O que vimos e tocamos, eis o que anunciamos!
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O que vimos e tocamos, eis o que anunciamos!

“O que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida, isso nós vos anunciamos” (1Jo 1,3).

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,2-8)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou.

São João (gr. Ἰωάννης ou Ἰωάνης, hebr. Jochanan = ‘Yahweh é graça’), discípulo de Cristo, era filho de Zebedeu e Salomé (cf. Mt 27,56; Mc 15,40), oriundo de uma família socialmente bem colocada (cf. Mc 1,20; Jo 18,15). Foi primeiro discípulo do Batista; começou depois a observar os ensinamentos de Cristo (cf. Jo 1,35-40), embora não se tenha associado de imediato ao grupo de seguidores do Mestre. Foi só mais tarde, após ser chamado por ele juntamente com seu irmão, Tiago, e com os irmãos Pedro e André, que João abandonou de vez a pesca e a família para estar exclusivamente com Jesus (cf. Mt 4,21; Mc 1,19; Lc 5,1-11). Que João fosse de índole enérgica e contundente, assim como o irmão, Tiago, fica claro no episódio em que ambos se atrevem a pedir a Deus que caísse fogo do céu sobre os samaritanos que se tinham recusado a receber Jesus. Foi nesta ocasião que, segundo muitos exegetas, o Senhor impôs-lhe (cf. Mc 3,17) o nome Boanerges, que significa ‘filhos do trovão’. Além disso, é sabido que João foi um dos discípulos mais queridos do Senhor, como o atestam inúmeras passagens do Evangelho (cf. e.g. Mc 5,37; 9,1; 14,33; Jo 13,23.35 etc.) e, sobretudo, aquele sinal de amor e predileção com que o divino Redentor, pouco antes de expirar, encomendou-lhe o cuidado da própria Mãe (cf. Jo 19,26s). Após a ressurreição de Cristo, vêmo-lo com frequência ao lado de São Pedro, como sócio e companheiro de pregação (cf. Jo 18,15; 20, -8; 21,1ss; At 3,1ss; 4,3ss; 8,14). É também enumerado por São Paulo, ao lado de Tiago e do Príncipe dos Apóstolos, entre as colunas da Igreja (cf. Gl 2,9). No Apocalipse, ele diz de si mesmo: Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na rea­leza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Ap 1,9). Morreu por volta do ano 100, na ilha de Éfeso, conforme atestam inúmeros autores antigos, como Santo Irineu, São Polícrates, São Justino Mártir, além Apolônio, adversário dos montanistas, Clemente de Alexandria etc.

Escrito na Ásia nos últimos anos do séc. I, o seu evangelho tem por finalidade 1) pregar com clareza a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo; 2) impugnar uma série de heresias (o gnosticismo de Cerinto, o ebionismo etc.) que já naquela época começavam a deturpar a sã doutrina e desviar os cristãos da única fé verdadeira; 3) e complementar, tanto histórica como teologicamente, os três evangelhos sinóticos. O prólogo do IV Evangelho, que durante vários séculos a Igreja usou ler ao final da Missa, revela-nos a altura teológica a que a graça divina elevou o olhar de João: No princípio, escreve ele sob a ação do Espírito Santo, era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus (Jo 1,1). Antes de que tudo fosse feito, já havia no Logos eterno de Deus Pai, por quem é gerado desde toda a eternidade, sem sucessão nem diferença de perfeição, a razão de todas as coisas, todo o plano da criação e da redenção futura do gênero humano. No Verbo divino, por quem tudo foi feito e sem o qual nada pode subsistir (cf. Jo 1,2), já existia a ideia de cada homem que viria a este mundo. Nele está a nossa verdade, i.e. aquilo que desde todo o sempre Deus “sonhou” para nós; nele está todo o nosso bem, porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser (At 17,28), de forma que, quanto mais nos afastamos dele, mais nos aproximamos da morte, da imobilidade e, por fim, do não-ser. Que, pela intercessão de São João, Apóstolo e Evangelista, possamos hoje acolher na fé a verdade de que só em Cristo Jesus tem sentido e consistência a nossa existência neste mundo, porque só ele, que é antes de todos os tempos, pode fazer resplandecer dentro de nós a luz da vida verdadeira (cf. Jo 1,4.9).

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