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Agostinho é uma das personagens históricas mais importantes do mundo. O seu legado não somente transformou a civilização, como facilitou o surgimento de outros eminentes doutores da Igreja, como Santo Tomás de Aquino. Mas isso só aconteceu pela intervenção divina, que transformou um pecador contumaz num grande santo. A conversão de Santo Agostinho é, ao lado da experiência de São Paulo Apóstolo, um fenômeno marcante para toda a Igreja, que merece ser estudado por quantos desejam atingir a perfeição cristã.

Agostinho nasceu em Tagaste, por volta do ano 354 d.C.. Embora sua mãe, Santa Mônica, fosse cristã, ela não quis batizá-lo por medo de que o filho se perdesse no pecado e tivesse de pagar as duras penas da confissão. Naquela época, um pecador público era submetido a graves humilhações antes de ser readmitido à comunidade. Santa Mônica preferiu apenas catequizá-lo. Em todo caso, essa educação que Agostinho recebeu na infância serviu para aproximá-lo minimamente de Jesus.

Na juventude, Agostinho revelou-se um prodígio dos estudos. Apaixonou-se pela retórica e, mais tarde, a leitura do livro Hortensius, de Cícero, convenceu-o de que tinha de procurar fervorosamente a verdade. Movido por esse desejo, flertou com o maniqueísmo e outras filosofias até finalmente render-se à pregação de Santo Ambrósio. O bispo de Milão abriu seus olhos para Cristo e a Igreja, e o filho de Santa Mônica se viu constrangido a abraçar a religião católica.

A pregação de Santo Ambrósio e a intercessão de Santa Mônica foram decisivas para a conversão de Agostinho. Durante a juventude, ele havia adquirido o vício da luxúria, de modo que os pecados da carne eram realmente presentes na sua vida. Agostinho chegou a ter um filho, Adeodato, com uma de suas amantes. Mas depois da conversão, ele já não podia viver essas paixões sem sentir uma enorme vergonha. Santa Mônica rezava para que ele se casasse com uma boa mulher, mas Deus o chamava para uma perfeição maior. E grandes foram as suas lutas.

Quando Agostinho finalmente decidiu abraçar a Igreja, sua mãe regozijou-se: “Uma só coisa me fazia desejar viver um pouco mais, e era ver-te católico antes de morrer. Deus me concedeu esta graça superabundantemente, pois te vejo desprezar a felicidade terrena para servi-lo” (Confissões, IX, 10). De fato, Agostinho já não era o mesmo. Ele via uma luz brilhar diante de seus olhos, convidando-o para uma nova vida: a luz da verdade. E a graça começava a mover o seu coração ainda pagão, de modo que já não tinha mais desculpas para fugir de Deus:

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz (Confissões, VII, 10).

A conversão de Agostinho é algo excepcional. Ele não se converteu moralmente, como a maioria dos cristãos, mas intelectualmente; foi o interesse pela verdade que o levou até a luz de Cristo. Como já explicamos em outras oportunidades, a engenharia da santidade passa por um encontro com a Verdade, cuja luz revela o verdadeiro caminho para a felicidade eterna. E o conhecimento dessa luz, que é a graça suficiente, moveu a vontade de Agostinho para a comunhão com Deus. Antes mesmo de ser batizado, Deus já o convidava para uma vida inteiramente renovada.

Nos primeiros anos, Agostinho viveu uma luta intensa entre a sua razão e a sua vontade. Ele já conhecia a verdade, mas não tinha forças para largar totalmente o pecado, e os prazeres da carne o consumiam. Agostinho queria dar o passo definitivo da sua conversão sem, no entanto, abandonar os velhos prazeres. Desse modo, ele adiava a sua entrega a Deus o quanto podia.

Certo dia, ouviu a história de Santo Antão e ficou profundamente impressionado com o seu desprendimento das coisas do mundo. A notícia de que, em Milão, havia monges que viviam aquele mesmo estilo de vida fez Agostinho chorar. Ele via sua miséria e se atormentava pela dureza de seu coração, pela resposta negativa que dava ao chamado de Deus.

Depois de tanta luta, Agostinho foi a um jardim chorar novamente, quando ouviu a voz de uma criança cantar: “Toma e lê”. Obediente, abriu as Sagradas Escrituras e leu a Carta de São Paulo aos Romanos, que diz: “Não caminheis em glutonarias e embriaguez, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em contendas e rixas; mas revesti-vos de nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis de satisfazer os desejos da carne” (13, 13-14). E a graça de Deus o iluminou: “Não quis ler mais, nem era necessário. Quando cheguei ao fim da frase, uma espécie de luz de certeza se insinuou em meu coração, dissipando todas as trevas de dúvida” (Confissões, VIII, 12).

Essa é a engenharia da santidade. Deus quer nos fazer totalmente santos e deve nos auxiliar com a sua graça. Todavia, precisamos buscar a verdade pela meditação, a fim de que a luz de Deus fortaleça a nossa vontade, assim como ocorreu com Agostinho. Precisamos nos expor à verdade até que não sobre mais dúvidas. De resto, Ele mesmo se encarregará de nos santificar.

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