O Ano Litúrgico é uma verdadeira “escola de santidade”, pela qual podemos aprofundar nossa vida de oração e intimidade com Cristo. Nesta aula, Padre Paulo Ricardo propõe-nos uma meditação sobre as “Antífonas Maiores”, também conhecidas como “Antífonas do Ó”, consideradas “a medula da liturgia do Advento”.
Antífonas do Ó e suas referências na Escritura
1. O Sapiéntia, quæ ex ore Altíssimi prodiísti, attíngens a fine usque ad finem, fórtiter suavitérque dispónens ómnia: veni ad docéndum nos viam prudéntiæ. — Ó Sabedoria, que, saindo da boca do Altíssimo, atinges o universo de uma extremidade a outra e dispões, ao mesmo tempo com força e suavidade, todas as coisas: vem ensinar-nos o caminho da prudência.
É por ele que estais em Jesus Cristo, o qual foi feito por Deus, para nós, sabedoria, justiça, santificação e redenção (1Cor 1, 30).
Isto vem do Senhor dos exércitos, admirável nos seus conselhos, excelso na sua sabedoria (Is 28, 29).
Eu saí da boca do Altíssimo, primogênita antes de todas as criaturas (Eclo 24, 5).
[A sabedoria] estende-se poderosa desde uma extremidade à outra, e dispõe todas as coisas com suavidade [lt. suaviter] (Sb 8, 1).
A sabedoria é mais ágil que todo o movimento; tudo atravessa e penetra por causa da sua pureza (Sb 7, 24).
O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma. Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes que a terra fosse criada (Pr 8, 22-23).
2. O Adonái, et Dux domus Israel, qui Móysi in igne flammæ rubi apparuísti, et ei in Sina legem dedísti: veni ad rediméndum nos in bráchio exténto. — Ó Adonai, Chefe da casa de Israel, que apareceste a Moisés na sarça em fogo e deste-lhe no Sinai a lei: vem resgatar-nos com o teu braço poderoso.
Com efeito, o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei, é ele que nos há-de salvar (Is 33, 22).
E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais [cidades] de Judá, porque de ti sairá um chefe, que apascentará Israel, meu povo (Mt 2, 6; Mq cf. 5, 2).
O Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo [que saía] do meio de uma sarça (Ex 3, 2a).
Lembra-te que também serviste no Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão poderosa e com braço estendido (Dt 5, 15a; cf. 9, 29; 26, 8).
Manifestou o poder do seu braço, dispersou os homens de coração soberbo (Lc 1, 51).
3. O Radix Iesse, qui stas in signum populórum, super quem continébunt reges os suum, quem Gentes deprecabúntur: veni ad liberándum nos, iam noli tardáre. — Ó Raiz de Jessé, que te ergues como um estandarte para os povos, diante de quem se calarão os reis, e a quem as nações pedirão clemência: vem libertar-nos, não tardes.
Sairá uma vara do tronco de Jessé, e um rebento brotará da sua raiz… Naquele dia, o [Messias] rebento da raiz de Jessé, posto por estandarte dos povos, será invocado pelas nações, e será gloriosa sua morada (Is 11, 1.10).
Isaías também diz: Sairá o rebento de Jessé, aquele que se levanta para governar as nações. Nele esperarão os gentios (Rm 15, 12; Is cf. 11, 10).
Então um dos anciões disse-me: “Não chores; eis que o leão da tribo de Judá, a estirpe de Davi, venceu de maneira a poder abrir o livro e os seus sete selos” (Ap 5, 5).
Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos atestar estas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a estrela resplandecente da manhã (Ap 22, 16).
4. O clávis David, et sceptrum domus Israel; qui áperis, et nemo claudit; claudis, et nemo áperit: veni, et educ vinctum de domo cárceris, sedéntem in ténebris et umbra mortis. — Ó Chave de Davi, e Cetro da Casa de Israel, que abres e ninguém fecha, fechas e ninguém abre; vem e tira do cárcere o agrilhoado, que está nas trevas e na sombra da morte.
Porei a chave da casa de Davi sobre os seus ombros; ele abrirá, e não haverá quem feche; fechará, e não haverá quem abra (Is 22, 22; Ap cf. 3, 7).
E clamaram ao Senhor no meio das suas angústias, e ele os livrou das suas tribulações. Tirou-os das trevas [do cárcere] e da escuridão, quebrou as suas cadeias (Sl 106, 13-14).
[Eu] te pus para seres a aliança do povo e a luz das nações; para abrires os olhos dos cegos, para tirares da cadeia os prisioneiros, e do cárcere os que estão sentados nas trevas (Is 42, 6b-7).
Eis o que diz o Senhor: Eu ouvi-te no tempo da graça, auxiliei-te no dia da salvação: conservei-te e constituí-te aliança do povo, para restaurares a terra e repartires as heranças devastadas; para dizeres aos que estão em cadeias: Saí — e aos que estão nas trevas: Vinde à luz (Is 49, 8-9).
Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz; e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte (Mt 4, 16; Is cf. 9, 2).
Para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte; para dirigir os nossos pés no caminho da paz (Lc 1, 79).
O Espírito do Senhor repousou sobre mim; pelo que me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; me enviou a sarar os contritos de coração a anunciar aos cativos a redenção, e aos cegos a recuperação da vista, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar o ano favorável do Senhor (Lc 4, 18-19; Is cf. 61, 1-2).
5. O Oriens, splendor lucis ætérnæ, et sol iustítiæ: veni, et illúmina sedentes in ténebris et umbra mortis. — Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e Sol de justiça; vem e ilumina os que jazem nas trevas e na sombra da morte.
Então romperá a tua luz como a aurora, e a tua saúde mais depressa nascerá (Is 58, 8a).
Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos atestar estas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a estrela resplandecente da manhã (Ap 22, 16).
Graças à terna misericórdia do nosso Deus, que nos trará do alto a visita do sol nascente (Lc 1, 78).
Não terás mais [necessidade do] sol para luzir de dia, nem do resplendor da lua para te alumiar: o Senhor te servirá de luz eterna, o teu Deus será a tua glória (Is 60, 19; Ap cf. 21, 23; 22, 5).
Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá [o Messias] o sol da justiça, que traz a salvação sob as suas asas (Ml 4, 2a).
6. O Rex Géntium, et desiderátus eárum, lapísque anguláris, qui facis útraque unum: veni, et salva hóminem, quem de limo formásti. — Ó Rei das nações e Desejado delas, Pedra angular, que unificas os dois povos; vem, e salva o homem que formaste do limo da terra.
Quem não te temerá, ó Rei das nações? (Jr 10:7a)
Porque Deus é o rei de toda a terra, cantai um hino. Deus reina sobre as nações, Deus está sentado sobre o seu santo trono (Sl 46, 8-9).
Graça a vós e paz, da parte daquele que é, que era e que vem, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e da parte de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito [o primeiro que ressuscitou] dentre os mortos, o soberano dos reis da terra (Ap 1, 4-5).
Abalarei todas as nações, afluirão riquezas de todos os povos, e encherei de glória esta casa, diz o Senhor dos exércitos (Ag 2, 8).
Jesus disse-lhes: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que fora rejeitada pelos que edificavam, tornou-se pedra angular; pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?” (Mt 21, 42; Sl cf. 117, 22-23; Mc 12, 10-11; Lc 20, 17; At 4, 11; 1Pd 2, 7).
Portanto, estas coisas diz o Senhor Deus: Eis que coloquei nos fundamentos da [nova] Sião uma pedra, uma pedra provada, angular, preciosa, assentada em [solidíssimo] fundamento; aquele que crer, não se apressará [a fugir] (Is 28, 16; Rm cf. 9, 33; 1Pd 2, 6).
Porque ele é a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo a parede de inimizade que os separava (Ef 2, 14).
O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente (Gn 2, 7).
Deus criou o homem da terra, e formou-o à sua imagem (Eclo 17, 1).
7. O Emmánuel, Rex et légifer noster, exspectátio Géntium, et Salvátor eárum: veni ad salvándum nos, Dómine, Deus noster. — Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança das nações e seu Salvador; vem salvar-nos, Senhor, nosso Deus.
Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porão o nome de Emanuel (Mt 1, 23; Is cf. 7, 14).
Formai planos, e eles sairão frustrados; proferi alguma palavra de mando, e ela não será executada, porque Deus é conosco! (Is 8, 10)
Porque onde se acham dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18, 20).
Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt 28, 20b).
Com efeito, o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador [lt. legifer noster], o Senhor é o nosso rei, é ele que nos há-de salvar (Is 33, 22).




























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