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209. O Cristianismo é uma Presença

O cristianismo, em cujo centro está a Ressurreição do Senhor, é o mistério de uma presença real, embora escondida e secreta. Mesmo que a minha fé seja tão pobre que eu não consiga reconhecê-la... Nesta aula, Padre Paulo Ricardo convida-nos a fazer um teste: será que estamos realmente na fé ou seremos “reprovados” no “exame”?

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O cristianismo é o mistério da presença real de Jesus Ressuscitado ao nosso lado. Essa é a definição que Dom Divo Barsotti, um sacerdote italiano falecido em 2006 em odor de santidade, dá à espiritualidade cristã. De fato, o exercício do cristianismo supõe uma comunidade e uma relação íntima com Deus, de modo que se pode viver constantemente na sua presença, “mesmo que minha fé seja tão pobre que eu não consiga reconhecê-la”.

Mas o que é, afinal, essa presença real de Jesus Ressuscitado? O capítulo 24 do Evangelho de São Lucas pode nos dar algumas pistas a esse respeito. Trata-se da passagem em que Jesus se encontra com os discípulos de Emaús e, abrindo-lhes a inteligência, revela-se como um Deus que caminha conosco, ainda que não reconheçamos a sua presença. Os discípulos de Emaús são, na verdade, os cristãos de todos as épocas que, diante das dificuldades e das notícias más, terminam acabrunhados e desesperados. Jesus, por sua vez, concede-lhes a sua graça para que vejam e creiam outra vez.

É essa graça de Cristo que nos coloca em comunhão com Ele. Jesus está virtualmente presente no nosso meio, isto é, a sua força (virtus) age em nossos corações, motivando-nos a crer e esperar contra as adversidades do mundo. Em outras palavras, a graça de Jesus Ressuscitado já nos relaciona ao seu triunfo final, pelo que não nos resta mais senão “esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés” (Hb 10, 14). Essa é a maravilha do cristianismo.

Dizia Bento XVI aos bispos da América Latina, em 2007, que o mundo e a Igreja estão “atravessando momentos de confusão desnorteadora”: de um lado, “ataca-se impunemente a santidade do matrimônio e da família, iniciando-se por fazer concessões diante de pressões capazes de incidir negativamente sobre os processos legislativos”; do outro, “o valor do compromisso sacerdotal é questionado como entrega total a Deus através do celibato apostólico e como disponibilidade total para servir às almas, dando-se preferência às questões ideológicas e políticas, inclusive partidárias” [1]. Com efeito, a fé dos cristãos ameaça vacilar. Mas, como recordava Santo Agostinho, “vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos” [2].

No meio dessa confusão e aparente vitória do inferno, os cristãos que permanecem na graça podem manter-se firmes e seguros de que a palavra definitiva está do lado de Deus. Nosso único dever é o do exercício da fé, a fim de que, na hora oportuna, reconheçamos os passos do Salvador na nossa direção, e não andemos mais tristes como os discípulos de Emaús. Por meio da oração íntima e perseverante, podemos viver na presença real de Jesus muito para além do momento da comunhão eucarística. Neste sentido, a oração precisa ser um compromisso diário de todo cristão.

Aproveitemos este Tempo Pascal para, juntamente com Nossa Senhora, mergulharmos na presença real de Jesus e colhermos os frutos da sua Ressurreição em nossas vidas.

Referências

  1. Papa Bento XVI, Encontro e celebração das vésperas com os bispos do Brasil, 11 de maio de 2007, n. 3.
  2. Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 103, 2, 5 (PL 37, 1353).

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