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260. O tormento dos demônios

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
8, 28-34)

Naquele tempo, quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. Eles então gritaram: "Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?".

Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. Os demônios suplicavam-lhe: "Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos".

Jesus disse: "Ide". Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

O Evangelho da Missa de hoje nos recorda alguns pontos importantes de nossa fé, especialmente no que se refere à existência dos demônios e ao seu modo de atuação no mundo. Como diz o IV Concílio de Latrão, o Diabo e seus sequazes foram criados por Deus naturalmente bons, mas por culpa e iniciativa próprias tornaram-se irremediavelmente maus. O pecado de Lúcifer — o maior dentre todos os anjos, na opinião de Santo Tomás (cf. Sum. Th. I, q. 63, art. 7, c.) — foi um pecado de soberba, segundo as Escrituras: "Teu coração se inflou de orgulho", diz o Espírito mediante o profeta Ezequiel, "devido à tua beleza; arruinaste a tua sabedoria, por causa do teu esplendor" (Ez 28, 17). Ao rejeitar Deus e o seu Reino em definitivo, Satanás arrastou consigo outros espíritos rebeldes (cf. Mt 25, 41), que, confirmados para sempre no mal e no pecado, foram precipitados nos abismos tenebrosos do Inferno, onde o Senhor os reserva para o Dia do Juízo (cf. 2 Pd 2, 4). A opção dos demônios é, portanto, irrevogável, de modo que não há para eles nenhuma possibilidade de perdão (cf. CIC 393), assim como não existe para os homens arrependimento depois da morte (cf. São João Damasceno, De fide orth. II, 4).

Cheios de ódio, os anjos caídos são absolutamente incapazes de fazer o mal seja a Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, seja aos anjos bons, confirmados imperecivelmente na bem-aventurança eterna. Podem, no entanto, por permissão divina, voltar-se contra nós, incitando-nos ao mal por meio de tentações (cf. Ef 6, 11; 1 Ts 3, 5; 1 Pd 5, 8s) ou, como ouvimos na leitura de hoje, tomando posse do nosso corpo (cf. Mt 4, 24; 10, 1; Lc 8, 2). Este poder, em todo caso, é sempre limitado e só pode ser exercido se e como Deus o quiser. O demônio não pode, de forma nenhuma, penetrar o santuário de nossa alma nem tampouco nos obrigar a pecar, mas apenas nos seduzir a fazê-lo. Embora permaneça um mistério, a permissão divina da ação demoníaca no mundo é uma das formas por que Deus sabe, em sua imensa sabedoria, tirar do mal bens muito maiores, porque Ele tudo faz concorrer para o bem daqueles que O amam (cf. Rm 8, 28). Nenhuma vontade diabólica, com efeito, poderá impedir a edificação do Reino de Deus nem frustrar os eternos desígnios dAquele que tem sob o seu cuidado todos quantos predestinou à glória do Céu (cf. Jo 10, 27ss; CIC 395).

Aproveitemos esta 2.ª-feira para, diante de Cristo sacramentado, renovarmos a nossa fé e lhe agradecermos de coração por nos haver libertado do jugo de Satanás e seus demônios. Recorramos com confiança à Virgem Maria, a nova Eva, que esmagou com seus pés imaculados a cabeça da antiga serpente. — Vem, Senhor Jesus (cf. Ap 22, 20), vem livrar-nos de uma vez para sempre das forças do Maligno!

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