso é ver como, em nossa época, as pessoas têm feito o possível para "maquiar" a situação humana de afastamento de Deus, transformando essa existência passageira numa ilusão terrivelmente alienante. Para nos servirmos de duas analogias, somos como essas pessoas de idade que, para disfarçarem as rugas, enchem o rosto de produtos e fazem cirurgias plásticas, para parecerem o que não são: jovens. Somos ainda como os passageiros anestesiados de um Titanic, cantando e dançando nos "bailes da vida", enquanto o nosso navio, quer tenhamos ou não consciência, está prestes a afundar. A verdade é que esta existência terrena é uma realidade muito pobre e transitória, diante da eternidade que nos espera. Se ficarmos apegados às coisas deste mundo, passaremos com ele; afundaremos juntamente com o Titanic.

O Senhor, no entanto, tem botes "salva-vidas" prontos para resgatar-nos, e todos os que Ele salvar "voltarão para casa" (Is 35, 10). Por isso, alegremo-nos! Procuremos sanar as nossas enfermidades no amor misericordioso de Deus, que nos acolhe, nos perdoa e nos conduz à vida eterna. Reconciliemo-nos com Ele, se porventura tivermos perdido a sua amizade, e fortaleçamos nossas resoluções de O servir com generosidade! "Não há nada melhor no mundo", afinal, "do que estar em graça de Deus" [3], tendo o menino Jesus repousando no presépio de nosso coração.

Referências

  1. Cf. Santo Agostinho, In Evangelium Ioannis, 72, 3 (PL 35, 1823); Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9.
  2. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São Mateus, c. 11, l. 1.
  3. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 286.
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