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1299. Eu vim para lançar fogo sobre a terra!

“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão”.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 49-53)

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.

V. 49. Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso. — De acordo com a maioria dos Santos Padres, o fogo de que Nosso Senhor fala neste versículo é o Espírito Santo e os seus dons, sobretudo o da caridade, devoção, fervor e zelo, que só Ele pode suscitar no coração dos fiéis. É este o fogo que mantém acesas e ardentes as lâmpadas (cf. Mt 25, 1-13) dos fiéis: “O amor é forte como a morte, a paixão é violenta como o Sheol. Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina” (Ct 8, 6). É este o fogo cujo ardor pede a Igreja, ao rezar no sábado das têmporas de Pentecostes: “Que o Espírito Santo nos inflame, Senhor, naquele fogo que Jesus Cristo veio trazer à terra e vivamente deseja que se incendeie”. Era este o fogo de que ardia o coração de Cléofas, quando disse: “Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32). E o desejo de lançar sobre a terra este fogo, Jesus o satisfez plenamente no dia de Pentecostes, ao mandar o Espírito Santo sobre os Apóstolos na forma de línguas de fogo (cf. At 2, 1-4).

V. 50. Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra. — Isto é, obediente ao decreto do Pai, e por decisão de sua própria vontade, Cristo deve ser batizado na fonte de seu Sangue, e Ele anseia vivamente pelo momento da própria morte, porque é só a partir de então que poderá atear no coração dos homens o fogo do Espírito Santo. Jesus, portanto, não está ansioso por temer o suplício da cruz, mas porque, inflamado de verdadeira e intensíssima caridade, quer o quanto antes os bens divinos que a sua morte nos irá merecer. Donde se vê o tamanho do amor de Cristo e a sede que o consumia pela nossa salvação, porque onde há amor, aí também há dor e ansiedade pela coisa amada, e dor tanto mais intensa quanto maior é a distância entre ela e quem a ama. Tal era, pois, a caridade de Cristo, cujo SS. Coração não podia conter-se dentro de si até se entregar a Deus como holocausto e vítima, no altar da cruz, pelos pecados de todo o mundo, a fim de nos salvar, santificar e beatificar consigo na glória do céu.

V. 51. Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. — Cristo, com efeito, não veio dar aos homens uma paz terrena e mundana, mas a paz espiritual e de coração (cf. Lc 2, 14), que é própria da união dos fiéis entre si e com Deus, pois é esta a única paz verdadeira, qual um preâmbulo da paz definitiva no Reino dos céus. Por isso, é forçoso que haja certa divisão e discórdia entre os que creem em Cristo e os infiéis, entre os que se deixam abrasar pela caridade ardente do Redentor e os que, mornos de alma, não se deixam incendiar nem, portanto, purificar interiormente. A divisão, pois, não é culpa de Cristo nem de sua santa religião, mas da decisão daqueles que, ao contrário dos que se convertem, não querem responder ao chamado do Senhor: “Segue-me!”, isto é, deixa-te inflamar pelo fogo que Eu com tanto, custo, com tanto suor e tanto Sangue vim lançar no coração dos homens [1].

Referências

  1. Texto baseado, com leves adaptações, em Cornélio a Lapide, Commentaria in S. Scripturam. Neapoli, 1857, vol. 8, pp. 190.600-602.
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