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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 19,25-27)

Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

Celebramos hoje a memória de Nossa Senhora das Dores, uma dessas memórias litúrgicas que possui uma belíssima sequência preparando o Evangelho, o Stabat Mater. O Stabat Mater é uma sequência (uma poesia litúrgica) que foi composta durante a Idade Média. Não se sabe exatamente quem é o autor. Uns dizem que foi Jacopone da Todi, franciscano, outros que foi Inocêncio III, Papa; mas, seja como for, o que se tenta transmitir no Stabat Mater é a realidade do sacrifício da Virgem Maria unido ao sacrifício do seu Filho, Jesus, na Cruz.

O Evangelho de hoje é exatamente um Evangelho que nos mostra essa realidade: quando, aos pés da Cruz, Jesus nos entrega a sua Mãe. É João, capítulo nove. Mas eu gostaria aqui de explorar exatamente a verdade desta união de sacrifícios, ou seja, como é que Maria pode ser chamada, como de fato é chamada por alguns teólogos, de Corredentora? Se você for olhar para a teologia da Igreja nos primeiríssimos séculos, você vai notar que existe um paralelo entre a Virgem Maria e Eva. Isso é algo que pode ser traçado até a origem apostólica, ou seja, estamos falando aqui de algo em que a Igreja crê desde a época dos Apóstolos: Maria é a nova Eva, assim como Cristo é o novo Adão.

Mas o que foi que aconteceu com Eva? Eva, pela desobediência, não quis sacrificar, quis tomar para si o fruto. Havia uma árvore, um fruto e a desobediência. Muitos séculos depois, nós temos uma nova árvore, a árvore da Cruz; um fruto, fruto do seu ventre, Jesus; e Maria, obediente, oferece e entrega o seu sacrifício de fé. É por isso que Maria é chamada de Corredentora, ou seja, nova Eva. Como a perdição entrou no mundo por Eva, a salvação entrou no mundo por Maria. E Maria sempre esteve associada ao seu Filho, aos pés da Cruz, oferecendo o seu sacrifício.

Algumas pessoas podem dizer: “Mas, Padre, o sacrifício de Cristo já foi perfeito. Não precisa, absolutamente, acrescentar nada a ele”. Sim, o sacrifício de Cristo foi perfeito, mas houve uma coisa que Jesus não pôde oferecer na Cruz: Ele não pôde oferecer um sacrifício de fé, porque, sendo Deus, Cristo não tem fé, não da forma como nós a temos. Então, havia necessidade de que houvesse o sacrifício perfeitíssimo de uma fé perfeitíssima, e esse sacrifício foi oferecido pela Virgem Maria.

Sendo assim, ontem nós celebramos a Exaltação da Santa Cruz e vimos que, para receber a salvação da Cruz, precisamos de fé. Deus deu seu Filho para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Ontem vimos Deus dar o seu Filho, hoje vemos o Filho dar a sua Mãe. Para quê? Para que, a exemplo de sua fé, unidos à sua fé e recebendo dela a fé, nós possamos nos unir ao sacrifício de Cristo na Cruz. Não nos será possível ser santos se não tivermos esta fé que recebe o amor. Precisamos crer nesse amor crucificado por nós.

A fé de Maria, a fé da corredentora, é para nós um grande impulso. Sim, como todas as vezes que professamos a fé, professamos em pé e podemos dizer: Stabat Mater. Sim, a Mãe estava de pé, oferecendo o seu sacrifício, a sua profissão de fé. Crendo quando ninguém mais cria, abriu as portas da salvação para este mundo.

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