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311. O terceiro grau da vigilância

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
25, 14-30)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: "Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.

Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'. O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!' Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'. O patrão lhe disse: 'Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!'

Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: 'Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'. O patrão lhe respondeu: 'Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence'.

Em seguida, o patrão ordenou: 'Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'"

Ao contar no Evangelho de hoje sua conhecida parábola dos talentos, Nosso Senhor apresenta a seus discípulos o terceiro grau da vigilância, que corresponde àquilo que Santa Teresa d'Ávila, em seus ensinamentos espirituais, chamou de terceira morada. Encontramo-nos na primeira, como vimos faz alguns dias, quando rompemos em definitivo com a vida de pecado e nos esforçamos, daí em diante, por estar sempre na graça de Deus. Passamos para a segunda morada quando, estando na amizade do Senhor, começamos a ter vida, não já de dissipação, mas de oração íntima, de trato amoroso com Aquele que é o Noivo de nossa alma. A terceira morada, por sua vez, tem por traço característico a generosidade, que está muito bem ilustrada na parábola que ouvimos há pouco. É, noutras palavras, o estágio em que devemos transpor aquela mentalidade medíocre que se preocupa em saber se tal ou qual coisa é ou não pecado, se é ou não proibido agir desta ou daquela maneira. Trata-se de evitar, concretamente, a atitude do servo mau e preguiçoso, que, embora tenha recebido do patrão a responsabilidade de fazer render o pouquinho que lhe fora confiado, preferiu refugiar-se na sua comodidade, nos seus receios hipócritas, na sua tepidez.

O talento, por um lado, representa aqui a graça; o dever de multiplicá-lo, por outro, nos remete para a necessidade de crescermos em santidade não somente pela observância estrita de uns tantos mandamentos, mas fazendo tudo — mesmo aquilo a que não somos obrigados — com um coração generoso, que quer superar-se em amor, em entrega, em doação Àquele que, sendo rico, por nós se fez pobre; sendo grande, por nós se fez pequeno; não tendo nenhuma culpa, não recusou carregar as nossas. Deus quer de nós, antes de tudo, o nosso amor; e o quer conforme a capacidade de cada um: a um dá cinco talentos, a outros três, a alguns somente um talento; mas de todos deseja algo de volta, segundo a soma que receberam. Ele nos doa a graça de amar e pede-nos que, com o seu auxílio, façamos frutificar esta semente de caridade que em nós é plantada. Peçamos, pois, à Virgem Santíssima que nos ajude a crescer em generosidade, a fim de podermos um dia apresentar a Jesus todo o amor de que o nosso pobre coração for capaz.

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