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Homilia Dominical
18 Nov 2017 - 25:13

Servo mau e preguiçoso!

Ao chamar de “mau e preguiçoso” ao último servo da parábola dos talentos, Jesus Cristo descreve a situação de muitos de nós, que, arrastados pela memória de sentimentos, terminamos obedecendo simplesmente à lei dos animais: “Foge da dor, busca o prazer”. Mas será possível, afinal, sair dessa lógica animalesca e escravizante? Como podemos nos tornar “servos bons e fiéis” para participarmos, um dia, da alegria de Nosso Senhor?
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Homilia Dominical - 18 Nov 2017 - 25:13

Servo mau e preguiçoso!

Ao chamar de “mau e preguiçoso” ao último servo da parábola dos talentos, Jesus Cristo descreve a situação de muitos de nós, que, arrastados pela memória de sentimentos, terminamos obedecendo simplesmente à lei dos animais: “Foge da dor, busca o prazer”. Mas será possível, afinal, sair dessa lógica animalesca e escravizante? Como podemos nos tornar “servos bons e fiéis” para participarmos, um dia, da alegria de Nosso Senhor?
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 25, 14-30)

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão.

Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’

Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? Então, devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!’”

Como nas demais parábolas do capítulo 25 do Evangelho segundo Mateus, a parábola contada por Jesus neste domingo apresenta-nos a realidade do Juízo Final. Na semana passada, a parábola das dez virgens descrevia o julgamento das virgens imprudentes, que não se prepararam para o encontro com o Esposo. No próximo domingo, Solenidade de Cristo Rei, ouviremos o veredito do Filho do Homem, que se assenta no trono para acolher as ovelhas e apartar os cabritos (cf. Mt 25, 31-46). Nesta semana, Jesus indica-nos o que podemos fazer para evitar a condenação eterna, contando-nos a parábola dos talentos.

Vimos na parábola das dez virgens que, sem o óleo da caridade, de nada valem as boas obras, por maiores que elas sejam. A “parábola dos talentos”, por conseguinte, aponta para a necessidade de se multiplicar a caridade, multiplicar os dons gratuitos que recebemos de Deus.

Conforme lemos no Evangelho, um patrão dispensa vários talentos — isto é, uma certa quantidade de ouro — a três de seus servos, na intenção de que eles os multiplicassem no período de sua ausência. Ao retornar, porém, esse patrão se depara com a infidelidade de um dos servos que, por temer a severidade do senhor, preferiu esconder o talento recebido ao invés de cultivá-lo. O patrão então lhe diz: “‘Servo mau e preguiçoso!”

Qual é o significado desses dois adjetivos empregados pelo patrão?

O preguiçoso é aquele que sofre de uma doença muito comum na humanidade, especialmente nos dias atuais: ele não quer pagar o preço do amor; antes, deseja apenas satisfazer os apelos de suas paixões. O acidioso age como um verdadeiro animal, porque se deixa levar para lá e para cá pelos estímulos de seus sentidos, ora fugindo da dor, ora buscando o prazer. Ele é capaz tão somente de fazer escolhas sensuais, preso como está à realidade dos animais.

A consequência da preguiça para a alma é que a pessoa se torna incapaz de amar, pois todos os seus atos se resumem às compensações da carne. O servo preguiçoso se prendeu às sensações da carne, ao medo infundado que tinha do patrão, de modo que não conseguiu cultivar o dom recebido gratuitamente.

Mas o cultivo dos dons que recebemos também depende de uma gratidão ao senhor. Daí que o patrão acusa o servo preguiçoso de ser “mau”. Ele não enxergou o amor com que foi amado, o quanto seu senhor se lhe doou, confiando-lhe parte de sua graça. Ao contrário, deixou-se levar pelas falsas impressões de seu cérebro, pela ingratidão e pela preguiça.

Para combater a ingratidão e a preguiça de amar, é fundamental a necessidade de um diálogo constante com Deus, por meio da oração, quando nos lembramos dos inúmeros benefícios de que fomos objeto. O cultivo do amor passa, portanto, pelo seguinte itinerário.

Na vida de toda pessoa, há momentos em que predomina a ação — ou seja, a execução de tarefas práticas, o desenvolvimento de algum trabalho ou atividade social ou religiosa etc. — e há momentos em que predomina a imaginação — quando a memória está livre para elaborar situações com base em recordações vividas anteriormente. Esses momentos de imaginação devem ser observados com todo o cuidado, pois dependem deles as nossas ações concretas. Se não usamos nossa imaginação para recordar das graças e da bondade de Deus, terminamos arrastados pelas paixões e pelas más lembranças.

O ser humano possui duas memórias: a memória cerebral e a memória espiritual. A primeira está ligada mais às sensações que experimentamos nos nossos relacionamentos: o riso depois de uma piada, a frustração por conta de um projeto malsucedido, o prazer ao ingerir um bom alimento, o rancor após uma desfeita etc. Já a segunda se refere tanto à ciência como às verdades eternas que apreendemos por meio da oração e da meditação. É por meio dessa que nos encontramos com o amor de Deus.

É importante estar sempre atento a qual memória se encontra mais ativa em nós. Na parábola deste domingo, Jesus chama aos outros dois servos de “bons e fiéis” porque, enquanto aguardavam o retorno do patrão, eles trabalhavam motivados pelas lembranças da memória espiritual, ao passo que o servo “mau e preguiçoso” ficou inerte por seguir a memória cerebral, animal.

Na oração, portanto, devemos fazer esse exame de consciência, para ver qual memória tem predominado em nossa vida, a fim de que vençamos as más recordações e caminhemos na verdade. Assim, toda a nossa vida ativa será pautada pelo louvor constante a Jesus, pela sua bondade infinita para conosco, de modo que, no dia de nosso julgamento, Ele poderá dizer a nós o que o patrão disse ao “servo bom e fiel”: “Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!” (v. 23).

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