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Homilia Dominical
5 Jul 2018 - 25:18

A virgindade de Maria e a fé da Igreja

Neste domingo em que o Evangelho faz menção a supostos “irmãos” de Jesus, nada melhor do que renovar a nossa fé em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica, inclusive no dogma de que Nossa Senhora permaneceu virgem antes, durante e após o parto. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo explica essa verdade de fé e nos ajuda a interpretar essa passagem das Escrituras. Quem foram, afinal de contas, os irmãos de Nosso Senhor?
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Homilia Dominical - 5 Jul 2018 - 25:18

A virgindade de Maria e a fé da Igreja

Neste domingo em que o Evangelho faz menção a supostos “irmãos” de Jesus, nada melhor do que renovar a nossa fé em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica, inclusive no dogma de que Nossa Senhora permaneceu virgem antes, durante e após o parto. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo explica essa verdade de fé e nos ajuda a interpretar essa passagem das Escrituras. Quem foram, afinal de contas, os irmãos de Nosso Senhor?
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 1-6)

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.

Meditação. — 1. Na primeira leitura da Missa deste domingo, Deus pede a Ezequiel para que parta em missão e se apresente aos israelitas, “uma nação de rebeldes” (Ez 2, 2), como profeta do Senhor. Israel havia se afastado dos Mandamentos e se tornado um povo arredio, com “filhos de cabeça dura e coração de pedra”. Por isso, Deus providenciou um meio de salvá-los da perdição, enviando-lhes um mensageiro para que, escutando-o ou não, soubessem, ao menos, que “houve entre eles um profeta” (Ez 2, 5), e enxergassem a bondade divina. Séculos depois, essa mesma história se repetiria em Jesus, que “foi enviado para os seus, mas os seus não O receberam” (Jo 1, 11).

Diante da sabedoria de Cristo, o Evangelho da Missa mostra todo o espanto dos nazarenos e até a indignação daqueles que, por conhecerem a Sua família, não O aceitavam como profeta. Essas pessoas provavelmente viram Jesus brincar com seus filhos, trabalhar na carpintaria de José e percorrer as ruas da cidade como qualquer outro cidadão. Não admitiam, portanto, que um simples nazareno, cujo crescimento eles mesmos acompanharam, se tornasse, anos mais tarde, um grande sábio e taumaturgo. E ali, diz São Marcos, Jesus “não pôde fazer milagre algum”, por causa da “falta de fé deles”.

A fé é necessária para receber Jesus. Sem esse dom sobrenatural, que herdamos no Batismo, a pessoa de Cristo pode se converter em um grande escândalo para nós, pois, com Sua humildade e mansidão, Ele contraria tudo aquilo que a nossa mentalidade mesquinha espera de um profeta, de um enviado de Deus. Os nazarenos esperavam alguém “maior” do que o “filho do carpinteiro”, com cujos irmãos e irmãs eles conviviam. Daí a observação sagaz de Jesus: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”.

2. A virtude da fé é conferida a todos aqueles que pedem o sacramento do Batismo à Santa Igreja Católica. Agora, o Batismo é necessário porque Jesus já não passeia fisicamente no meio de nós, nem podemos testemunhar, ao vivo, as Suas palavras e ações. É da Igreja, pois, que recebemos a visão sobrenatural para podermos reconhecer Cristo nas coisas onde, depois da Sua ascensão, Ele mesmo deixou seus sinais: na Tradição, nas Sagradas Escrituras, na Liturgia, no Magistério, na vida dos santos etc. A Igreja nada mais é que a continuação da encarnação de Cristo na história da humanidade, de modo que, sem ela, ninguém pode estar seguro sobre as verdades da fé em Jesus. Sem a Igreja, a fé cristã se converte em crendice.

Notem a polêmica sobre os supostos “irmãos e irmãs” de Jesus, que aparecem no Evangelho. Para a Tradição da Igreja, sempre foi muito claro que Cristo não teve irmãos sanguíneos, nem a Virgem Maria manteve qualquer tipo de relação sexual com São José. Aliás, os primeiros cristãos a chamavam de aei parthenós — ou seja, sempre virgem — para expressar que Jesus não nasceu do “sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1, 13), e Maria se manteve intacta antes, durante e depois do parto. Essa sempre foi a fé da Igreja de dois mil anos, professada na Tradição, nos escritos dos santos e nos documentos conciliares.

As dúvidas sobre a virgindade perpétua de Maria só se tornaram veementes depois do século XVI, quando Lutero e Calvino inventaram a tese da Sola Scriptura. Recusando a autoridade da Igreja, que é o motivo pelo qual cremos nos Evangelhos, os protestantes perderam todo critério de interpretação autêntica das Escrituras, perdendo-se em opiniões bem confusas e ambíguas sobre os pontos essenciais do cristianismo. É assim que, hoje, o protestantismo liberal diz toda sorte de bobagens e blasfêmias sobre Jesus e Maria, afirmando que Nossa Senhora teria sido apenas uma “barriga de aluguel” nas mãos de Deus ou que Cristo, na verdade, seria um filho bastardo.

3. “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor”, diz a Constituição Dei Verbum (n. 21), porque em nada elas contradizem os dogmas ou qualquer outro ensinamento da Igreja. Nas próprias Escrituras é possível encontrar referências que provam a virgindade perpétua de Maria. De fato, a gravidez de Nossa Senhora foi mesmo obra do Espírito Santo, e a sua integridade física durante e depois do parto apenas ratifica esse mistério da origem divina de Jesus. Para os protestantes, que não têm fé verdadeira, isso pode parecer um escândalo, porque não se adequada aos raciocínios mundanos deles. Os protestantes comportam-se como os nazarenos que não receberam Jesus.

Mas quem quiser receber Cristo, hoje, precisa estar disposto a abraçar inteiramente o Seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica, com toda a sua riqueza doutrinal: Tradição, Sagrada Escritura, Liturgia, Magistério etc. A regra da Sola Scriptura não tem qualquer fundamento teológico, nem mesmo bíblico, e se justifica apenas pela ideologia de Lutero. Durante 1500 anos, a teologia dos grandes Doutores — Basílio, Atanásio, Agostinho, Tomás de Aquino etc. — reconheceu, na Igreja, a pessoa de Jesus e a assistência perpétua do Espírito Santo. Com que direito, portanto, podem os protestantes fundar uma nova Igreja, apartada da Tradição? Isso é simplesmente inconcebível.

Não sejamos incrédulos, nem façamos de Cristo uma pedra de tropeço. Ele continua presente na Sua Igreja, apesar dos tantos pecados dos seus membros. Por isso, devemos acolhê-lO na fé católica, na fidelidade ao Magistério de dois mil anos, que sempre ensinou a verdade e continuará ensinando que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

Oração.Senhor Deus, nosso Pai, que enviastes vosso Filho Jesus para nos anunciar a mensagem da salvação, fazei-nos acolhê-lo na fé da Sua Igreja, a Santa Igreja Católica, da qual recebemos os sacramentos para tornarmo-nos vossos filhos santos e irrepreensíveis. Assim seja!

Propósito. — Viver o apostolado, buscando a proximidade de alguém que está afastado da fé e oferecer-lhe aulas de doutrina.

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