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60. Festa da Dedicação da Basílica de Latrão

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
2, 13-22)

Estava próxima a Páscoa dos judeus; Jesus, então, subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nas suas bancas. Então fez um chicote com cordas e a todos expulsou do templo, juntamente com os bois e as ovelhas; jogou no chão o dinheiro dos cambistas e derrubou suas bancas, e aos vendedores de pombas disse: "Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado!" Os discípulos se recordaram do que está na Escritura: "O zelo por tua casa me há de devorar".

Então os judeus perguntaram a Jesus: "Que sinal nos mostras para agires assim?" Jesus respondeu: "Destruí este templo, e em três dias eu o reerguerei." Os judeus, então, disseram: "Trabalharam durante quarenta e seis anos erguer este templo, e tu serias capaz de erguê-lo em três dias?" Ora, ele falava isso a respeito do templo que é seu corpo. Depois que Jesus fora reerguido dos mortos, os discípulos se recordaram de que ele tinha dito isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus falou.

Ao celebrar hoje a dedicação da Basílica do Laterano, em Roma, a Igreja nos recorda que somos nós os verdadeiros templos de Deus. O Bem-aventurado Apóstolo Paulo também o afirma, com toda clareza, em uma de suas epístolas: "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Cor 3, 16). Como, porém, compreendê-lo? Em que sentido a Igreja e os santos afirmam sermos nós os templos do Altíssimo? É o próprio Senhor Jesus quem nos responde: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada" (Jo 14, 23). É portanto a Santíssima Trindade inteira, Pai, Filho e Espírito Santo, que vem habitar em nosso coração. Ora, como Jesus mesmo diz, a condição básica para que Ele e o Pai venham inabitar em nossa alma é o cumprimento de toda a Lei de Deus: "guardará a minha palavra" e "nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada." É o que Igreja, por um trabalho constante de aprofundamento teológico, costuma chamar estado de graça.

Este conceito pode ser melhor entendio à luz de uma das muitas visões que Santa Teresa d'Ávila teve ao longo da vida. Com efeito, pôde a santa carmelita contemplar a alma de um justo. Viu ela que a alma em estado de graça assemelha-se a um grande castelo de cristal em cujo centro, fonte de uma brilhante luz, habita o rei: o próprio Deus. Essa luz que brota do Senhor é a vida sobrenatural que Ele mesmo comunica à alma, que é assim iluminada e vivificada pela presença amorosa da Trindade três vezes santíssima. Ao redor da alma, no entanto, Santa Teresa não viu senão trevas e uma multidão de animais terríveis e peçonhentos: são os pecados, as tentações, os demônios que nos circundam e pedem para entrar em nossa intimidade. Santa Teresa pôde também contemplar a fealdade de uma alma em pecado mortal: o rei, que habita no centro do castelo, continua lá, mas aquela luz se esmorece e, uma vez apagada, todas as bestas e iniquidades que assediam o castelo têm acesso livre aos átrios interiores: maculam-nos com sua sujidade, empesteam-nos com o seu terrível mal cheiro.

Este quadro que Deus revelou a Santa Teresa é, de fato, bastante revelador. Com efeito, do mesmo modo como está presente em suas criaturas, assim também o Senhor se faz presenta na alma manchada por um pecado grave; neste caso, Ele simplesmente a sustenta no seu ser ordinário, natural. Quando, porém, seja pelo Batismo, seja pela Confissão sacramental, a alma reata sua amizade com Deus, Ele então lhe comunica uma outra vida, a vida da graça, a vida sobrenatural. Ele se faz presente como o doador da verdadeira vida, como a fonte de todo bem de toda bênção. Essa luz vivificante que o Senhor traz ao nosso interior é o que afasta o pecado; é assim que, tal como Jesus purificara o Templo de Jerusalém de lá expulsando os vendilhões oportunistas, a Santíssima Trindade nos quer preservar de qualquer mácula, de qualquer pecado. Deixemos que o Senhor brilhe em nosso íntimo; peçamos-lhes, pois, a graça de não o expulsarmos de nossa alma. Que Ele, enfim, comunicando-nos a sua própria vida, nos leve a viver só para Ele, deixando de lado tudo quanto nos possa afastar do seu doce convívio.

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