3. Não está ultrapassado falar de pecado mortal?

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Não está "ultrapassado" falar de pecado mortal? Muitas pessoas, católicas ou não, costumam se fazer essa pergunta. Trata-se, na verdade, de um assunto que, embora silenciado em algumas homilias e pregações, permanece sempre atual, porque o problema do nosso destino eterno nunca sairá de moda; é algo que fala ao coração de todo homem, de todos os tempos, de todas as raças e nações.

Quer saber por que a Igreja deu sempre tanto destaque à gravidade e à malícia do pecado mortal e por que ele, matando em nós o amor de Deus, nos expõe ao risco da condenação eterna? Então assista agora mesmo a este breve vídeo e veja a resposta do Padre Paulo Ricardo e esta delicada questão.


Afinal de contas, não estará "ultrapassado" falar de pecado mortal?

Os que se fazem essa pergunta, presente na boca de não pouca gente, supõem — quase sempre sem o saber — que também está "ultrapassado" falar de vida eterna, do destino perpétuo que nos aguarda para além do sepulcro. Com efeito, quando a Igreja ensina a seus filhos a gravidade dos pecados mortais, ela não está referindo-se à morte natural do corpo, mas antes a algo muitíssimo pior e decisivo, ou seja: à morte eterna da alma. No entanto, para bem entendermos este problema, convém fazer algumas precisões iniciais.

O homem, como nos ensina a filosofia, é um ser composto de corpo e de alma, dois elementos que, embora distintos, se associam intimamente para constituir "uma única natureza e uma só pessoa" [1]. Desta união provém para o homem uma vida meramente natural, isto é, que se dá no plano biológico, orgânico e psicológico. Unido à alma, o corpo cresce, alimenta-se, desenvolve-se, desloca-se de cá para lá, exerce enfim as funções que lhe são características; a alma, por sua vez, dá forma ao corpo a que está unida: por meio dele, ela recebe do mundo exterior as sensações, impressões e imagens de que se servirá para a sua atividade intelectual.

Mas, por um dom livre e gratuito de Deus, o homem foi destinado a alcançar um fim de ordem superior. No mistério de seus desígnios, o Senhor quis fazê-lo participar de sua vida divina e da comunhão de amor que se respira no seio da Santíssima Trindade. Mas como o homem, só por si, é incapaz de elevar-se acima de suas forças naturais, Deus precisa vir em seu auxílio e comunicar-lhe essa vida sobrenatural por meio do que a teologia convencionou chamar graça santificante. Quem está em estado de graça, com efeito, está na posse de uma vida no sentido forte do termo, "com um organismo semelhante ao da vida natural" [2]: ela vem à luz no Batismo, cresce e fortifica-se na recepção dos demais sacramentos e chega por fim à plena maturidade na glória do Céu.

Ora, assim como a vida natural do corpo está suscetível a doença sérias, capazes de levar-nos à morte física em questão de dias, assim também a vida sobrenatural do homem pode chegar a termo já aqui na terra, se alguma doença letal contaminá-la. E é isto o que se entende por pecado mortal; trata-se de um ato deliberado que, de tão repulsivo ao amor de Deus, extirpa da alma a graça que até então a vivificava. Ao pecar gravemente, o homem sufoca com suas próprias mãos o alento de vida divina que o Senhor, por bondade, lhe confiara, "desvia-se de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior" [3]. É, numa palavra, um voltar as costas para o Céu.

Por isso, mantendo-se fiel às palavras de seu divino Fundador, a Igreja sempre alertou seus filhos para o grande perigo de condenação eterna a que se expõe quem, destruindo a caridade em seu coração, escolhe apartar-se definitivamente de Deus por toda a eternidade. Falar de pecado mortal, portanto, nunca poderá "sair de moda", porque à espera de todos nós está um destino que não passa, uma sentença sem apelação, uma vida sem fim — quer junto, quer longe de Deus.

Referências

  1. Antonio R. Marín, Teología de la Perfección Cristiana. Madrid: BAC, 2012, n. 82, p. 112.
  2. Id., n. 83, p. 113.
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 1855.

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