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592. Adoradores, não moralistas

Ao repreender os fariseus por observarem a Lei de modo puramente externo, Jesus nos alerta para um risco que também nós, cristãos, podemos correr: o de reduzir a fé ao cumprimento de umas tantas práticas e preceitos, sem se importar com o amor e a misericórdia.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
12, 1-8)

Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: "Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!"

Jesus respondeu-lhes: "Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?

Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. Se tivésseis compreendido o que significa: 'Quero a misericórdia e não o sacrifício', não teríeis condenado os inocentes. De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado".

No Evangelho de hoje, vemos que Jesus, para defender os discípulos das vãs acusações dos fariseus, lança-lhes em rosto uma das mais belas passagens do Novo Testamento, colhida diretamente do Antigo: "Quero misericórdia e não o sacrifício" (cf. Os 6, 6; Mt 9, 13). Pois o que Deus quer, mais do que atos exteriores de culto, como eram os sacrifícios rituais da Lei, é amor entranhado, verdadeiro, sincero — numa palavra: que O adoremos e sirvamos em espírito e verdade, e são os que assim O adoram que o Pai deseja (cf. Jo 4, 23; Sl 144, 18). Ele mesmo o dissera, ao repreender o povo de Israel por boca de Isaías: "Este povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim" (Is 29, 13; cf. Mt 15, 8s; Mc 7, 6s; Jr 12, 2), e prometer-lhe um espírito renovado: "Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne" (Ez 36, 26; cf. Sl 50, 12).

Ora, é em Cristo, cujo Coração oferece continuamente ao Pai um culto digno e perfeito, que se cumpre essa promessa e nos é concedida a graça de amarmos a Deus com o amor que Ele deseja. É verdade, sim, que temos de cumprir os deveres que nos impõe a santa religião que professamos, mas não devemos reduzi-la a cerimônias e preceitos externos. Precisamos praticar o que vem primeiro — a justiça, a misericórdia e a fidelidade —, sem contudo desprezar o restante (cf. Mt 23, 23; Lc 11, 42). Que o Senhor nos ajude a viver de coração a fé que com os lábios confessamos e a observar o que ela nos manda com verdadeira caridade sobrenatural, a fim de cumprirmos o que nos cabe, não por "moralismo" ou "legalismo", mas por amor, oferecendo ao Pai um culto espiritual agradável e realizando cada pequeno ato com afetuoso carinho por Aquele que nos elevou à condição de filhos e herdeiros seus. — Vinde, ó Deus, em meu socorro, dai-me o amor com que quereis que eu Vos ame!

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