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1194. Solenidade da Natividade de São João Batista

A Igreja celebra hoje a natividade de São João Batista. Mas, afinal, por que comemorar o nascimento do Precursor de Cristo? O que há de especial neste nascimento, o único, além do Natal e da natividade da Virgem Maria, que os cristãos costumam celebrar?

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 57-66.80)

Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém disse: “Não! Ele vai chamar-se João”.

Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados. No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia. E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel.

Celebramos hoje a solenidade do nascimento de S. João Batista, primo de Nosso Senhor. E para bem aproveitarmos esta celebração, é importante levar em conta as razões por que a Igreja Católica comemora em sua Liturgia apenas três natividades: a) a de Nossa Senhora, b) a de Jesus Cristo e, hoje, c) a do Precursor. Todos os homens, com efeito, estão implicados no pecado de Adão, pai do gênero humano, de sorte que todos herdam uma natureza privada da santidade e da justiça originais que os nossos protoparentes receberam de Deus antes da queda (cf. CIC 404). Ora, é apenas por meio do Batismo que é apagada em nós a mancha do pecado original e nos é conferida a vida da graça (cf. CIC 405). Por isso, todo homem, desde a sua concepção, nasce em estado de pecado e necessita, para ser justificado, do lavatório da regeneração: “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5).

Há no entanto três casos especialíssimos em que, por disposição da divina Providência, existe santidade desde o ventre materno: a) em primeiro lugar, Jesus Cristo, que, por ser o próprio Verbo encarnado, não poderia herdar de forma alguma a herança de Adão: Ele, ao assumir a forma de servo, elevou o que é humano sem diminuir o que é divino, passando “pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hb 4, 15); b) Maria SS., por sua vez, foi preservada do pecado, vencendo-o por sua santa e Imaculada Conceição; c) João Batista, enfim, foi santificado já no seio materno, conforme aquilo de S. Lucas: “Apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41). A Igreja crê, pois, que por ocasião da visitação de Nossa Senhora à sua prima Deus purificou do pecado aquele que, nas palavras de Zacarias, seria “chamado profeta do Altíssimo” (Lc 1, 76).

Justificado, assim, desde o seu primeiro encontro com Cristo, S. João Batista foi santificado pelo Pai a fim de poder preparar como convinha as veredas do Filho (cf. Mt 3, 3). Ele, que é com justiça o último e o maior dos profetas (cf. Lc 7, 26), constitui como que a abóbada e o remate do Antigo Testamento: inaugurando o Evangelho (cf. Lc 16, 16; At 1, 22) pela pregação da conversão e da penitência, o Batista quer nos levar a morrer para o pecado, a fim de que Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29), nos faça nascer para a graça e a vida verdadeira. Ouçamos hoje com atenção os apelos do Precursor; convençamo-nos de que, se não morrermos para nós mesmos e para o nosso egoísmo, não poderemos deixar o Cristo ser gerado em nós. Convertamo-nos e façamos penitência, com amor e generosidade, porque o Reino de Deus está mais do que próximo (cf. Mt 3, 2): está já aqui, neste tempo da Igreja, em que por graça nos é dado e ver e viver o que o Precursor anunciou sem ter visto nem vivido a não ser em figura e preparação.

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