É na fé que Cristo se manifesta
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É na fé que Cristo se manifesta

Nesta vida, cremos sem ver, para que um dia, na outra, vejamos o que cremos. Assim Jesus se manifesta a nós: exercitando-nos a fé, que nada vê, para aumentar o mérito de vermos no Céu a plenitude do que Ele nos manifestou na terra.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14, 21-26)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”.

 Estamos na Última Ceia com Jesus, no capítulo 14 de São João, e aqui nós temos esse diálogo de Jesus com os Apóstolos. Agora Judas, não o Iscariotes, mas Judas Tadeu faz uma pergunta a Jesus que pode parecer uma pergunta fora de propósito, mas que muda tudo. Ele diz: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” Isto é, existe algo de diferente em nós, que temos a experiência da fé, pois enxergamos algumas coisas que outras pessoas não as enxergam. Como é possível isso?

A resposta inicial está no último versículo do Evangelho de hoje, onde Jesus começa já a falar do Espírito Santo, do Paráclito, do Defensor que virá. Jesus diz assim no versículo 26: “Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Ou seja: na realidade, Jesus já esteve três anos com seus Apóstolos; eles já têm fé, mas não é uma fé grande o suficiente para entenderem em profundidade e realmente centrarem sua vida nesta verdade, que é Jesus. Então, é necessário o auxílio do Espírito Santo.

Para entender essa atitude, precisamos ter consciência de que estamos diante do maior pedagogo, Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus que se fez homem. Ninguém pode colocar defeito nas ações de Jesus e dizer assim: “Jesus, por que você não ensinou os Apóstolos direito?”.

Jesus é Deus que se fez homem; então, se há alguém que consegue explicar e ensinar as coisas de uma forma adequada, é Jesus. Mas Jesus mesmo está dizendo do seu limite, porque Ele está aqui fora, no Cenáculo, junto com os seus Apóstolos. De nada adianta Jesus nos falar se não permitirmos que suas palavras façam eco em nosso coração, como um mestre interior. 

Aqui está o problema. Jesus quer se manifestar a todos, quer falar a todos: “Ide, evangelizai todos os povos, todas as gentes”, mas quem não se abrir à ação da graça do Espírito Santo no próprio coração não vai perceber. Então, como se explica que da mesma pregação algumas pessoas digam: “Nossa, Deus falou comigo! Eu fui tocado. Ele me alimentou interiormente!” e, ouvindo a mesma pregação, a pessoa sentada no banco ao lado está totalmente indiferente e não faz absolutamente nada? O Espírito Santo está querendo agir no coração de cada homem, mas nem todos se abrem a essa ação.

Então, a primeira coisa que precisamos fazer hoje é agradecer a Deus e dizer: “Jesus! Muito obrigado, muito obrigado pelo Espírito Santo, que me fez enxergar e ter fé, quando tantas pessoas melhores do que eu poderiam ter tido fé, e não têm”. Rezemos para que o Espírito Santo venha sobre todas as pessoas e possam crer verdadeiramente.

* * *

V. 21. A condição estabelecida no v. 15 para o envio Espírito Santo, Jesus a relaciona agora com sua própria vinda mística, e acrescenta: Quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e (como fruto deste amor) me manifestarei (ἐμφανίσω, representarei clara e perspicuamente) a ele, comunicando-lhe um conhecimento mais profundo a meu respeito; pois o que faz (pratica) a verdade vem para luz (cf. Jo 3,21), isto é, para o conhecimento de Deus e nele progride [1].

V.22s. Judas, ou Tadeu (cf. Mt 13,55; Mc 3,18) ou de Jacó (cf. Lc 6,16), como tivesse ouvido falar muitas vezes da manifestação de Jesus aos discípulos mas não ao mundo (cf. v. 17), não entendeu como essas palavras se coadunavam com a manifestação gloriosa do Messias (cf. At 1,1-6); por isso interroga: Que é feito (gr. τί γέγονεν, lt. quid factum est = qual é a causa por) que te manifestarás a nós e não ao mundo? O mesmo haviam perguntado os irmãos do Senhor (cf. Jo 7,4). — Não sabemos se Jesus respondeu diretamente à pergunta do discípulo; as palavras que seguem, omitida a questão de Judas, não fazem mais do que aprofundar a doutrina já exposta: “Perguntara sobre a manifestação de Cristo, e ouviu sobre o amor e uma morada” (Santo Agostinho). A manifestação dar-se-á somente aos que amam Cristo. E primeiro repete o que disse antes (guardará minha palavra é mais abrangente que guardará meus mandamentos); em seguida, diz que o prêmio deste amor é a inabitação do Pai e do Filho e do Espírito Santo na alma: Nós viremos e faremos junto dele (παρ’ αὐτῷ = ἐν αὐτῷ) a nossa morada (pela graça e por presença íntima e amigável na alma), por certa habitação inefável e invisível, mas real e substancial, cuja figura tinha sido a inabitação de Deus no Templo de Jerusalém (cf. Lv 26,11s) [2].

V. 24. Esclarece em forma negativa a doutrina dos vv. 15 e 21. — E a palavra que escutastes não é minha (dita não só por mim, enquanto homem), mas do Pai, que me enviou.

V. 25. Jesus considera acabado o seu ministério, inclusive em relação aos Apóstolos: Isso é o que vos disse enquanto estava convosco, o que abarca tudo quanto tinha dito aos discípulos em três anos de vida apostólica. Outros, porém, restringem ταῦτα às palavras ditas na Ceia; mas isso é pouco provável. — V. 26. Não obstante, a formação dos Apóstolos (e não da Igreja vindoura) ainda não está completa; sua ação doutrina pessoal requer um complemento; é o que fará o Espírito Santo: o Espírito Paráclito, que o Pai enviará em meu nome, ele, por ser o Espírito da verdade (cf. v. 17), vos ensinará tudo por iluminação interior e inspiração e, além disso, vos recordará (lt. suggeret, gr. ὑπομνήσε = trará à memória) tudo o que vos tiver dito (ἃ εἶπον = o que vos disse) “eu” (acréscimo do texto gr.).

N.B. — 1) Muitos autores opinam que essa promessa tem por destinatários unicamente os Apóstolos, por isso a interpretam assim: “O Espírito Santo vos ensinará o que falta à minha doutrina” (cf. Jo 16,12s), donde concluem que o depósito da revelação encerrou-se no tempo dos Apóstolos. — 2) Para outros, a promessa, como aliás boa parte do conteúdo deste capítulo, é dirigida a toda a Igreja; por isso interpretam vos ensinará tudo como: “Ele vos abrirá o sentido de todas as minhas palavras”. O que se promete, portanto, é a assistência do Espírito Santo não só negativa (para que não erre a Igreja docente na interpretação do depósito da revelação), mas também positiva (para compreender mais a fundo e expor com maior precisão o sentido da doutrina de Cristo). Tal ação do Espírito Santo se vê de modo manifesto na Igreja primitiva, como se pode comprovar pelos Atos dos Apóstolos, também chamado justamente “Evangelho do Espírito Santo”.

Notas

  1. “Há uma iluminação vinculada a cada boa obra que se faz. A observância fiel dos mandamentos dá sobre Cristo e sua doutrina um conhecimento íntimo e pessoal, que introduz cada vez mais profundamente no mistério divino” (J. Huby).
  2. “Eis que nos santos, com o Pai e o Filho, faz o Espírito também sua morada, e isso intimamente, como Deus em seu templo. Deus Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, vêm a nós, quando vamos a eles; vêm a nós socorrendo-nos, enquanto a eles vamos obedecendo-lhes; vêm a nós iluminando-nos, a eles vamos contemplando-os; vêm preenchendo-nos, vamos desejando-os; para que tenhamos deles visão interna, e não externa, e tenham eles em nós morada eterna, e não transitória” (Santo Agostinho). — Daí se segue que “Deus dá ao justo não somente a sua graça, mas a si mesmo, de sorte que Deus Pai, Filho e Espírito Santo habitam realmente na alma do justo como em seu templo, a enriquecem com sua presença e a cumulam de seus dons” (Cornélio a Lapide).
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