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192. Como ensinar a seu filho qual é a verdadeira Igreja de Cristo?

O seu filho está habituado a viver num mundo onde tudo é questão de mercado. Não seriam as religiões do mesmo jeito? Nesta aula, Padre Paulo Ricardo apresenta de uma forma fácil e didática aquilo que distingue a Igreja Católica das demais denominações cristãs.

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Muitos pais encontram dificuldade em ensinar aos seus filhos que a Igreja Católica é a verdadeira Igreja de Cristo. Isso acontece porque, hoje em dia, é crença quase comum entre as pessoas achar que a Igreja Católica é apenas mais uma entre as outras tantas denominações que surgem todos os dias em algum bairro por aí. As pessoas tendem a pensar em Igreja como uma placa ou marca que se pode escolher conforme o gosto do freguês. Com base nessa opinião, cai-se no erro comum de pensar que a única diferença substancial entre o catolicismo e o protestantismo seja a do nome.

Para desfazer esse nó na cabeça das crianças, a primeira coisa que lhes deve ser ensinada é a união íntima entre Cristo e a Igreja, também descrita pelo Concílio Vaticano II “como esposa imaculada do Cordeiro imaculado, a qual Cristo ganhou e por quem Se entregou, para a santificar (Ef 5, 25-26), uniu a Si por um indissolúvel vínculo, e sem cessar ‘alimenta e conserva’” (Lumen Gentium, I, 6). Tal eclesiologia é não só diferente da que professam os protestantes, mas encerra um significado todo particular que torna a Igreja Católica única e incomparável.

Como aparece no Antigo Testamento, Deus não abandonou o homem à própria sorte depois do pecado original, mas “procurou imediatamente salvar a humanidade intervindo com cada uma das suas partes”, a começar pela aliança com Noé (Catecismo da Igreja Católica, n. 56). Essa mesma aliança foi aprofundada no compromisso estabelecido com Abraão, do qual se originou “o povo escolhido de Deus”. Da pessoa de Jacó, neto de Abraão, formaram-se as doze tribos de Israel.

No Antigo Testamento, a relação entre Deus e o homem se dava por laços sanguíneos, conforme ainda hoje creem os judeus. Para fazer parte desse “povo de Deus”, portanto, o único modo possível era pertencer a alguma dessas mesmas tribos, o que explica por que os israelitas não fazem proselitismo religioso.

Conforme a Tradição bimilenar da Igreja, a aliança do Antigo Testamento aconteceu “como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida e da revelação mais completa que seria transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne” (Conc. Vat. II, Lumen Gentium, II, 9). Uma vez nascido da tribo de Judá, a mesma tribo do Rei Davi, Cristo viu a necessidade de reformar o povo de Deus e, por meio de sua pregação e milagres, reuniu um grupo de discípulos dentre os quais escolheu doze apóstolos, como sinal da restauração das doze tribos de Israel e para os quais conferiu poderes especiais sobre o resto dos fiéis: “[...] os ministros que têm o poder sagrado servem os seus irmãos para que todos os que pertencem ao Povo de Deus, e por isso possuem a verdadeira dignidade cristã, alcancem a salvação” (Lumen Gentium, III, 18). Com essa atitude, Jesus aboliu a obrigação dos laços sanguíneos e abriu as portas do Céu para todo o gênero humano. A fé, e não o sangue, tornou-se o novo fundamento.

Protestantes e católicos estão de acordo até esse ponto. Ambos creem que Jesus formou um grupo de discípulos e extinguiu a necessidade dos laços sanguíneos para pertencer ao povo eleito. A divisão começa, porém, no entendimento da doutrina acerca do poder dos apóstolos sobre os fiéis.

Para o fundador do protestantismo, o padre Martinho Lutero, não haveria na Igreja essa distinção clara entre clero e laicato. Todos seriam absolutamente iguais. Lutero revoltou-se contra os pecados dos padres, bispos e papas e, a partir disso, julgou necessária uma nova teologia que, reformando a eclesiologia cristã, pusesse fim aos abusos clericais.

Ocorre que foi Jesus mesmo quem desejou a Igreja como uma instituição hierárquica e “as próprias diferenças que o Senhor quis que existissem entre os membros do seu Corpo servem a sua unidade e missão” (Catecismo da Igreja Católica, n. 873). Na última ceia, Cristo reuniu-se unicamente com os apóstolos para conferir-lhes o mandato de celebrar a Santa Eucaristia a todos os fiéis, o que se percebe por este discurso: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Também antes de sua ascensão, deu aos mesmos apóstolos a autoridade para batizar e perdoar os pecados dos homens (cf. Mt 28, 16-20; Jo 20, 23-22). Note-se, portanto, que o exercício do poder sagrado pelos sacerdotes não é concebido como “privilégio”; é, antes, um serviço destinado à santificação dos fiéis e cuja origem reside na vontade expressa do próprio Deus.

Os bispos da Igreja Católica têm as mesmas faculdades porque as receberam pela chamada “sucessão apostólica”:

Entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta são transmissores do múnus apostólico. E assim, como testemunha santo Ireneu, a tradição apostólica é manifestada em todo o mundo e guardada por aqueles que pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores. (Lumen Gentium, III, 20)

A Igreja protestante, por outro lado, nega tanto os sacramentos quanto a sucessão apostólica, de modo que seus pastores não são mais do que leigos investidos de uma relativa autoridade. Com efeito, os templos protestantes, por mais suntuosos que sejam, são apenas grandes monumentos de concreto, ao passo que a Igreja Católica, ainda que seja uma pequena capela em um bairro pobre, guarda em seu interior a presença santíssima de Nosso Senhor na Eucaristia. Daí que não se entenda o porquê de uma pessoa deixar a Igreja Católica, a única e legítima guardiã do corpo augustíssimo de Deus, para pertencer a uma igreja protestante, cujos edifícios não sustentam mais que paredes vazias e sem sentido.

Jesus deixou bem clara a necessidade dos sete sacramentos: o Batismo, a Crisma e a Eucaristia — sacramentos de iniciação —, o Matrimônio e a Ordem — sacramentos de missão —, e a Confissão e a Unção dos Enfermos — sacramentos de cura. Dentre esses, dois podem e devem ser recebidos com regularidade: a Eucaristia e a Confissão, este porque restabelece a graça perdida por causa do pecado, aquele porque aumenta a comunhão com o Corpo Místico de Cristo. Dada essa realidade sacramental, é fácil concluir por que a existência dos padres é fundamental para a santificação de cada pessoa e por que os fiéis beijam as suas mãos quando os encontram em algum lugar. O padre, sobretudo, não pode se esquecer de sua identidade e missão, motivo pelo qual ainda hoje a Igreja exige o uso do hábito eclesiástico também como sinal de entrega, pobreza e castidade (cf. Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, II, n. 61). Martinho Lutero revoltou-se precisamente porque se esqueceu do mistério do sacerdócio e deixou de crer na graça da celebração eucarística. Ele perdeu a fé.

Ora, a Igreja verdadeira de Cristo está onde estão os legítimos sucessores dos apóstolos, que guardam a Palavra e a transmitem por meio da pregação e das celebrações sacramentais. “Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”, ainda que nas outras comunidades eclesiásticas se possam identificar “numerosos elementos de santificação e de verdade” (Congreg. Dout. da Fé, Dominus Iesus, IV, 16). De fato, é somente na Igreja Católica que a Igreja de Cristo existe plenamente e, por isso, não poderão se salvar “aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar” (Lumen Gentium, II, 14).

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