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A multiplicação dos pães e os dons de Deus

Se assim forem necessários para a nossa salvação, Jesus nos concede bens materiais que podem nos auxiliar muito. No entanto, se apenas procurarmos a Cristo pela conveniência de seus dons, Ele irá se afastar de nós, e cairemos na perdição.

Texto do episódio
523

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 34-44)

Naquele tempo, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e já é tarde. Despede o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer”. Mas Jesus respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” Jesus perguntou: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes”. Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinquenta pessoas. Depois Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. Todos comeram, ficaram satisfeitos, e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens. 

O Evangelho de hoje apresenta o milagre da multiplicação dos pães, dando alimento a uma multidão faminta. Jesus, no Pai Nosso, ensina-nos a pedir “o pão de cada dia”, porque na jornada desta vida nós precisamos de energia — ou seja, de alimento — para alcançarmos a nossa meta. De fato, o nosso percurso é uma grande travessia pelo deserto desta vida, assim como o povo de Israel teve de enfrentar, já que o jardim das delícias acabou-se com Adão e Eva. 

O Salmo 77 nos recorda: “Poderá Deus preparar-nos uma mesa no deserto?”, e foi com esse pensamento que o povo de Israel pecou, murmurando contra Deus e duvidando d’Ele. Porque Ele os havia libertado do poder do Faraó, e agora lhes fazia passar por aquele deserto causticante? O que, afinal, quer Deus quando permite que nós, que o buscamos incessantemente, estejamos em estado de necessidade e passemos por aflições e dificuldades?

Primeiro, o Senhor deseja a nossa fé, a fim de que compreendamos onde se encontra o nosso verdadeiro bem, que não é material. Contudo, os bens da terra devem servir para nos conduzir para os bens do Céu. Nos seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio de Loyola apresenta aquilo que ele chama de princípio e fundamento: o homem está neste mundo para amar, servir e honrar a Deus, porque, com isso, irá alcançar a salvação. Mas o ser humano também tem um lugar de preeminência em toda a Criação, porque o universo criado está a seu serviço, para ajudá-lo a melhor servir a Deus. 

Portanto, devemos nos aproximar das coisas criadas que nos levam ao caminho do Céu, e não daquilo que nos faz esquecer de Deus. Essa é a chave de leitura para o milagre da multiplicação dos pães. Não podemos achar que Deus não se importa com o bem-estar material das pessoas e, por isso, não irá fazer milagres para alimentar um povo sofrido no deserto, por exemplo. Ele, realmente, pode nos conceder bens materiais para nos auxiliar, mas sob uma condição: se eles forem necessários para a nossa salvação. 

Então, para o povo de Israel que teve fé e procurou a Jesus em primeiro lugar, Ele realizou a multiplicação dos pães, pois já nos diz o Evangelho: “Buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6, 33).

No entanto, o Evangelho de São João acrescenta alguns detalhes a esse mesmo episódio, mencionando fatos que não são muito agradáveis: posteriormente, esse mesmo povo começa a procurar Jesus apenas por causa do pão, quase que idolatrando o seu divino dom, e por isso Cristo se afasta deles.

Isso deve nos levar ao seguinte questionamento: estamos buscando o Deus dos dons, ou somente os dons que Ele pode nos conceder? É importante fazermos esse exame de consciência, especialmente agora que estamos iniciando o ano, e voltarmos o nosso olhar para o nosso Único Necessário, Jesus Cristo. Assim, Ele irá nos conceder os seus santos dons, e poderemos usá-los ao longo de nossas vidas para cada vez mais nos aproximarmos de Deus, a fim de amá-lo e servi-lo.

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