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A presença real do Senhor Sacramentado

Ao subir aos céus, Cristo teve de privar-nos de sua presença física e visível. O seu amor sem limites, no entanto, não permitiria que Ele ficasse muito tempo longe daqueles por quem derramou o próprio Sangue.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
16, 16-20)

"Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo". Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: "O que significa o que ele nos está dizendo: 'Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo', e: 'Eu vou para junto do Pai?'".

Diziam, pois: "O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer". Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: "Estais discutindo entre vós porque eu disse: 'Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?'

Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria".

Nosso Senhor, embora tenha subido aos céus quarenta dias após a Ressurreição e, deste modo, privado os discípulos de sua presença física e visível, permanece todavia presente aos que nEle crêem; a sua Ascensão, neste sentido, inaugura uma nova forma de estar entre nós, mais profunda e íntima do que aquela que a sua simples proximidade corporal poderia proporcionar-nos. Nós não O vemos com olhos de carne, e esperamos que O havemos de ver no Fim dos Tempos, glorioso em meio à corte dos anjos, mas sabemos que já O temos bem ao nosso lado, ainda que de forma invisível e nem sempre perceptível, à qual temos acesso em virtude da com que fomos agraciados. É essa sua presença em nós pela graça que temos de alimentar por meio da oração ao longo destes últimos dias do Tempo Pascal, e não há melhor maneira de o fazermos do que renovando nossa fé no augusto mistério que se opera todos os dias sobre os nossos altares, aos quais desce do Céu para fazer-se sacramentalmente presente Aquele que outrora subiu de volta à sua glória celeste. Ao comungarmos, saibamo-nos verdadeiramente tocados pelo Corpo de Cristo, inebriados com o seu Sangue, confortados por sua misericórdia, protegidos sob o amparo do seu poder. Mantenhamo-nos firmes na fé de que Ele está e age em nós, alimentando-nos com todo o seu ser, ainda que nada sintamos. Recebamos ao Senhor Sacramentado com fé, humildade e as devidas disposições, e deixêmo-lO conduzir a bom termo a boa obra que Ele mesmo começou em nossa alma.

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