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129. A preguiça é sempre um pecado venial?

Embora seja tratada por muitos como um "pecado de nada", Jesus Cristo, ao contar a parábola dos talentos, mostra haver uma espécie de preguiça que pode condenar ao inferno.

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A preguiça é considerada um pecado venial, porém, dependendo da obrigação que se deixa de cumprir por ela, pode se tornar muito mais perigosa. Ela se caracteriza por uma falta de energia interior, um cansaço, um medo voluntário de se 'gastar' ao cumprir um dever. A preguiça é tão perniciosa que o próprio Jesus falou sobre ela por meio de uma parábola:

† O Reino dos Céus é também como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens: a um, cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um — a cada qual de acordo com sua capacidade. Em seguida viajou. O servo que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, foi cavar um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor voltou e foi ajustar contas com os servos. Aquele que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'. O senhor lhe disse: 'Parabéns, servo bom e fiel! Como te mostraste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu senhor! 'Chegou também o que havia recebido dois talentos e disse: 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'. O senhor lhe disse: 'Parabéns, servo bom e fiel! Como te mostraste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu senhor! 'Por fim, chegou aquele que havia recebido um só talento, e disse: 'Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ajuntas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'. O senhor lhe respondeu: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu colho onde não plantei e que ajunto onde não semeei. Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence'. Em seguida, o senhor ordenou: 'Tirai dele o talento e dai àquele que tem dez! Pois a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. E quanto a este servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!' (Mt 25, 14-30)

Existe, portanto, uma espécie de preguiça que pode condenar ao inferno. Qual seria essa preguiça? O Padre Garrigou-Lagrange define a preguiça como sendo "uma repugnância voluntária e culpável ao trabalho e, como consequência, uma tendência à ociosidade ou mesmo à negligência, pusilanimidade que se opõe à magnanimidade", assim, não se trata de evento físico, mas de algo voluntário, culposo, que leva o indivíduo a não cumprir o seu próprio dever - de forma consciente -, e a preferir manter uma postura tacanha, apática em contraponto ao chamado de Deus à grandeza.

Esta preguiça que pode condenar o indivíduo ao inferno quando trazida para o campo espiritual recebe o nome de acídia. O Cardeal Joseph Ratzinger, no livro "Guardare Cristo", diz que a acídia tem um quê de ontológico, uma vez que Deus chama cada homem à grandeza, à santidade, mas, por causa dela, o homem prefere se arrastar a levantar-se e a responder seu chamado vocacional.

A acídia é, portanto, uma repulsa por aquilo que Deus quer e um desejo daquilo que não se tem. Não é caracterizada necessariamente pela ociosidade, mas justamente por um ativismo frenético que impede a pessoa de encontra-se consigo mesma, de enxergar-se e de perceber qual é a vontade de Deus para sua própria vida.

O remédio para esse mal passa necessariamente pelo encarar-se a si mesmo, pelo formular e responder à seguinte pergunta: quem sou eu e o que Deus quer de mim? Diante da resposta é preciso lutar, com todas as forças para cumprir o que foi vislumbrado, derramando o próprio sangue.

No mundo moderno, o sangue é o tempo, dar o próprio tempo a Deus, pois é impossível entregar-se a Ele sem dispor de seu tempo, sem entregar -Lhe nada. Quem age dessa forma é um preguiçoso espiritual, alguém que está com o braços cruzados, não quer trabalhar, multiplicar os talentos que Deus lhe deu.

Assim, se é grave a obrigação de amar, se é grave a obrigação de ser santo, se é grave a obrigação de ser de Deus, a preguiça (ou acídia) torna-se um pecado grave, pois, é grave a desobediência à vontade de Deus.

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