CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Texto do episódio

Texto do episódio

imprimir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 15,1-10)

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles".

Então Jesus contou-lhes esta parábola: "Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.

E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!' Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte".

O Evangelho de hoje nos confronta com uma característica peculiar do amor de Deus para conosco: ele é essencialmente misericordioso. De fato, Deus é amor (cf. 1Jo 4, 8) e, no mistério de sua vida íntima, Ele se ama a si mesmo: as Três Pessoas da Trindade Santa, com efeito, vivem uma vida de perfeita comunhão e alegria. Elas porém não têm misericórdia entre si. É apenas ao pobre, ao indigente, ao miserável, enfim, que se pode amar com misericórdia. Trata-se, pois, de um amor entre desiguais, que vem de cima para baixo: Deus, na sua perfeição, na sua sublimidade que se basta a si mesma, lança um olhar compassivo para o homem, cheio de misérias e pecados, e o ama com um amor entranhado. E o ama a tal ponto, que o próprio Deus decide despojar-se de sua glória e vir ao encontro daquela única ovelha extraviada; a misericórdia divina move o Senhor a procurar com zelo e talvez até alguma "impaciência" aquela única moedinha, sem grande valor em si mesma, mas preciosa aos olhos daquele que tem ao seu redor uma multidão de justos.

A leitura desta 5.ª-feira, nesse sentido, revela como Deus é ativamente misericordioso. Ao contrário da parábola do filho pródigo, em que a ação do Pai fica, por assim dizer, em segundo plano, as duas histórias que Cristo hoje nos conta demonstram como Deus está constantemente à nossa procura; é, na verdade, à humanidade inteira, figurada na ovelha e no dracma perdidos, que Ele se dirige e, como fizera também àquele Adão caído, pergunta: "Onde estás?" (Gn 3, 9). Ele nos procura, sim, pois nos perdermos de nós mesmos. Foi o pecado que nos levou a estarmos onde não somos; a querer o que não podemos; a fugirmos de nós mesmos e, assim, a escondermo-nos da face do Senhor (cf. Gn 3, 8). A esta busca amorosa de Deus, que deseja trazer-nos de volta ao seu rebanho, a tirar-nos da alienação do pecado, nós somos chamados a corresponder pelo reencontro com o nosso eu verdadeiro, com aquele eu que, sem máscaras e dissimulações, se vê e reconhece claramente, que enxerga, à luz do amor de Deus, as próprias misérias. Que Ele nos conceda, pois, a alegria de, amando-o de volta, irmos pressurosos ao encontro deste Pai que se esquece de si mesmo, para que nos lembremos nós de quem realmente somos.

Material para Download

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.