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Homilia Dominical
26 Out 2018 - 25:00

A oração de um mendigo cego

Assim como Bartimeu, curado por Nosso Senhor no Evangelho deste domingo, também nós somos cegos e mendigos: cegos porque, depois da queda de Adão, deixamos de ver a Verdade; e mendigos porque miseráveis e necessitados da graça divina. E, no entanto, se Deus já conhece nossa condição, por que precisamos pedir-lhe as coisas através da oração? Ouça esta meditação do Padre Paulo Ricardo e saiba o que tem a nos ensinar mais esse episódio bíblico de cura pela fé.
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Homilia Dominical - 26 Out 2018 - 25:00

A oração de um mendigo cego

Assim como Bartimeu, curado por Nosso Senhor no Evangelho deste domingo, também nós somos cegos e mendigos: cegos porque, depois da queda de Adão, deixamos de ver a Verdade; e mendigos porque miseráveis e necessitados da graça divina. E, no entanto, se Deus já conhece nossa condição, por que precisamos pedir-lhe as coisas através da oração? Ouça esta meditação do Padre Paulo Ricardo e saiba o que tem a nos ensinar mais esse episódio bíblico de cura pela fé.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10, 46-52)

Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

Meditação. — 1. Depois de advertir os Apóstolos sobre o real sentido do serviço a Deus, Jesus mantém a decisão de ir a Jerusalém, mesmo sabendo o que, de fato, o aguarda: a morte na Cruz. Ele caminha para a Cidade Santa e, ao passar com seus discípulos pela região de Jericó, uma cidade localizada abaixo do nível do mar, um cego chamado Bartimeu começa a gritar por seu nome: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. Esse cego, que vive como mendigo nas ruas de Jericó, não se deixa intimidar pelas repreensões que sofre, e pede fervorosamente pela cura da sua enfermidade.

A insistência de Bartimeu é, para nós, uma lição sobre o modo como devemos rezar. A oração vocal serve, sobretudo, para fazermos essa súplica ardente à misericórdia de Deus, que nos cura de nossas doenças e nos torna capazes de segui-lo. Temos de clamar ao Senhor pelo dom da fé, como verdadeiros mendigos que desejam superar toda desesperança e incredulidade. Nas páginas dos Evangelhos, Jesus aparece ensinando esse modo de rezar em várias parábolas, desde a da viuvinha que precisa insistir para receber a graça do juiz (cf. Lc 18, 1-8) à do amigo inoportuno que, no meio da madrugada, vai à procura do outro para obter um favor (cf. Lc 11, 5-8). Em todos esses casos, Deus manifesta a necessidade da oração persistente.

2. O cego Bartimeu recebe a graça depois de muito suplicar. Com efeito, essa demora de Jesus para atendê-lo não é sem razão: Ele quer aumentar em nós o desejo da fé, pois os desejos santos aumentam com a demora. A graça apenas chega quando o Senhor percebe a grandeza desse nosso desejo. E, então, Jesus se coloca diante de nós, como se colocou diante de Bartimeu, para que nos lancemos em seus braços, seguros de que seremos alcançados pelo Seu amor. De fato, temos de repetir o gesto de confiança de Bartimeu, deixando para trás nossas riquezas — “O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus”, diz o Evangelho — para nos abandonarmos aos Seus cuidados.

Uma das consequências do pecado original em nossas vidas é, justamente, a cegueira diante de Deus, cegueira esta que nos impede de caminhar até o seu encontro. A virtude da fé, por sua vez, ilumina esse caminho e nos leva Àquele que é capaz de nos fazer enxergar. Diante da confiança de Bartimeu, Jesus declara: “Vai, a tua fé te curou”. Pela fé, podemos enxergar a vontade de Deus e cumpri-la fielmente, ainda que isso nos custe muitas renúncias e sofrimentos.

3. O Evangelho diz que, imediatamente após a cura, o cego Bartimeu pôs-se a caminho com Jesus. E esse caminho não é outro senão o da Cruz. Trata-se da saída do pecado (aqui representada pela cidade de Jericó) para a paixão, morte e ressurreição (a cidade de Jerusalém). Do mesmo modo, precisamos de uma fé robusta para abandonarmos o mundo e acompanharmos Jesus, como acólitos que acompanham o sacerdote, no oferecimento do Santo Sacrifício pela salvação da humanidade.

Também Jesus nos acompanhará em nossas cruzes. Ele se mantém firme ao nosso lado, porque todo sumo-sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb 5, 1-6). Tenhamos, pois, a coragem de seguir ao seu encontro, a fim de que Ele nos alcance com a sua graça.

Oração. Senhor Jesus, tende piedade de nós, como tivestes do cego Bartimeu, e curai a nossa cegueira espiritual para que possamos seguir-vos no caminho da Paixão, Morte e Ressurreição. Assim seja!

Propósito. — Renunciar a algum “tesouro”, como Bartimeu renunciou ao seu manto, para exercer a virtude do desapego.

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