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Homilia Dominical
14 Out 2017 - 26:08

O banquete nupcial do Cordeiro

O Evangelho deste domingo fala de um banquete nupcial para o qual um rei bondoso convida muitos amigos. Mas esses amigos não lhe dão atenção e, preferindo realizar outras tarefas, desprezam o seu convite. Com essa parábola, Jesus ilustra tanto a atitude dos fariseus com relação a Deus quanto a nossa. Por causa de um falso conceito sobre Jesus, acabamos desprezando a sua vontade em nossas vidas para buscarmos os banquetes pecaminosos que o mundo nos oferece.
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Homilia Dominical - 14 Out 2017 - 26:08

O banquete nupcial do Cordeiro

O Evangelho deste domingo fala de um banquete nupcial para o qual um rei bondoso convida muitos amigos. Mas esses amigos não lhe dão atenção e, preferindo realizar outras tarefas, desprezam o seu convite. Com essa parábola, Jesus ilustra tanto a atitude dos fariseus com relação a Deus quanto a nossa. Por causa de um falso conceito sobre Jesus, acabamos desprezando a sua vontade em nossas vidas para buscarmos os banquetes pecaminosos que o mundo nos oferece.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 22,1-14)

Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir.

O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’

Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.

O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.

Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.

Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Como nas semanas passadas, o Evangelho deste domingo trata dos últimos esforços de Jesus para amolecer o coração dos fariseus e convencê-los de sua filiação divina. Cristo sabe que será morto, mas não desiste de sua missão; Ele quer salvar ao menos alguns daqueles doutores da lei. De fato, essa tentativa será recompensada no momento de sua condenação, quando um pequeno grupo desses fariseus, vendo a hipocrisia de Anás e Caifás, mostrar-se contrário àquele julgamento que ocorria no meio da noite e às escondidas, como retratou A Paixão de Cristo, de Mel Gibson.

Jesus conta-lhes a parábola do banquete nupcial para ilustrar o Reino dos Céus. A narrativa fala de um rei que preparou uma festa de casamento a seus filhos. Trata-se de mais uma história de amor. Deus enviou seu Filho Jesus para um casamento com a humanidade, para redimi-la de suas impurezas e torná-la sua esposa no Céu. Jesus quer mesmo unir-se à Igreja, como ouvimos em todas as missas.

Mas e quanto a nós? Queremos unir-nos a Jesus em um casamento?

Se fizermos uma pesquisa nas ruas com a seguinte pergunta: “O que é o Céu para você?”, um grande número de pessoas responderá que o Céu é o “andar de cima”, “um paraíso”, “um lugar sem dor nem sofrimento” etc. Essa visão, embora não seja de todo errada, exclui, porém, o elemento principal da salvação divina: o matrimônio espiritual com Jesus. Infelizmente, a maior parte das pessoas não vê a felicidade em Deus, em uma união íntima com a Pessoa de Cristo. Deus não é a nossa felicidade.

Como narra Jesus na parábola deste domingo, Deus nos convidou para um banquete, mas “os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram” (v. 5-6). Os convidados veem Deus como um inimigo, alguém que tolhe a sua liberdade, que lhes nega o direito ao prazer.

Façamos um exame de consciência: por que vamos à Missa? Essa pergunta é fundamental porque é possível que estejamos indo à Missa pelo motivo errado. É possível que você esteja tratando Deus como seu servo, como o gênio da lâmpada que deve realizar todos os seus caprichos e vontades. E se essa é a sua concepção de Deus, é bem provável que logo você se torne um incrédulo.

Sim, porque o ateísmo nasce a partir de um conceito equivocado de Deus. O diabo faz-nos acreditar em um “deus” ridículo para, quando estivermos totalmente apaixonados por esse falso deus, revelar-nos a sua inexistência. Ora, se Deus é apenas um serviçal, um escravo de nossas vontades, é melhor mesmo que Ele não exista. E é assim que uma pessoa se torna ateia. Desejamos um deus que faça nossas vontades e, quando ele não nos atende, nós o matamos como os fariseus mataram o messias esperado. Cristo veio, mas não realizou as vontades iníquas dos doutores da lei. Por isso O mataram.

Qual é o seu deus? Se você não tem em Deus a fonte de sua felicidade, é bem possível que você O mate em seu coração. O Evangelho deste domingo fala, mais uma vez, da necessidade da conversão. Precisamos mudar o nosso coração para participarmos do banquete nupcial. Caso contrário, seremos tratados como o convidado que vai à festa sem o traje adequado, ao qual o rei ordena que amarrem os pés e as mãos e o joguem fora, na escuridão, onde “haverá choro e ranger de dentes” (v. 13).

Essas vestes nupciais nada mais são que o amor, como explicou Bento XVI na Missa de Quinta-Feira Santa, em 2011:

Os lugares vazios no banquete nupcial do Senhor, com ou sem desculpa, há já algum tempo que deixaram de ser para nós uma parábola, tornando-se uma realidade, justamente naqueles países aos quais Ele tinha manifestado a sua proximidade particular. Jesus sabia também de convidados que viriam sim, mas sem estar vestidos de modo nupcial: sem alegria pela sua proximidade, fazendo-o somente por costume e com uma orientação bem diversa na sua vida. São Gregório Magno, numa das suas homilias, perguntava-se: Que gênero de pessoas são aquelas que vêm sem hábito nupcial? Em que consiste este hábito e como se pode adquiri-lo? Eis a sua resposta: Aqueles que foram chamados e vêm, de alguma maneira têm fé. É a fé que lhes abre a porta; mas falta-lhes o hábito nupcial do amor. Quem não vive a fé como amor, não está preparado para as núpcias e é expulso. A comunhão eucarística exige a fé, mas a fé exige o amor; caso contrário, está morta, inclusive como fé.

O cristianismo não é a religião dos deuses pagãos que fazem todas as nossas vontades. É, antes, a religião do amor de Deus em nossas vidas. É a vontade d’Ele que deve acontecer assim na Terra como no Céu. Deus nos deseja e tem sede de nossas almas. Coloquemos, portanto, as nossas vestes nupciais para que sejamos acolhidos no seu banquete salvífico, a Divina Eucaristia.

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