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1243. Memória de São Bernardo de Claraval

Muitas vezes, conduzimos nossa vida espiritual com um “naturalismo prático”: ricos de soberba, mas pobres de humildade, achamos que somos nós os autores da nossa santidade e que Deus, na melhor das hipóteses, é um mero espectador dos nossos esforços tão “heroicos”.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 23-30)

Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”. Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”.

Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?” Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos. E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros”.

O Evangelho que a Igreja nos propõe hoje à reflexão dá continuidade ao de ontem. Jesus dissera ao jovem rico: “Se queres ser perfeito”; hoje, diz aos discípulos: “Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus”, porque os que são ricos somente aos olhos dos homens, mas não diante de Deus, são incapazes de entrar pelo “buraco estreito de agulha” que leva à verdadeira riqueza, que é a santidade. O Senhor não afirma, pois, nem que os ricos de bens materiais estão excluídos do Reino nem que os pobres, só por serem pobres, terão entrada livre e fácil ao paraíso, mas que, para ser perfeito, é necessário fazer-se pobre de espírito. Quem é rico, com efeito, seja por apegar-se aos próprios bens, seja por confiar excessivamente nas próprias forças, se incapacita para a ação da graça, pois Deus resiste aos soberbos. De fato, não pode o homem chegar à perfeição cristã apenas por seus esforços pessoais. Estes são, é claro, um elemento essencial à vida espiritual, já que Deus respeita a nossa liberdade e quer que, como seres livres, cooperemos com Ele em nossa santificação. No entanto, o protagonismo pertence inteiramente ao Senhor: é Ele quem opera em nós o querer e o fazer, é Ele quem leva a bom termo a obra a que só Ele pode dar início: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”. Por esse motivo, quem deseja ser perfeito há de lutar contra a soberba de achar-se suficiente e capaz de alcançar o que, em verdade, supera as forças da nossa natureza. Mais do que um ativismo desenfreado, inquieto, o que Deus pede de nós é humildade e docilidade, cultivadas constantemente na oração, que é o meio privilegiado pelo qual Ele nos irá conduzindo, como um Pai a educar seus filhos, pelos caminhos da santidade. Humilhemo-nos aos pés do nosso bom Senhor e reconheçamos o nosso “naturalismo prático”, que nos leva a agir, às vezes sem nos darmos conta, como se fôssemos nós a fonte das virtudes que julgamos ter e os autores da santidade que aspiramos possuir. Saibamos que, se queremos ser perfeitos, “para os homens isso é impossível”, mas não para Deus, o único que pode, se não resistirmos às suas santas inspirações, fazer-nos passar “pelo buraco de uma agulha”.

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