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Homilia Dominical
27 Out 2017 - 26:44

O mandamento do amor

O Evangelho deste domingo trata do primeiro e mais importante mandamento da Lei de Deus, a saber, o mandamento do amor. Em sua resposta aos fariseus, Jesus declara que o amor a Deus deve ser total, isto é, não pode ser dividido com as demais criaturas. Embora isso pareça absurdo, o testemunho dos grandes santos da Igreja comprova que essa é a única maneira de se chegar ao Céu.
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Homilia Dominical - 27 Out 2017 - 26:44

O mandamento do amor

O Evangelho deste domingo trata do primeiro e mais importante mandamento da Lei de Deus, a saber, o mandamento do amor. Em sua resposta aos fariseus, Jesus declara que o amor a Deus deve ser total, isto é, não pode ser dividido com as demais criaturas. Embora isso pareça absurdo, o testemunho dos grandes santos da Igreja comprova que essa é a única maneira de se chegar ao Céu.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 22, 34-40)

Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

O Evangelho deste domingo trata do primeiro e mais importante mandamento da Lei de Deus, a saber, o mandamento do amor. Em meio àquele clima de polêmica e já sabendo que Jesus havia calado os saduceus, o grupo dos fariseus decide, mais uma vez, colocá-lO à prova para arrancar-lhe algum discurso contraditório e, assim, desacreditá-lO diante do povo. “Qual é o maior de todos os mandamentos?”, perguntam-lhe os doutores da Lei. A resposta de Jesus, embora seja uma citação do Antigo Testamento (cf. Dt 6, 5), revela o sentido mais profundo de sua pregação e o que, de fato, significa ser uma pessoa religiosa: quem se diz temente a Deus deve, claro, amá-lO de todo o coração.

A maior parte das pessoas concorda com o mandamento de que devemos amar a Deus. É quase absurdo imaginar alguém que crê em Deus e ao mesmo tempo o odeia. E embora esse amor deva ser “sobre todas as coisas”, como exige o mandamento, ainda se trata de uma norma razoavelmente aceitável e perfeitamente lógica para os homens. Numa justa hierarquia, pensa-se, deve-se primeiro amar a Deus, depois a família, depois os amigos, os bens e assim por diante. Pecado haveria se essa ordem fosse invertida e Deus acabasse ocupando o último lugar na vida das pessoas. Não existindo essa desordem, porém, não haveria problema algum.

Ocorre que Jesus aprofundou o significado desse mandamento ao ressaltar a realidade de que o amor a Deus deve ser total, ou seja, “de todo o coração”. Entende-se, portanto, que o homem não pode dividir o seu coração com mais nada além de Deus.

Como, então, o cristão pode amar Deus e as demais coisas?

Para resolver esse aparente dilema, recorramos à sabedoria dos santos que, mais do que todos, souberam dar a Deus o seu devido amor com generosidade. Santo Tomás de Aquino ensina que amar a Deus sobre todas as coisas é amar a Deus como fim último de todas as coisas. O marido que ama sua esposa, por exemplo, deve amá-la por causa de Deus. Do contrário, esse marido olhará para sua mulher como objeto, desprezando aquilo que ela tem de mais precioso, que é a filiação divina. O mesmo vale para as demais realidades temporais. A pessoa que se ama a si mesma porque Deus a criou à sua imagem e semelhança não peca por vaidade ou amor-próprio. Por outro lado, aquele que se despreza porque não possui certas qualidades que gostaria de possuir não só padece de baixa autoestima como se atreve a questionar os planos de Deus.

No livro Caminho de Perfeição, Santa Teresa d’Ávila ressalta a grandiosidade da entrega por amor a Deus com as seguintes palavras: “Pensais, irmãs, ser pequeno benefício esse desapego, que nos proporciona a felicidade de nos darmos totalmente e sem partilhas àquele que é o nosso Tudo?” (VIII, 1).  Trata-se de fugir daquela mesma atitude de Marta que, esquecendo-se do único bem necessário, ou seja, de estar na presença de Deus, agita-se com as panelas e os demais deveres do cotidiano. Todas as nossas obrigações devem estar orientadas para a glória de Deus, seja um grande empreendimento, seja uma coisa simples como lavar o banheiro. Fazendo dessa forma, o cristão amará a Deus sobre todas as coisas e de todo o coração.

É possível, porém, que esse ensinamento cause espanto em alguns por parecer demasiado radical e extremista. Neste sentido, devemos deixar claro que não há limites para o primeiro mandamento, porque, assim como um médico deseja curar totalmente o seu paciente, também o amor por Deus, que é a cura para todas as nossas enfermidades, precisa ser absoluto. A finalidade da vida humana é estar radicalmente unida a Deus.

Ademais, a busca determinada pela virtude da caridade é uma condição indeclinável para o crescimento na santidade. Quem busca essa virtude, cresce no amor, ainda que durante a caminhada haja percalços e algumas quedas. Aquele que não se dispõe a amar, contudo, acaba regredindo na sua espiritualidade, pois, na vida espiritual, “quem não cresce, regride”.

Santo Tomás de Aquino trata desse assunto no seu Comentário aos dez mandamentos. Para o Aquinate, o crescimento no amor depende de quatro disposições, a saber:

  1. Para crescer no amor a Deus, é preciso que a pessoa se disponha a ouvir diligentemente a Palavra. Como escreve São João, Deus nos amou por primeiro e veio ao nosso encontro por meio do Verbo Encarnado (cf. 1 Jo 4, 19). É necessário, por isso, que a pessoa receba essa notícia do amor de Deus — que vem, obviamente, pela meditação das Sagradas Escrituras —, a fim de que o fogo da caridade incendeie seu coração, como incendiou o coração dos discípulos de Emaús: “Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).
  2. Depois de a chama da caridade se acender, é preciso que ela aumente cada vez mais. A pessoa deve, então, olhar para sua própria vida, como um verdadeiro exame de consciência, e meditar a respeito das inúmeras vezes em que foi objeto da benevolência de Deus, para que sua gratidão se torne maior. Enfim, Santo Tomás fala claramente da necessidade da vida de oração, de uma contínua consideração dos bens recebidos.
  3. Deve-se afastar o coração das coisas do terra por um determinando desapego, a fim de que a finalidade da vida seja inteiramente ordenada para Deus. É preciso entender que a felicidade não pertence a este mundo e que, portanto, tudo o que ocupa o lugar de Deus, mesmo as coisas mais honestas, obstruem a caminhada para a felicidade eterna.
  4. Crescer na virtude da paciência diante das adversidades vividas no dia a dia. Quando se suporta uma provação difícil, o amor cresce mais rapidamente. O maior ato de amor que Jesus praticou pela humanidade aconteceu no sacrifício paciente e silencioso da cruz.

Para resumir, amar a Deus sobre todas as coisas e de todo coração é amar sem medida, tendo Deus por finalidade última de toda a nossa vida. O homem que deseja amar assim deve, primeiro, ouvir a Palavra e meditar diligentemente sobre os benefícios de Nosso Senhor, de modo que, provado na paciência e no desapego das coisas efêmeras, espalhe o fogo da caridade por todo o mundo. Com essa grande lição de Santo Tomás, aprendamos a viver o amor generoso que Deus espera de nós, pois a caridade é a marca essencial dos cristãos.

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