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512. Os discípulos de Emaús

Ao encontrar-se hoje com os discípulos de Emaús, Jesus começa a explicar-lhes que a sua Paixão, Morte e Ressurreição já estavam claramente profetizadas nas Escrituras.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
24, 13-35)

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.

Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: "Que ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?

Ele perguntou: "Que foi?" Os discípulos responderam: "O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu".

Então Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.

Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.

Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?" Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

O Evangelho nos põe hoje ao lado de dois discípulos de Jesus que, tristes e abalados na fé, retornam vagarosamente ao seu povoado de origem, Emaús, a pouco mais de dez quilômetros de Jerusalém. Como estivessem a conversar sobre as coisas que tinham acontecido, o Senhor Ressuscitado apareceu-lhes sob outra figura (cf. Mc 16, 12) e começou a caminhar com eles. Depois de Lhe terem explicado tudo o que sucedera nos últimos três dias, Cléofas e seu companheiro acabaram por revelar o motivo de seu abatimento: "Nós esperávamos que Ele fosse libertar Israel". Jesus então os repreende não só por pensarem que a libertação que o Messias iria trazer ao povo de Deus era de índole política, mas também por imaginarem que a Redenção era incompatível com o escândalo da Cruz: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram", diz Ele. "Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" As próprias SS. Escrituras, com efeito, vaticinavam que Ele haveria, sim, de padecer muito e morrer, a fim de entrar na glória de seu Reino. Começando, pois, por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes todas as passagens da Escritura que falavam a seu respeito.

O mesmo fará momentos mais tarde, quando, antes de ascender aos céus, abrir a inteligência dos Apóstolos para entenderem as Escrituras, isto é, dar-lhes o carisma de compreenderem o verdadeiro significado da Bíblia e, acima de tudo, de enxergarem que a Paixão, Morte e Ressurreição do Messias estavam já previstas no Texto Sagrado: "Assim é que está escrito", diz Ele, "e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia" (Lc 24, 46; cf., por exemplo, Is 53; Sl 15, 10; 21; At 2, 31; 13, 35). Donde se vê que toda a S. Escritura, ainda que não nos demos conta disso, fala a todo instante de Cristo Jesus, a quem devemos buscar em todas e cada uma de suas passagens. Pois Ele está, sim, presente por toda a parte: às vezes às claras, às vezes de maneira oculta e velada, mas sempre presente, como Palavra viva e pessoal de Deus da qual fala a Palavra escrita, ditada pelo Espírito Santo. Que o Senhor nos conceda também a nós, pequenos discípulos seus, esta inteligência, a fim de O encontrarmos na profundidade do Texto Santo, e não na superfície da letra, na qual infelizmente se detiveram os judeus [1].

Referências

  1. Cf. H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 7.ª ed., de integro retractata a G. G. Dorado, Taurini: Marietti, 1955, vol. 1, pp. 1010-13, nn. 762-764 e p. 1023, n. 773.
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