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Católicos, não temam a perseguição!

Ao cumprirmos nossa missão de ser “sal da terra” e “luz do mundo”, é inevitável que sejamos perseguidos e caluniados, pois a verdade do Evangelho incomoda os que são insossos e vivem nas trevas.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 13-16)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos, que estão na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

Meditação. — 1. Neste 5.º Domingo do Tempo Comum, vamos meditar sobre o Evangelho de São Mateus (5, 13-16), em que Nosso Senhor nos exorta a sermos “sal da terra” e “luz do mundo”. Primeiramente, precisamos compreender que o contexto imediato desse texto é o Sermão das Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-12), mais especificamente a última delas, em que Jesus afirma: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim, alegrai-vos e exultai porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 11-12).

Após essa última bem-aventurança, Jesus olha para os discípulos — que ele havia exortado a se alegrarem com as perseguições — e declara: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo”. Normalmente não consideramos esse contexto, mas Santo Tomás de Aquino, no seu Comentário ao Evangelho de São Mateus, afirma que as duas realidades estão intimamente ligadas: é justamente quando os discípulos cumprem sua missão de ser “sal da terra” e “luz do mundo” que eles são perseguidos e rejeitados pelo mundo. Nesse cenário, para que os discípulos não se intimidem diante das perseguições, Jesus alerta-os de que “não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte” e que “ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha”. Ao dar-nos o dom da fé, Jesus acendeu, em nossos corações, uma luz, a qual não pode ficar escondida, mas deve ser colocada em um candelabro, a fim de que “também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está no Céu” (Mt 5, 16).

Este Evangelho deve fazer-nos refletir sobre uma realidade constante na história da Igreja: embora os discípulos estivessem muito unidos a Jesus e realizassem as boas obras que Ele recomendou, ainda assim eles estavam sendo perseguidos. Isso mostra como é totalmente ingênua a ideia de quem, desconsiderando dois mil anos de cristianismo, pensa que, se nós, católicos, amarmos as pessoas e fizermos boas obras, o mundo vai nos aceitar e a Igreja Católica ficará em harmonia com o mundo. Ora, Jesus Cristo, o próprio amor que se fez carne e habitou entre nós, foi crucificado. Da mesma forma os Apóstolos: fizeram inúmeros milagres, ajudaram muitas pessoas e curaram-nas de males físicos e espirituais; mesmo assim, foram martirizados.

A doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ser “sal” e “luz”, incomoda os que são insossos e vivem nas trevas. No Evangelho de João, Jesus, procurado durante a noite pelo chefe dos judeus, Nicodemos, disse-lhe: “Todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (Jo 3, 20). Assim, ao acender a luz da Verdade por meio da pregação e das obras, Jesus e os Apóstolos atraem para si o ódio do mundo, que prefere viver na escuridão, onde suas más ações permanecem ocultas e dissimuladas.

2. Relacionando a narrativa do Evangelho à nossa realidade, precisamos considerar o seguinte fato: o mundo jamais aceitará a Igreja enquanto um poder que ensina. Se pudéssemos conceituar a Igreja que é aceita pelo mundo moderno e que se conformou com ele, é justamente aquela que renunciou ao seu poder de ensinar. Enquanto exemplo histórico, vemos tal realidade expressa concretamente na Igreja Anglicana, onde não há um corpo doutrinário uno e consistente, mas cada pessoa crê naquilo que bem entende. Essa é a igreja dos sonhos do mundo moderno: uma que renunciou ao seu poder de ensinar.

Nesse sentido, a Igreja Católica é um grande incômodo para o mundo, pois não negligencia a sua missão de ensinar a Verdade do Evangelho. Aplicando isso às nossas vidas, podemos olhar para a realidade familiar. O mundo moderno cada vez mais relativiza a noção de família, considerando-a como qualquer aglomerado de pessoas. Porém, a Igreja sabe e ensina que a família é, primeiramente, a origem da vida, pois na união do homem e da mulher surge a vida; mas, para além dessa realidade biológica, a família é também um poder educacional. Trata-se, pois, de uma aliança de amor onde um homem e uma mulher se unem, abertos à vida, têm filhos e estão dispostos a se sacrificar para educar esses filhos.

No entanto, a fim de usurpar o poder educacional da família, o mundo moderno utilizou-se da falácia da “igualdade dos sexos”. Assim, em nome de pretensos direitos, as mães foram “libertadas” de seus lares e passaram a servir como “escravas” das empresas privadas ou dos órgãos estatais. A educação dos filhos foi delegada ao Estado, que possui total ingerência sobre as escolas, ditando aquilo que pode ou não ser ensinado às crianças.

A família que é aceita pelo mundo moderno é justamente essa que renunciou ao seu poder de ensinar. Já aquela que realmente educa será perseguida e ridicularizada pelo mundo, que dela escarnecerá, atribuindo-lhe a pecha de retrógrada e opressora. E a Igreja, que adverte contra essas distorções, pois foi instituída por Jesus para ser “sal da terra” e “luz do mundo”, é perseguida e continuará sendo, enquanto não renunciar ao seu poder de ensinar.

3. Jesus Cristo, antes de subir aos céus, disse aos Apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e fazei discípulos” (Mt 28, 19). Ou seja, ensinar faz parte da própria natureza da Igreja, de modo que, se ela renunciar a essa missão educadora, estará negando a sua própria essência e traindo o mandato de Nosso Senhor.

Aqui, nós percebemos claramente qual é a verdadeira Igreja de Cristo. A Igreja instituída por Cristo e confiada aos Apóstolos é a Igreja dos missionários e dos mártires. Todos os Apóstolos de Cristo foram missionários e mártires [1], mas é exatamente isso que o mundo moderno não aceita no cristianismo. O missionário é alguém que dá a vida e está disposto a sofrer para que as pessoas se convertam, saiam do erro e creiam na Verdade, que é Cristo. Por sua missionariedade, a Igreja é perseguida e rechaçada pelo mundo moderno, que a acusa de ser imperialista religiosa, pois ousa ser “católica”, universal.

Já uma igreja que seja simplesmente um clubinho, um reduto de pessoas que seguem tradições folclóricas, sem a pretensão de ensinar e converter ninguém, essa será aceita, elogiada e aplaudida pelo mundo. Tal igreja será aclamada como “atual”, dos “novos tempos” e “moderna”; no entanto, seria apenas uma igreja que renunciou à missão dada por Cristo. Por exemplo, um padre que celebra Missa com rendas, incenso, casula, canto gregoriano e tudo aquilo que, na exterioridade, possa parecer uma realidade muito tradicional, pode até ser aceito pelo mundo, desde que ele não seja um padre que ensine.

A verdadeira Igreja, odiada e perseguida pelo mundo, é também a Igreja dos mártires, isto é, daqueles que estão dispostos a morrer pela Verdade e de proclamá-la sem reservas. O mundo nos acusa de sermos inquisidores que matam pela Verdade. Mas é justamente o contrário, a identidade da Igreja de Cristo é a daqueles que morrem pela Verdade, e derramam o próprio sangue para que outros a conheçam.

Assim, pois, só seremos membros da Igreja apostólica, se tivermos essa disposição ao martírio e à missão. Caso contrário, o sal terá perdido o seu gosto e a luz terá sido colocada debaixo do alqueire. Nosso Senhor nos quer missionários e mártires, sal da terra e luz do mundo, mesmo que o preço seja a perseguição, porque, para aqueles que são perseguidos por amor a Cristo, está reservada a bem-aventurança do céu.

Oração. — Senhor Jesus Cristo, Vós que fostes perseguido, flagelado e crucificado, ajudai-nos a permanecer fiéis à missão de sermos “sal da terra” e “luz do mundo”, mesmo que por isso sejamos perseguidos e caluniados. Amém. 

Notas

  1. Até mesmo São João de certa forma foi martirizado, ao ser jogado em um caldeirão de óleo quente, embora, nessa ocasião, Deus o tenha livrado da morte.
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