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173. São José, esposo de Nossa Senhora

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
1, 16.18-21.24a)

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado.

É com grande júbilo que recebemos hoje das mãos de Deus a oportunidade de festejar a solenidade de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria e pai putativo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dedicado, como lemos no Evangelho, ao cuidado e à educação do Filho eterno de Deus, São José, além de seus inúmeros títulos, é venerado e honrado pelos cristãos como padroeiro e protetor da Igreja universal, Corpo místico dAquele que o Pai tão amorosamente lhe confiou. Esta feliz comemoração, que o Senhor quis antecedesse neste ano o Domingo de Ramos, reveste-se de tons especiais não apenas porque tempera suave e piedosamente a austeridade da Quaresma, mas também e acima de tudo porque nos recorda, neste Jubileu da Misericórdia, o carinho com que o Pai celeste põe a Igreja de seu Filho bem-amado sob a proteção paterna do maior de todos os santos. E é precisamente por causa de sua casta intimidade com a bem-aventurada Virgem, de sua afetuosa união com Jesus e de sua condição de chefe e cabeça da Sagrada Família que nele sempre se reconheceu uma singular (1) dignidade, sempre se venerou uma excelentíssima (2) santidade e a ele sempre se recorreu como a um (3) patrono seguro e fiel.

1. A dignidade de São José deriva, como de sua fonte primeira, da missão de que foi investido. Chamado a presidir a sacrossanta família de Cristo, partícipe visível da autoridade do Pai, noivo e esposo da Mãe de Deus (cf. Mt 1, 16.19.20; Lc 2, 5), considerado pela Lei o legítimo pai de Jesus, a quem devia nutrir, educar e proteger — eis as altíssimas responsabilidades que, após a maternidade divina, suplicavam a Deus dons e graças deveras extraordinários. Se é certo, por um lado, que a dignidade de Maria Santíssima chega a tais alturas que nada mais sublime a possa superar, também se deve ter em conta, por outro, que devido aos estreitos laços de amor e respeito conjugal que o uniam à Virgem Deípara, bem como ao dever comum de resguardar o Messias de Israel, nenhum outro santo pôde acercar-se mais proximamente da dignidade da Mãe do Salvador do que São José, "homem de bem" (Mt 1, 19). E isto de tal forma que o Verbo de Deus, feito obediente até ao extremo, quis submeter-se à sua paternal autoridade e prestar-lhe a honra e o carinho que os filhos têm de manifestar a seus próprios pais (cf. Leão XIII, Quamquam pluries, de 5 ago. 1889).

2. Donde se segue, como consequência espontânea, a maravilhosa santidade com que o Patrono da Igreja resplandece no céu das almas justas. Esta exímia santidade, pela qual mereceu, imediatamente após a Virgem, sobrelevar-se a todos os demais santos, aparecerá com clareza aos que souberem interpretar o modesto silêncio que os Evangelhos guardam a seu respeito. Já o evangelista São Mateus no-lo apresenta como modelo de , por haver crido sem reservas na revelação do Anjo: "José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo" (Mt 1, 20). A essa fidúcia no Senhor vem somar-se a filial obediência com que se submetia à vontade divina: "Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado" (Mt 1, 24). Novamente se há de manifestar esta entrega total à Providência, quando a cólera de Herodes vier bater à porta da família de Deus: "José", tendo ouvido a ordem do Senhor, "levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito" (Mt 2, 14).

Alma silenciosa, da qual não nos chegou uma palavra sequer, São José, talvez por esta razão mesma, é também modelo de profunda humildade. Embora conhecesse o duplo e riquíssimo tesouro que lhe fora entregue — Jesus e Maria —, escondeu-o dos olhos do mundo e, como que esquecido de si, passou pela vida como um homem qualquer, tido na opinião dos judeus por simples trabalhador manual: "Não é este o filho do carpinteiro?" (Mt 13, 55; cf. Lc 3, 23), dirão mais tarde os conterrâneos de Cristo. Dado por esposo àquela que é a Virgem das virgens, convinha-lhe guardar uma perfeita virgindade, de modo que a honestidade de sua esposa fosse mais firmemente atestada e que a casa divina, na qual estava em germe a Igreja nascente, fosse desde o princípio o berço do mais puro e casto amor. Não se poderia deixar de ver, por fim, na base de tão grandes e insignes virtudes, a fervente caridade que o inflamava de zelo e amor pelo Pai, cujas vezes tão devota e piamente teve de fazer; por Jesus, a quem tanto queria como se fora seu fruto; e pela Virgem, cujo pudor defendia e de cuja vida teve a alegria de tornar-se partícipe.

3. É por estas razões que o beatíssimo Patriarca contempla todos e cada um dos fieis, membros de um só e mesmo Corpo místico, como especialmente confiados ao seu paterno afeto e patrocínio. Não há, pois, nada mais consentâneo e conforme à divina bondade do que permitir que aquele, que outrora em Nazaré cumpriu, no decurso duma vida escondida, os deveres de custódio e administrador da Sagrada Família, defenda e proteja agora, com auxílios celestes, esta santa e católica família, dilatada pelos quatro cantos do mundo, que é a Igreja de Cristo. Nele, com efeito, têm os casais um exemplo de amor, de modéstia, de fidelidade esponsal. Dele todos aprendem, sejam pobres ou ricos, quais bens se devem almejar, qual modelo têm a seguir, a que protetor podem recorrer. Donde se compreende que o culto que se lhe deve prestar, se com razão não pode, de modo nenhum, equiparar-se nem à adoração, devida somente a Deus, nem à hiperdulia, com que honramos nossa Mãe do Céu, deve ser distinto e superior àquele prestado aos demais santos. Por isso, a Igreja exibe ao seu amável Patrono um culto dito de protodulia, mais conforme à dignidade e aos singulares privilégios de que foi enriquecido aquele que, agora e por toda eternidade, tem sob os seus cuidados a nossa pequenina família humana, o nosso humilde trabalho e o nosso singelo apostolado.

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