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503. A vítima pascal

O Evangelho de hoje, dia 8 de abril, nos mostra o Conselho dos chefes do povo decidido a entregar à morte Aquele que é o Autor da vida. "É melhor um só morrer pelo povo", profetiza Caifás, "do que perecer a nação inteira."

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
11, 45-56)

Naquele tempo, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: "Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação".

Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: "Vós não entendeis nada. Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?" Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.

Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: "Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?"

O milagre da ressurreição de Lázaro, assim explica um estudioso da S. Escritura [1], teve um duplo efeito: suscitou em uns a fé e em outros, inveja e ódio; a fé, por um lado, em muitos dos que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera; a inveja e o ódio, por outro, nos fariseus e pontífices (cf. Jo 11, 45). E, como nos diz o Evangelho de hoje, trazer Lázaro de volta à vida foi o motivo por que o Conselho dos chefes do povo enfim decidiu condenar Cristo à morte. Não havia mais como negar a sua singularidade: "Este homem realiza muitos sinais", confessam. "Se deixamos que Ele continue assim, todos vão acreditar nEle"; em seguida, dissimulando sua raiva contra o Senhor sob as aparências de uma preocupação com o bem comum (cf. Jo 11, 48), determinam-se a pôr a fim à pregação dAquele que, versículos antes, revelara ser a ressurreição e a vida (cf. Jo 11, 25).

A resolução de cometer este terrível crime é posta na boca de Caifás, sumo sacerdote em função no ano em que morreria o Filho do Homem: "Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?" Deus aqui se serve das palavras por que este ímpio sacerdote prepara a morte de Cristo para significar tanto o sentido quanto o alcance do sacrifício expiatório do Calvário. De fato, Cristo se oferecerá ao Pai no madeiro da Cruz "não só pela nação", como diz o Evangelista, "mas também para reunir os filhos de Deus dispersos" por todo o mundo, a fim de que se cumprisse o que o próprio Senhor dissera: "Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco", quer dizer, que não são de origem judaica. "Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).

Ele entregará a vida no Calvário não só por perder a sua mediante a morte, mas também por dá-la a nós em abundância, isto é, por conseguir-nos por meio de sua expiação dolorosa uma vida que não acaba com a morte do corpo. É com estas verdades bem presentes ao espírito que devemos preparar-nos para a semana derradeira que começa amanhã, Domingo de Ramos. Assim como o Autor da vida entrará, nestes próximos dias, em duelo com a morte, assim também nós, ao longo da Semana Santa, devemos redobrar nossas forças na luta contra o pecado. Já sabemos de antemão que a Vida venceu a morte, que Cristo triunfou sobre Satanás; coloquemo-nos, pois, ao lado da Vítima vencedora, para participarmos de sua glórias pascoais, e afastemo-nos das "potestades" derrotadas deste mundo, que jaz na escuridão do pecado e na sombra da morte.

Referências

  1. Cf. H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 7.ª ed., de integro retractata a G. G. Dorado, Taurini: Marietti, 1955, vol. 1, pp. 793-794, n. 591.
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