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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 15, 1-10)

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.

Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’

Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.

Celebramos hoje a memória de S. Elisabete da Trindade, carmelita descalça que passou toda a sua vida religiosa no Carmelo de Dijon, na França, durante o primeiro lustro do século XX. Assim como S. Teresinha do Menino Jesus, da qual foi mais ou menos contemporânea, S. Elisabete teve uma vida bastante breve, morrendo com apenas 26 anos de idade, embora muito fecunda espiritualmente. Antes mesmo de entrar para o Carmelo, a santa de Dijon vivia desde a sua primeira comunhão, celebrada em abril de 1891, a experiência da inabitação trinitária, ou seja, da presença real das divinas pessoas da SS. Trindade na alma em estado de graça. S. Elisabete sentia-se e sabia-se “casa de Deus”: antes de encerrar-se na clausura, já a sua alma era um “Carmelo interior”, no qual, alheia às coisas cá de fora, ela podia entreter-se a sós com a presença amorosíssima do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa doce experiência que teve Elisabete, porém, não foi um privilégio único e irrepetível. Pelo contrário, dentro de toda alma que está em graça Deus habita como em seu palácio, conforme a promessa do Salvador: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14, 23). Todos os que se encontram em amizade com Deus são, por isso mesmo, templos vivos do Espírito Santo (cf. 1Cor 6, 16.19; 2Tm, 1, 14), porque “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4, 16). É verdade, sim, que Ele está presente em todas as coisas, inclusive nos pecadores; mas, nos que possuem a graça santificante, Deus se encontra não apenas como Criador e sustentador, mas também como Amigo, pois a graça nunca está sozinha: ela vem sempre acompanhada da caridade, pela qual se estabelece entre Deus e a alma uma relação de verdadeira amizade. Para vivermos intensamente essa presença, às vezes tão silenciosa, mas nem por isso menos real, peçamos ao Senhor que aumente em nós o dom da fé, pois somente por ela nos é possível ter acesso a esta presença viva e oculta, amorosa e discreta. Que S. Elisabete da Trindade nos ajude, por seus méritos e preces, a recordar frequentemente que somos templos de Deus, e que para falar a tão doce Majestade basta fechar-se na câmara do próprio coração, porque é lá que habitam aqueles que, sendo um só Deus, estão acima da terra e de todos os céus.

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