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Homilia Dominical
19 Jan 2019 - 24:06

“A mãe de Jesus estava presente”

O Evangelho deste domingo nos coloca no contexto das bodas de Caná, recordando-nos a grande promessa de Deus para os que forem fiéis à sua Palavra: a participação no banquete das núpcias do Cordeiro. Para que estejamos presentes nessas núpcias, Padre Paulo Ricardo mostra nesta homilia como são fundamentais a intercessão de Maria, a nossa disposição a mudar, bem como a entrega das águas do nosso vazio a Jesus.
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Homilia Dominical - 19 Jan 2019 - 24:06

“A mãe de Jesus estava presente”

O Evangelho deste domingo nos coloca no contexto das bodas de Caná, recordando-nos a grande promessa de Deus para os que forem fiéis à sua Palavra: a participação no banquete das núpcias do Cordeiro. Para que estejamos presentes nessas núpcias, Padre Paulo Ricardo mostra nesta homilia como são fundamentais a intercessão de Maria, a nossa disposição a mudar, bem como a entrega das águas do nosso vazio a Jesus.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 2, 1-11)

Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.

Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”.

Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.

Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.

O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.

O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”

Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

Meditação. — 1. O Evangelho da Missa deste 2.º Domingo do Tempo Comum é aquele das bodas de Caná, quando Jesus, a pedido da Virgem Maria, faz seu primeiro milagre, transformando água em vinho. A liturgia mostra, assim, uma interessante continuidade com aquilo que celebramos no domingo passado: o Batismo de Jesus. Na vida cristã, o batismo é a porta de entrada para a grande união entre Deus e a humanidade, realizada na pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Todos os batizados devem, pois, se preparar para esse casamento místico, sobre o qual o mesmo evangelista São João escreve no livro do Apocalipse: “Felizes os convidados para as núpcias do cordeiro” (19, 9).

O primeiro milagre de Cristo acontece exatamente num contexto de núpcias, do qual podemos retirar algumas lições sobre como caminhar para Deus. As festas de casamento naquela época eram realmente excepcionais, durando dias e dias. Era, por isso mesmo, um risco muito grande a falta de algum alimento, sobretudo o vinho, considerado então a “alma da festa”. Do relato bíblico, não temos notícia de que os responsáveis pelo banquete tenham percebido o término da bebida. É Maria quem se antecipa e, providencialmente, pede a seu filho Jesus por aquilo de que nem mesmo os anfitriões do casamento sabiam ter necessidade.

2. A presença de Maria em nossas vidas tem esse mesmo caráter do milagre das bodas de Caná. Ela sabe de nossas necessidades corporais e espirituais melhor do que nós mesmos, uma vez que ela gerou o Filho de Deus, ao qual estamos unidos pelo batismo, como membros de seu Corpo Místico. Se, portanto, nos confiarmos aos cuidados dela, Maria saberá providenciar o vinho que também nos falta, como uma verdadeira mãe que sabe interpretar o choro do seu bebê e dar-lhe exatamente o que é necessário. Ela leva-nos para o médico das almas já nos prescrevendo o remédio salutar: “Fazei tudo o que Ele vos disser”, nessas suas últimas palavras registradas em toda a Sagrada Escritura.

Alguns podem torcer o nariz contra Maria, dizendo que Jesus a repreendeu pela “intromissão” num assunto que “não era da sua conta”. Mas é um engano achar que a resposta de Cristo foi uma grosseria. Quando Ele fala da sua “hora”, está explicando à Virgem Santíssima que o milagre daria início à sua caminhada para a cruz e, desse modo, ambos estariam implicados na tarefa do novo Adão e da nova Eva, para a restauração do gênero humano, como previsto pelo livro do Gênesis (3, 15). Mas, ainda assim, os dois seguem em frente com o milagre, numa verdadeira demonstração de desprendimento e amor aos homens.

3. A transformação da água em vinho depende da obediência a tudo o que Jesus ensina, como orienta Nossa Senhora aos organizadores da festa. De igual modo, também nós precisamos confiar na Palavra de Jesus para que haja uma verdadeira transformação espiritual em nossos corações. Deve existir uma disposição interior para uma verdadeira conversão. De resto, Ele mesmo faz o milagre, convertendo nossos corações de pedra em mananciais do amor a Deus e ao próximo.

É bem verdade que somos inclinados à rebeldia, e dificilmente nos submetemos à Palavra de Deus. Por isso, mais uma vez devemos recorrer à intercessão de Nossa Senhora, a fim de que Ela nos eduque a cumprir tudo o que Ele nos disser. Auxiliados por essa mãe valorosa, nós seremos capazes de entregar a Jesus a água do nosso nada, ou seja, a nossa completa indigência, para que Ele nos dê o seu tudo, entregando-se inteiramente no madeiro da cruz. E assim seremos privados da infelicidade de não participar do banquete do dia final.

Oração. — Mãe Santíssima, ajudai-nos a em tudo obedecer os ensinamentos de vosso santo filho Jesus. Nós, que não sabemos rezar nem conhecemos as nossas verdadeiras necessidades, recorremos agora à vossa providencial intercessão, a fim de que sejamos agraciados pela água viva do amor divino. Assim seja!

Propósito. — Rezar pelas vocações sacerdotais que estão necessitadas do vinho milagroso de Jesus em seus corações.

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