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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 9, 14-17)

Aproximaram-se de Jesus os discípulos de João e perguntaram: “Por que jejuamos, nós e os fariseus, ao passo que os teus discípulos não jejuam?” Jesus lhes respondeu: “Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. Também não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se põe em odres novos, e assim os dois se conservam”.

No Evangelho de hoje, um grupo de discípulos de S. João Batista pergunta ao Senhor por que Ele e os que o seguem não jejuam. Em sua resposta, Jesus se serve de três comparações: a do esposo, a do remendo novo em pano velho e a do vinho novo em odres velhos. Embora a tradição espiritual da Igreja interprete de distintos modos essas três figuras, vale a pena considerar o que a este respeito nos legou um beneditino do século IX, Remígio de Auxerre, alguns de cujos pensamentos foram compilados por S. Tomás de Aquino em sua Catena Aurea (cf. In Matth., c. 9, l. 3). Escreve Remígio que Jesus não pede aos discípulos que jejuem porque, quais panos e odres velhos, eles não foram ainda renovados pela doutrina evangélica, isto é, pela graça divina. Cristo não passou ainda pelo mistério pascal nem lhes enviou o Espírito Santo, de maneira que, privados do auxílio divino, não convinha aos discípulos entregar-se a práticas de penitência mais rigorosas, devido ao risco de perderam a fé por falta de perseverança e austeridade. Essa leitura permite pôr em evidência, de um lado, o primado da graça, sem a qual nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5), e, de outro, a disposição providencial com que Deus, no tempo e do modo oportunos, dá a cada um a ajuda que lhe basta. Não podemos, é verdade, ser santos com nossas próprias forças, mas podemos sê-lo, sim, com a graça que Ele nunca cansa de nos enviar, pois quer “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Essa verdade deve ser um estímulo a que peçamos sempre, com confiança e humildade, as graças de que precisamos e nos lembremos de que, sem o sustento de Deus, todos os nossos jejuns, todas as nossas mortificações, tornam-se obra morta e sem valor. Saibamos, pois, reconhecer-nos como mendigos da graça, radicalmente necessitados daquele que, “segundo o seu beneplácito, realiza em nós o querer e o executar” (Fp 2, 13).

Recomendações

  • S. Tomás de Aquino, Catena Aurea. Trad. port. de F. Florence et al. São Paulo: Ecclesiae, 2018, vol. 1.

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