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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17, 1-6)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos.

Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”.

Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.

Temos hoje a alegria de celebrar a memória de S. Josafá Kuncewicz, um dos grandes apóstolos da unidade entre as igrejas grega e latina. Josafá nasceu por volta de 1580 em Volínia, no noroeste da Ucrânia, numa região historicamente marcada pela divisão entre católicos e cismáticos ortodoxos. Filho de rutenos nobres e piedosos, Josafá ingressou com cerca de 20 anos no mosteiro da SS. Trindade, da Ordem de S. Basílio Magno, onde a fama de sua santidade começou a difundir-se. Em 1609, foi ordenado presbítero e, em pouco tempo, nomeado arquimandrita de Vilnius e hegúmeno de seu mosteiro. Em 1614, foi sagrado bispo coadjutor da Arquieparquia de Polatsk. Exemplo de todas as virtudes e estrênuo defensor da fidelidade ao Sumo Pontífice, Josafá trouxe de volta à unidade da Igreja Romana muitos heréticos e cismáticos orientais. Sua atividade pastoral em defesa da unidade eclesiástica, porém, não deixou de suscitar o ódio de muitos dissidentes, que em 1623, na cidade de Vitebsk, invadiram a igreja em que ele acabara de celebrar a Divina Liturgia, lincharam-no a machadadas e lançaram-lhe o cadáver num rio.

Morto com apenas 43 anos, o corpo de Josafá foi encontrado pouco depois e é hoje venerado na Basílica de S. Pedro, em Roma, cujos direitos ele sempre defendeu. O Papa Urbano VIII ornou-o com a honra dos beatos em 1643 e, em 1867, o Papa Pio IX o inscreveu por fim no catálogo dos santos. A vida deste grande santo nos recorda com que firmeza devemos nós hoje, em tempos de um mal entendido ecumenismo, defender e amar a unicidade e a unidade da Igreja de Cristo. Por vontade de seu divino Fundador, a Igreja é una e única, sem fraturas internas nem mutilações externas: não há, fora da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, outra “igreja” no sentido pleno da palavra. Podemos, é verdade, reconhecer em algumas comunidades cristãs separadas de Roma a existência de certos “elementos eclesiásticos” que elas herdaram da Igreja de Cristo, quando a ela ainda estavam unidas (como os sacramentos entre os ortodoxos), ou dos quais se apropriaram, já que não lhes deram origem (como a S. Escritura entre os protestantes). Jesus quis que a sua Igreja fosse única e visível a todos, porque é ela, Corpo místico de Cristo, aquela videira que dá aos ramos a seiva da vida espiritual e o vigor da sã doutrina. Separados dela, não somos mais do que gravetos secos, sem vida, prontos para ser lançados ao fogo. Que o bom Deus desperte em nós o mesmo Espírito que animou o bem-aventurado Josafá a dar a vida por suas ovelhas, a fim de que também nós, mantendo-nos unidos à Santa Igreja Romana, mereçamos alcançar um dia o prêmio de que ele já goza no céu.

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