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501. “Antes que Abraão fosse, Eu sou”

No Evangelho de hoje, um grupo de judeus furiosos apressa-se para apedrejar Jesus. O ódio que os move é a resposta de um coração fechado à verdade de que Cristo, mais do que um simples profeta, é o próprio Filho de Deus.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
8, 51-59)

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: "Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte". Disseram então os judeus: "Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte'. Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?"

Jesus respondeu: "Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se". Os judeus disseram-lhe então: "Nem sequer cinquenta anos tens, e viste Abraão!" Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou". Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo.

O oitavo capítulo do Evangelho segundo São João, que começara com uma pobre adúltera prestes a ser condenada à morte pelos chefes do povo (cf. Jo 8, 1-11), se encerra hoje com um grupo furioso de judeus dispostos a apedrejar o próprio Autor da vida. O ódio que os motiva, como deixa claro a leitura desta quinta-feira, provém da verdade que o Senhor, sumamente veraz, jamais poderia ocultar: "Antes que Abraão fosse, Eu sou". Com um coração de pedra, fechados à luz do Cristo, os ouvintes de Jesus julgam-nO blasfemo por igualar-se a Deus e, por isso, apressam-se para matá-lO (cf. Lv 24, 16). É importante notar que os judeus de que aqui se trata parecem ser os mesmos que, alguns versículos antes, se mostraram abertos à doutrina de Jesus (cf. Jo 8, 31). Esse ponto é de especial importância porque nos revela que, mais do que crer e obedecer exteriormente, o que o Senhor espera de nós é que nos deixemos transformar interiormente por sua palavra, isto é, que nos deixemos ferir pela verdade, que, embora amarga e exigente, é sempre fonte de salvação: "Se alguém guardar a minha palavra", diz, "jamais verá a morte" (cf. Ap 20, 14).

Jesus, com efeito, não é um profeta como os demais; não é um líder religioso como os "cabeças" das tantas seitas que pululam pelo mundo; não é, enfim, um pensador interessante cujas ideias possam ser relativizadas ao gosto do freguês. Ele é o próprio Filho encarnado, o único que, estando no seio do Pai, viu a Deus e nos pode dar a conhecer (cf. Jo 1, 18) os mistérios da intimidade dAquele que habita em luz inacessível (cf. 1Tm 6, 16). Que Ele nos dê a graça de, com um coração humilde, aceitarmos a sua verdade e, com uma boa-vontade, nos conformarmos plenamente às exigência de sua palavra salvífica. Não nos contentemos, pois, com ser meros "crentes bem comportados", que gostam de belas pregações e se pavoneiam de ser "filhos de Abraão"; antes, deixemos que Aquele que é maior do que Abraão transforme nossa vida, nos revele nossos defeitos, toque nossas feridas e nos conduza à maturidade na fé e no amor verdadeiros.

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