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107. "Que eu diminua”

No Evangelho de hoje somos confrontados com a humildade que perpassa todo o testemunho de João Batista. Instado por sacerdotes e levitas vindos de Jerusalém, João confessa sem meias palavras não ser o Messias esperado.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
1, 19-28)

Este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas para lhe perguntar: "Quem és tu?" Ele confessou e não negou; ele confessou: "Eu não sou o Cristo". Perguntaram: "Quem és, então? Tu és Elias?" Respondeu: "Não sou". — "Tu és o profeta?" — "Não", respondeu ele. Perguntaram-lhe: "Quem és, afinal? Precisamos dar uma resposta àqueles que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?" Ele declarou: "Eu sou a voz de quem grita no deserto: 'Endireitai o caminho para o Senhor!'", conforme disse o profeta Isaías. Eles tinham sido enviados da parte dos fariseus, e perguntaram a João: "Por que, então, batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?" João lhes respondeu: "Eu batizo com água. Mas entre vós está alguém que vós não conheceis: aquele que vem depois de mim, e do qual eu não sou digno de desatar as correias da sandália!" Isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

Dando continuidade ao prólogo de Evangelho de São João, a leitura de hoje nos apresenta o testemunho do Batista. Tendo ouvido falar respeito dele, os fariseus enviam-lhe de Jerusalém alguns sacerdotes e levitas para perguntar-lhe quem afinal ele era. Sem meias palavras, João nega contundentemente ser o Messias: "Eu não sou o Cristo", diz aos que se mostravam tão preocupados em descobrir a identidade daquele penitente que, de rins cingidos, atraía uma multidão de corações vindos "de Jerusalém, da Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão" (Mt 3, 5). Qual seria, então, o motivo dessa insistência em saber quem de fato era João? Devemo-nos lembrar aqui da promessa que em Dt 18, 15-18 o Senhor fizera a Moisés: "Eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre os teus irmãos". Anuncia-se, pois, a vinda de um profeta que, tal como Moisés, veria a Deus face a face (cf. Ex 33, 11; Nm 12, 8; Dt 5, 4 e 34, 10) e, sob sua inspiração, daria a conhecer aos homens os seus desígnios.

Por isso, o Batista confessa não ser o Esperado: "Não sou", porque não via ao Senhor. É, na verdade, o próprio Evangelista João quem declara, alguns versículos antes, a quem se refere a promessa de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou" (Jo 1, 18). É Jesus que, estando voltado para a intimidade do Pai, veio revelar-nos os segredos do "único que habita em luz inacessível, a quem nenhum homem viu, nem pode ver" (1Tm 6, 16); é Jesus o único que, não por ouvir dizer, mas porque é um com Ele (cf. Jo 10, 30), pode revelar ao homem a vontade do Pai. E "este é o testemunho de João": Nosso Senhor é mais do que um profeta; Ele é a própria Palavra eterna e substancial do Pai que, superando-as, realiza as profecias feitas ao povo eleito.

Daí que, diante da grandeza de Cristo, ao Batista não caiba outra coisa senão deixar-se desaparecer: "Eu não sou o Cristo [...]. Importa que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3, 28.30). Essa humildade do Precursor deixa transparecer-se inclusive quando, instado pelos sacerdotes e levitas, ele dá respostas cada vez mais curtas, à semelhança de um eco que se vai aos poucos esvanecendo: "Eu não sou o Cristo"; "Não sou"; "Não". Ao fim e cabo, o que sobre diante da majestade de Jesus é uma voz, uma voz que ecoa uma Palavra que a transcende, que a supera. João é a voz que ecoa, que vai desaparecendo aos poucos; Jesus é o Verbo, que permanece para sempre, que, vindo do Pai, fala a linguagem do Pai (cf. Jo 3, 34) e é o único que, sendo o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14, 6), pode dar aos homens o poder de se tornarem filhos dAquele que tudo entregou em suas mãos (cf. Jo 3, 35).

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