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Os que não querem ser libertados

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 4, 14-22a)

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.

Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

O Evangelho desta quinta-feira depois da Epifania mete-nos na sinagoga de Nazaré, onde Jesus, logo no início de sua vida pública, apresenta-se como o Messias profeta anunciado nos vaticínios do Antigo Testamento (cf. Dt 18, 15-19). Um dos principais vaticínios é o de Isaías (cf. Is 61, 1-4), no qual se “descreve o Messias ungido pelo Espírito de Javé para anunciar a doutrina da redenção e da indulgência divina para com os contritos e desgraçados” (Francisco de Vizmanos, Teología fundamental para seglares, II 568). Diante de todos, na sinagoga de sua terra natal em pleno dia de sábado, Jesus se aplica a si mesmo as palavras de Isaías, afirmando que n’Ele se cumprem as promessas da Escritura. A reação inicial dos ouvintes, no entanto, será muito distinta da que veremos mais tarde, quando este mesmo povo nazareno o rejeitar, julgando-o fora de si. Agora, o que vemos é entusiasmo, admiração e, poderíamos dizer, até um incipiente apostolado: “Todos davam testemunho a seu respeito”. Dali a poucos dias, porém, o irão não apenas expulsar da cidade, como tentar precipitar de um colina (cf. Lc 4, 28-29), tomados de raiva por suas palavras duras, sim, mas salutares. Essa inconstância de Nazaré, esse resvalar da fé à apostasia, é do que hoje nos quer prevenir o Senhor, e para isso temos de tomar consciência de que, se o queremos por libertador, precisamos deixar que Ele verdadeiramente nos liberte. É por não quererem desembaraçar-se do pecado que muitos, apesar de se interessarem por Cristo, terminam odiando-o: porque amam o que os escraviza e estão fascinados pelo que sabem lhes faz mal, por isso detestam a mão que lhes estende, amargo embora, o remédio de que precisam. Assim é o mundo em que vivemos. Estamos como num naufrágio, as ondas engolfam o cais, os raios desfazem as velas, mas entre os tripulantes há quem prefira afogar-se abraçado à sua bagagem a deixar tudo ser engolido pelas águas para subir assim à barca da Igreja. Se queremos, pois, que o entusiasmo que em nós acendeu a palavra de Cristo não se converta, ao fim e ao cabo, em negação aberta e amargurada do mesmo Cristo, imploremos a graça do Espírito Santo que o ungiu e demos um basta aos nossos pecados e apegos, aos nossos egoísmos e molícies. Assumamos nossa vocação cristã, tão sublime quanto indigna dos vocacionados, e deixemos que o nosso divino Médico ampute de nossas vidas tudo o que o desagrada, tudo o que nos faz cativos do demônio: “Enviou-me para proclamar a libertação aos cativos, para libertar os oprimidos”.

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